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01/03/12

SER FODONA NA VIDA PROFISSIONAL É TUDO? Patricya Travassos

                                             SER BEM-SUCEDIDA

         Desde que começou sua carreira, nos anos 70, como parte da trupe teatral “Asdrúbal Trouxe o Trombone”, Patricya Travassos já fez tanta coisa que haja espaço para publicar: atriz, roteirista (Armação Ilimitada), diretora, escritora, apresentadora,etc. Aqui está um artigo interessante, humorístico e que mostra sua visão sobre o mundo das mulheres.
          Ser muito bem-sucedida na vida profissional é tudo? Não, não é tudo. Mas qualquer exagero que as mulheres venham a cometer nessa área ainda está no crédito do perdão. Afinal, foram milhares de anos assando nas fogueiras, aguentando caladas toda sorte de desaforos, suportando maridos sórdidos, sem direito a orgasmo, voto, trabalho, profissão. Então, se hoje comemos melado e nos lambuzamos, é porque faz parte do processo. Estamos ainda encantadas com nossas novas possibilidades e com o universo que se abre a nossos pés. E, se queremos estar no mercado de trabalho com sapatos Louboutin, silicone nos peitos e inseminação artificial na barriga, é porque podemos! É hora de brincar, errar, derrapar na maionese, escorregar no quiabo e enfiar o pé na jaca. Daqui a pouco, a gente apruma, acostuma e se arruma. Vai dizer que o mundo não ficou mil vezes melhor com as mulheres no mercado de trabalho? De modo que. se você quer emburacar e mostrar para o mundo o quanto é poderosa e bem-sucedida, vai fundo. Mas, se a sua é o  padrão maridão/família, abrace a causa! Tudo pode! Chega de limites, normas, formas e bons costumes. Estamos nos reinventando e, portanto, vale tudo.
            Dentro de nós, existe um DNA com ancestrais femininos que foram desrespeitados, abusados, usados, manipulados, maltratados. Existe uma autoestima a ser resgatada. Acho que é aí onde a gente mais tem a aprender. Ainda vivemos em busca da aprovação do masculino. Ainda fazemos mais para "eles" do que para nós mesmas. Mas é compreensível. Acho que, diante das circunstâncias, estamos nos saindo até muito bem. Eu dou a maior força  às que querem ganhar dinheiro e têm habilidade para isso. Dinheiro é liberdade. Dependência financeira é submissão. Muitas já aprenderam que é melhor ganhar pouco mas gerar um dinheiro seu do que ter muito mas depender do marido. Ainda nos perdemos no mito príncipe encantado versus felizes para sempre.
            Outro fardo que carregamos e que atrapalha muito nosso sucesso profissional é a culpa de ser financeiramente mais bem-sucedida que os homens e de abandonar os filhos para trabalhar. É sempre bom lembrar que esse é outro padrão que faz o maior sucesso entre nós: a extrema responsabilidade com os filhos. Tudo o que acontece de ruim com eles é nossa falta. E, como onde tem culpa tem punição, acreditamos que sucesso financeiro  igual aà solidão. Não é!  É independência! É maravilhoso ser dona de seu próprio nariz. Dona de seu ir e vir.
            Mas sempre vem alguém azedar o caldo e dizer que homem não gosta de mulher muito poderosa. Aí entra você com seu livre arbítrio e escolhe se que' ou não que um homem que lhe dê limites, um parceiro que se sente inseguro com seu crescimento.
            Para mim, pessoalmente, liberdade é a coisa mais importante na vida! E não é moeda de troca para nada. Além do que, a entrada da mulher em cena é fundamental para o equilíbrio de nossa civilização extremamente yang. Basta ver a que ponto chegamos. É só olhar em volta! Está ameaçada a continuidade de vida no planeta devido a abusos, maus-tratos, ganância e guerras. A mulher tem naturalmente o olhar do cuidar, do zelar pelo outro. Sentimos a natureza acontecendo em nosso corpo. Somos cíclicas como a Lua. Geramos pessoas e, energeticamente, complementamos os homens e eles a nós. Portanto, nossa  participação no mercado de trabalho, na política e no poder é fundamental para uma humanidade mais justa e harmônica. Agora, a maneira como estamos fazendo isso vai depender da vivência, da experiência e do amadurecimento de cada um de nós.
             Meu único conselho é:  se você está ficando muito Margaret Thatcher, solte um pouco a sua Gisele Bündchen e, na dúvida de que caminho tomar, siga os preceitos da sabedoria oriental: escolha o caminho do meio. 
                   (Fonte: revista LOLA, nº 11, agosto de 2011.)

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