Número total de visualizações de página

26/05/12

Máscara de Mulher - Por Silvia Mendonça



A bem da verdade, não sou essa mulher fatal que você pensa que eu sou. Aquelas histórias de sedução foram todas inventadas e esse ar superior, de quem sabe lidar com a vida, é apenas autodefesa.

Aquelas frases filosóficas, foram só pra te impressionar, pra te passar essa ilusão de intelectual... na verdade eu ainda nem sei se acredito nos valores que me ensinaram, quanto mais em frases feitas e opiniões formadas!

Senta aí, vai! Deixa eu tirar os sapatos, desmanchar o penteado, retirar a maquiagem... quero te mostrar que assim de perto não sou tão bonita quanto pareço, por isso uso todos esses artifícios. É que no fundo tenho um medo terrível de que você me ache feia, de que você encontre em mim uma série de imperfeições.

Sabe, não quero mais usar essa máscara de mulher inatingível, de mulher forte com punhos de aço... No íntimo me sinto uma pequena ave indefesa, leve demais para enfrentar o vento, e, deseja ficar no aconchego do ninho e ser mimada até adormecer.

Olha pra mim, às vezes minha intimidade não tem brilho algum e você terá que me amar muito para suportar essa minha impotência.

Deixa eu tirar o casaco, tirar o cansaço... essa jornada dupla me deixa tão carente... A convicção de independência afetiva? É tudo balela! Eu queria mesmo era dividir a cama, a mesa, o banho... Queria dividir os sentimentos, os sonhos, as ilusões... um pedaço de torta, uma xícara de café, algum segredo...


Ah, eu tenho andado por aí, tenho sido tantas mulheres que não sou! Quantas vezes me inventei e até me convenci da minha identidade. Administrei minha liberdade. Tomei aviões, tomei whisky... troquei a lâmpada, abri sozinha o zíper do vestido... decidi o meu destino com tanta segurança! Mas não previ que na linha da minha vida estivesse demarcada uma paixão inesperada.

Agora, cá estou eu, trinta e poucos anos e toda atrapalhada, tentando um cruzar de pernas diferente, um olhar mais grave, um molhar de lábios sensual... mas não sei direito o que fazer para agradar.

Confesso que isso me cansa um pouco. Queria mesmo era falar de todos os meus medos, "dos seus medos?" você diria, como se eu nunca tivesse temido nada. Queria te falar das minhas marcas de infância, dos animais que tive, do meu primeiro dia de aula... queria falar dessas coisas mais elementares, e te levar na casa da minha mãe, te mostrar meu álbum de retrato (eu, me equilibrando nos primeiros passos), ah, queria te mostrar minha primeira bicicleta, com truques. Ela ainda existe! Queria te mostrar as árvores que eu plantei (como elas cresceram!) e todas essas coisas que são tão importantes pra mim e tão insignificantes aos outros.

Ah, você queria falar alguma coisa? Está bem! Antes, só mais uma coisinha: estou morrendo de medo que você saia desta cena antes de mim, que você saia à francesa desta história, e eu tenha que recolocar minha máscara e me reinventar, outra vez.

08/05/12

MERDA - CURIOSIDADE: expressão usada no teatro para desejar BOA SORTE


PRIMEIRO COCÔ DA MINHA FILHA, BEATRIZ, FEITO NO PINIQUINHO!!!

GOSTO MAIS DA TERCEIRA VERSÃO, NÃO POR SER DA WIKIPÉDIA...

E SE CHARLES CHAPLIN DISSE QUE: "A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos," vamos então viver bem, vivamos com alegria a VIDA! Agora... com a melhor das intenções, desejo "merda" a todos.

 

A expressão “merda” usada no teatro surgiu na França, e existem algumas versões da história de seu surgimento.


Primeira Versão:
Um ator iria apresentar a peça mais importante de sua vida, estava nervosíssimo, pois na platéia estariam os mais importantes críticos da cidade. No percurso de sua casa ao teatro encontrou muitos obstáculos. Primeiro, deparou-se com um incêndio, teve que desviar e acabou se perdendo. Como quem tem “boca vai a Roma”, conseguiu chegar ao teatro. Na porta do teatro para completar suas asneiras, pisou em um cocô. Entrou, atuou e saiu muito feliz com a melhor atuação de sua vida.

Segunda Versão:
Uma outra é que numa peça do Molière, um dramaturo francês, os atores achavam que a peça estava mal ensaiada e que seria uma grande merda. Mas ao contrário do que todos esperavam, a peça foi um sucesso. E assim, merda é usada como votos de boa sorte até hoje.

Terceira Versão:

Antigamente as pessoas chegavam aos teatros em carruagens. Quanto mais carruagens, mais merda os cavalos deixavam nas ruas e calçadas. Assim, muitas pessoas entravam no teatro com os sapatos sujos, de merda, e quanto mais merda deixada nos capachos, mais a casa estaria cheia.


Assim, a expressão “merda” tem o mesmo significado de boa sorte e é sempre usada antes das apresentações.
Lembrando que, nunca se deve agradecer com obrigado ou de nada quando alguém lhe desejar “merda”, deve responder apenas “merda” ou ficar calado.


“Merda” é uma expressão frequente no teatro. Seis atores falam de sua relação com a palavra.
Marisa Orth - “Acho que o hábito de se falar merda antes de entrar em cena está ligado ao fato de que o trabalho é meio sujo, temos que lidar com a antivaidade. Se você entrar no palco querendo parecer chique não conseguirá relaxar e fazer o tem que fazer. Para quem está em cena, vergonha pouca é bobagem! Para mim a expressão vem de 'cagada', que significa sorte.”


Gabriel Braga Nunes - "No teatro, a expressão 'merda' antes de entrar em cena significa 'boa sorte'. Dizer 'boa sorte' dá azar. Agradecer quando o colega te diz 'merda' também dá azar. O azar só vale para a apresentação daquele dia, não é cumulativo; e é pessoal e intransferível. Até onde sei, o significado é esse para todos os atores, pelo menos para os que eu conheço. No entanto, já desejei muito 'boa sorte' e agradeci muita 'merda' e nunca fui vaiado em cena. Mesmo assim, é carinhoso ouvir 'merda' da boca do colega."

Dan Stulbach - “No teatro se diz 'merda' para desejar sorte. Faz parte da tradição também nunca agradecer. Ao ouvir 'merda', você responde 'merda', e assim vai. Pelo que lembro, teve início na França. Na Inglaterra se diz 'break a leg', quebre a perna. Nunca desejamos sorte, apenas.”
Camila Pitanga - “Para mim ‘merda’ não tem nenhum significado, merda é merda! Até desejo antes de entrar no palco, mas nunca parei para pensar por quê. Tem gente que diz que pisar na merda dá sorte, acho que pode ser. Achei muito engraçado vocês me perguntarem isso!”

Fernanda Dumbra - “Não uso a expressão 'merda'. Meus amigos muitas vezes me desejam merda antes de entrar em cena, mas eu não tenho esse hábito, nunca digo merda para eles. Confesso que não entendo muito essa expressão, não faço a menor idéia do seu significado. Acho que quer dizer boa sorte, alguma coisa nesse sentido. Mas eu mesma nunca desejei merda a ninguém!”
Guta Stresser - “Desejo 'merda' antes de entrar em cena por dois motivos. Primeiro porque acho que é um mantra, os atores falam isso há muitos anos, é uma coisa que passa de geração para geração. Comecei no teatro aos 13 anos e sempre segui esse ritual. O segundo motivo é porque adoro a lendazinha que explica essa expressão. Ouvi dizer que, uma vez, um ator francês estava indo para o teatro, fazer a peça mais importante da vida dele. Ele estava supernervoso, os críticos mais importantes estariam lá. Só que, no caminho, tudo começou a dar errado. Ele teve que passar por um incêndio, errou o caminho, enfim, quase não chegou. Quando já estava na porta do teatro, ele pisou num cocô, para completar sua péssima situação! O supreendente é que depois de tudo isso e de ter pisado na merda, foi a melhor apresentação que esse ator já fez. Então o que eu entendo é que você tem que desejar merda pra acontecer o contrário, para virar sorte.”

05/05/12

A complicada arte de ver - Por Rubem Alves


CONTRIBUIÇÃO DA MINHA QUERIDA CUNHADA RENEZINHA! AMEI E POSTEI!
 
A complicada arte de ver
Rubem Alves*
Ela entrou, deitou-se no divã e disse: “Acho que estou ficando louca”. Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura. “Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões – é uma alegria!
Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Ato banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo neles: tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica.
De repente, a cebola, de objeto a ser comido, se transformou em obra de arte para ser vista! E o pior é que o mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões… Agora, tudo o que vejo me causa espanto.”
Ela se calou, esperando o meu diagnóstico. Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as “Odes Elementales”, de Pablo Neruda. Procurei a “Ode à Cebola” e lhe disse: “Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas. Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro: ‘Rosa de água com escamas de cristal’. Não, você não está louca. Você ganhou olhos de poeta… Os poetas ensinam a ver”.
Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física.
William Blake sabia disso e afirmou: “A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê”. Sei disso por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado.
Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo.
Adélia Prado disse: “Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra”.
Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema.
Há muitas pessoas de visão perfeita que nada veem.
“Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. Não basta abrir a janela para ver os campos e os rios”, escreveu Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa. O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido.
Nietzsche sabia disso e afirmou que a primeira tarefa da educação é ensinar a ver. O zen-budismo concorda, e toda a sua espiritualidade é uma busca da experiência chamada “satori”, a abertura do “terceiro olho”. Não sei se Cummings se inspirava no zen-budismo, mas o fato é que escreveu: “Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram e agora os olhos dos meus olhos se abriram”.
Há um poema no Novo Testamento que relata a caminhada de dois discípulos na companhia de Jesus ressuscitado. Mas eles não o reconheciam. Reconheceram-no subitamente: ao partir do pão, “seus olhos se abriram”.
Vinicius de Moraes adota o mesmo mote em “Operário em Construção”: “De forma que, certo dia, à mesa ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção, ao constatar assombrado que tudo naquela mesa – garrafa, prato, facão – era ele quem fazia. Ele, um humilde operário, um operário em construção”.
A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas – e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário. Mas é muito pobre.
Os olhos não gozam… Mas, quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que veem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo.
Os olhos que moram na caixa de ferramentas são os olhos dos adultos. Os olhos que moram na caixa dos brinquedos, das crianças. Para ter olhos brincalhões, é preciso ter as crianças por nossas mestras.
Alberto Caeiro disse haver aprendido a arte de ver com um menininho, Jesus Cristo fugido do céu, tornado outra vez criança, eternamente: “A mim, ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas quando a gente as têm na mão e olha devagar para elas”.
Por isso – porque eu acho que a primeira função da educação é ensinar a ver – eu gostaria de sugerir que se criasse um novo tipo de professor, um professor que nada teria a ensinar, mas que se dedicaria a apontar os assombros que crescem nos desvãos da banalidade cotidiana. Como o Jesus menino do poema de Caeiro. Sua missão seria partejar “olhos vagabundos”…
*Rubem Alves – Educador e escritor.
Texto originalmente publicado no caderno “Sinapse”, jornal “Folha de S. Paulo”, em 26/10/2004.

Trechos do livro "Vida, um presente do Universo", de Gill Edwards


... Não existem caminhos errados, apenas caminhos suaves ou acidentados. Nos mais suaves, você está no fluxo e diverte-se a valer. Nos mais acidentados, você aprende e cresce, gerando novos desejos novos futuros. Desse modo até mesmo os maus momentos são bons. Todo problema é uma oportunidade. Nenhuma experiência jamais é desperdiçada. Tudo o que acontece é um presente. 
... Quanto mais respeito sentimos pelos momentos de caos, dor, obscuridade na nossa vida, mais rápido juntamos as pérolas.
 
.... A vida é perfeita na sua imperfeição; é assim que ela evolui. A vida nunca será exatamente como você quer que ela seja, caso contrário você pararia de crescer. Você sempre estará avançando em direção a desejos irrealizados. Sempre haverá épocas acidentadas ao longo do caminho. Por conseguinte, aproveite a jornada.

03/05/12

RESPEITO ÀS DIFERENÇAS NO MUNDO FACEBOOKEANO!


RESPEITO ÀS DIFERENÇAS!!!  VIVA A DIVERSIDADE!!! É, SÃO  MUITAS AS PESSOAS QUE FICAM NESSA DE PREGAR "RESPEITO" PELO OUTRO, DIGA NÃO AO "PRECONCEITO", PORÉM É SÓ NA POSTAGEM E NA "FALAGEM", "AÇÃO", OU SEJA, "ATITUDE DE RESPEITO" AO QUE O SEMELHANTE GOSTA, ACREDITA E DESEJA POSTAR, POUCOS, MUITO POUCOS TEM!!! RESPEITO É BOM E TODO MUNDO GOSTA!!! ATÉ O VIRTUAL! CADA UM TEM SUA ESCOLHA! E SE VC TEM AFINIDADE COM ALGO POSTADO, CURTA, SE QUER COMENTAR, COMENTE, DESEJANDO COMPARTILHAR, FAÇA ISSO... MAS NÃO FALTE COM O RESPEITO E NÃO TENHA PRECONCEITO COM OS "AMIGOS" QUE NÃO POSSUEM O MESMO IDEAL SEU, AFINAL O MUNDO, MESMO O "FACEBOOKEANO" QUER RESPEITO ÀS DIFERENÇAS!!! VIVA A DIVERSIDADE!!!  POIS É... NO MUNDO DO FACEBOOK TEM GENTE DE TODO JEITO: O QUE VÊ TUDO, OLHA FOTOS, FUÇA TUDINHO E NADA CURTE, TEM O QUE NÃO CURTE, NEM COMENTA NADA E MUITO MENOS COMPARTILHA... TEM O QUE POSTA DEMAIS E O QUE NADA, MAS NADA MESMO, POSTA! TEM UM POUCO DE TUDO: QUEM POSTA O QUE ESCREVE, O QUE PENSA, AONDE VAI, LINKS, AONDE ESTÁ, SUAS VIAGENS, SEUS AMORES, SUAS DORES, ALEGRIAS, SEU TRABALHO, FAZ COMÉRCIO, PROPAGANDA, DIVULGAÇÃO, ARTE, POSTA SOBRE O QUE COME E BEBE, NOTÍCIAS, NASCIMENTOS, FALECIMENTOS, CONVITES, ANÚNCIOS, DECLARAÇÕES, EVENTOS, FAZ PIADAS, FAZ POLÍTICA, FAZ CAMPANHAS, POSTA CITAÇÕES, PROVÉRBIOS, DESENHOS, ORAÇÕES, PRECES, PEDIDOS, POSTA IMAGENS, MÚSICAS, CLIPES, FILMES, FOTOS DIGITAIS E ESCANEADAS,  POESIAS, FAZ INDAGAÇÕES, DEMONSTRA FÉ, CRENÇAS... ENFIM, PENSO QUE É DIREITO NOSSO POSTAR O QUE QUEREMOS! E O NOSSO PAPEL NO "MUNDO REAL E VIRTUAL" DEVE SER O DE RESPEITAR ÀS DIFERENÇAS E NÃO FICAR CRITICANDO "OS AMIGOS", CADA UM É UM! RESPEITO TB SE FAZ EM QUALQUER QUE SEJA O LUGAR! ABAIXO A HIPOCRISIA, A INTOLERÂNCIA E O PRECONCEITO! E VIVA A DIFERENÇA!!!  E... É ISSO!!! TENHO DITO! TÂNIA C. O'GRADY FELIPE




É ISSO AÍ... "E se me achar esquisita, respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar." Clarice Lispector


"Harmonia se opera com diversidade. Sintonia é sinfonia. São inúmeros os instrumentos tocando as mesmas canções. Não deixemos que a nossa ideia tirana de concerto acabe desconcertando os outros; a humanidade restante. Tal tirania pode prejudicar, fatalmente, o belo e grande show da vida."





O sonho da igualdade só cresce no terreno do respeito pelas diferenças. Augusto Cury



Viva de modo que tuas atitudes falem tão alto que não seja necessário que tu digas palavra alguma! Augusto Branco




Hipocrisia é escrever sobre ter atitudes éticas, de respeito, de educação e de amor ao próximo sabendo que não vai fazè-las ou até que sejam impossíveis de fazê-las dadas as circunstâncias da vida em sociedade. Marco Aurélio da Silva


Quando as pessoas superarem o preconceito, praticarem a empatia e o respeito ao próximo independentemente de qualquer fator... Talvez o mundo seja um lugar melhor, as pessoas mais evoluídas e as relações sociais um pouco mais humanas. Iedda Carolina



As pessoas que não tem muito respeito pelo próximo, é porque tem menos ainda por si mesmo. Zangado Games


PRA LÁ DE PERFEITO!!! "FACEBOOK: Para muitos um número a ser colecionado no silêncio; para outros, possibilidade de reencontros; há também aqueles que encontram uma chance de negócios; forma de matar a saudade, encurtar as distâncias, reencontrar amigos e amores. Mas também tem os “bodes expiatórios” que “urubuservam” nossos pensamentos e nossas aspirações e nada acrescentam. Ainda há os com síndrome de colecionadores. Para esses pouco importa nossas ideologias, nossos sonhos, nossas vidas. Somos apenas um número a mais para a coleção. E assim a rede social Facebook (nem sempre social) vai mudando nossos hábitos, às vezes positivamente, outras de forma negativa. Cabe a nós manter acesas nossas antenas e discernir o joio do trigo." TEULER REIS

"DIA C" 10 DE DEZEMBRO - PRA QUEM GOSTA DE CLARICE LISPECTOR

Clarice na rede - Por Eliane Lobato

Reflexões e frases de Clarice Lispector, antes consideradas complexas, tornam-se populares na internet - e a escritora ganha até uma data em sua homanagem: o "Dia C"




ADAPTAÇÃO
Há quem altere frases de Clarice de acordo com as suas conveniências

Dois novos livros de Clarice Lispector (1920-1977) acabam de chegar às livrarias – “Como Nasceram as Estrelas” e “Clarice na Cabeceira – Romances”, este organizado pelo escritor e crítico literário José Castello. Poderiam ser apenas mais dois lançamentos se a escritora ucraniana naturalizada brasileira não fosse hoje um dos maiores fenômenos de citação em redes sociais, cadernos escolares, objetos de decoração, placas e blogs. O universo “clariciano”, como são chamados os milhares de fãs da autora, se propaga na internet como fogo ao vento. Um blog diz que Clarice está passando por um processo de “cheguevarização”, numa referência à famosa foto, que roda o mundo, retratando o guerrilheiro argentino Ernesto Che Guevara. No mês passado, foi lançado o “Dia C” – 10 de dezembro, data de seu nascimento – para celebrar a obra de Clarice, numa iniciativa da editora Rocco que tem 21 títulos publicados da autora. Segundo o editor Paulo Rocco, a intenção “é manter a obra viva, em permanente circulação de ideias, com eventos e encontros literários pelo País”.

José Castello resume o motivo pelo qual a obra da romancista e cronista comunica-se tão bem com pessoas de diferentes faixas etárias, nível social e intelectual: “A literatura de Clarice toca o coração.” Ele lembra que sua escrita “não é culta”, até porque a autora não se interessava em torná-la assim. E aponta um problema na onda de transcrições de seus pensamentos e reflexões, já que muitas delas “são falsas ou, pelo menos, adaptadas às conveniências de quem as usa”. Ainda assim, ele concebe um lado positivo: “Servem como iscas para atrair os leitores.” Na mesma linha, o biógrafo americano Benjamin Moser considera as reproduções “cafonas”, mas reconhece que elas tiram o caráter hermético da obra, tornando-a “mais popular”. De fato, a fragmentação do pensamento parece ser uma tendência inevitável dos tempos atuais e a pressa faz com que as pessoas prefiram textos curtos. Por isso, grandes nomes como o de Clarice são os mais forjados, copiados e adulterados na internet. Bem ao estilo da escritora, Castello resume o fenômeno: “Isso não é bom nem é ruim. É.”


Citações famosas da autora
Pensamentos de Clarice que são reproduzidos em redes sociais e ilustram agendas e cadernos escolares

“O que é verdadeiramente imoral é ter desistido de você mesma.”
“Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome.”
“Tenho várias caras. Uma é quase bonita, outra é quase feia. Sou um o quê? Um quase tudo.”
“Porque há o direito ao grito. Então eu grito.”
................................................................................................................................................................

QUER MAIS CLARICE LISPECTOR?

“Eu não escrevo o que quero, escrevo o que sou.”

 



"Sou dramática, intensa, transitória e tenho uma alegria em mim que quase me deixa exausta. Eu sei sorrir com os olhos e gargalhar com o corpo todo. Eu sei chorar toda encolhida abraçando as pernas. Por isso, não me venha com meios-termos, com mais ou menos ou qualquer coisa. Venha a mim com corpo, alma, vísceras, e falta de ar..."
"Não pense que a pessoa tem tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e continuar a mesma. Até cortar os defeitos pode ser perigoso - nunca se sabe qual o defeito que sustenta nosso edifício inteiro... Há certos momentos em que o primeiro dever a realizar é em relação a si mesmo. Quase quatro anos me transformaram muito. Do momento em que me resignei, perdi toda a vivacidade e todo interesse pelas coisas. Você já viu como um touro castrado se transforma em boi. Assim fiquei eu... Para me adaptar ao que era inadaptável, para vencer minhas repulsas e meus sonhos, tive que cortar meus grilhões - cortei em mim a forma que poderia fazer mal aos outros e a mim. E com isso cortei também a minha força. Ouça: respeite mesmo o que é ruim em você, sobretudo o que imagina que é ruim em você - não copie uma pessoa ideal, copie você mesma - é esse seu único meio de viver. Juro por Deus que, se houvesse um céu, uma pessoa que se sacrificou por covardia ia ser punida e iria para um inferno qualquer. Se é que uma vida morna não é ser punida por essa mesma mornidão. Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo o que sua vida exige. Parece uma vida amoral. Mas o que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesma. Gostaria mesmo que você me visse e assistisse minha vida sem eu saber. Ver o que pode suceder quando se pactua com a comodidade da alma”
"Comecei uma listinha de sentimentos dos quais não sei o nome. Se recebo um presente dado com carinho por pessoa de quem não gosto - como se chama o que sinto? A saudade que se tem de pessoa de quem a gente não gosta mais, essa mágoa e esse rancor - como se chama? Estar ocupada - e de repente parar por ter sido tomada por uma súbita desocupação desanuviadora e beata, como se uma luz de milagre tivesse entrado na sala: como se chama o que se sentiu?"
"Recuso-me a ficar triste. Sejamos alegres. Quem não tiver medo de ficar alegre e experimentar uma só vez sequer a alegria doida e profunda terá o melhor de nossa verdade. Eu estou - apesar de tudo, oh, apesar de tudo -, estou sendo alegre neste instante- já que passa se eu não fixá-lo com palavras. Estou sendo alegre neste mesmo instante porque me recuso a ser vencida: então eu amo. Como resposta."
"Tenho uma alma muito prolixa e uso poucas palavras; sou irritável e piro facilmente; também sou muito calma e perdôo logo; não esqueço nunca; mas há poucas coisas de que eu me lembre; sou paciente, mas profundamente colérica, como a maioria dos pacientes; as pessoas nunca me irritam mesmo, certamente porque eu as perdôo de antemão; gosto muito das pessoas por egoísmo: é que elas se parecem no fundo comigo; nunca esqueço uma ofensa, o que é uma verdade, mas como pode ser verdade, se as ofensas saem de minha cabeça como se nunca nela tivessem entrando? Tenho uma paz profunda, somente porque ela é profunda e não pode ser sequer atingida por mim mesmo; se fosse alcançável por mim, eu não teria um minuto de paz; quanto a minha paz superficial, ela é uma alusão à verdadeira paz; outra coisa que esqueci é que há outra alusão em mim - a do mundo grande e aberto; apesar do meu ar duro, sou cheia de muito amor e é isso o que certamente me dá uma grandeza...”
"Sobretudo um dia virá em que todo meu movimento será criação, nascimento, eu romperei todos os nãos que existem dentro de mim, provarei a mim mesma que nada há a temer, que tudo o que eu for será sempre onde haja uma mulher com meu princípio, erguerei dentro de mim o que sou um dia, a um gesto meu minhas vagas se levantarão poderosas, água pura submergindo a dúvida, a consciência, eu serei forte como a alma de um animal e quando eu falar serão palavras não pensadas e lentas, não levemente sentidas, não cheias de vontade de humanidade, não o passado corroendo o futuro! O que eu disser soará fatal e inteiro!" (Perto do Coração Selvagem)
"É que o mundo de fora também tem o seu ‘dentro’, daí a pergunta, daí os equívocos. O mundo de fora também é íntimo. Quem o trata com cerimônia e não o mistura a si mesmo não o vive, e é quem realmente o considera ‘estranho’ e ‘de fora’. A palavra ‘dicotomia’ é uma das mais secas do dicionário."
"Para além da orelha existe um som, à extremidade do olhar um aspecto, às pontas dos dedos um objeto - é para lá que eu vou. À ponta do lápis o traço. Onde expira um pensamento está uma idéia, ao derradeiro hálito de alegria uma outra alegria, à ponta da espada a magia - é para lá que eu vou. Na ponta dos pés o salto. Parece a história de alguém que foi e não voltou - é para lá que eu vou. Ou não vou? Vou, sim. E volto para ver como estão as coisas. Se continuam mágicas. Realidade? Eu vos espero. E para lá que eu vou. Na ponta da palavra está a palavra. (...) À beira de eu estou mim. É para mim que eu vou. E de mim saio para ver. Ver o quê? Ver o que existe. Depois de morta é para a realidade que vou. Por enquanto é sonho. Sonho fatídico. Mas depois - depois tudo é real. E a alma livre procura um canto para se acomodar. Mim é um eu que anuncio. (...) Amor: eu vos amo tanto. Eu amo o amor. O amor é vermelho. (...) À extremidade de mim estou eu. Eu, implorante, eu a que necessita, a que pede, a que chora, a que se lamenta. Mas a que canta. A que diz palavras. Palavras ao vento? que importa, os ventos as trazem de novo e eu as possuo. Eu à beira do vento. O morro dos ventos uivantes me chama. Vou, bruxa que sou. E me transmuto. (...) Que estou eu a dizer? Estou dizendo amor. E à beira do amor estamos nós."
"Não me prendo a nada que me defina. Sou companhia, mas posso ser solidão, tranqüilidade e inconstância, pedra e coração. Sou abraços, sorrisos, ânimo, bom humor, sarcasmo, preguiça e sono. Música alta e silêncio. Serei o que você quiser, mas só quando eu quiser. Não me limito, não sou cruel comigo! Serei sempre apego... pelo que vale a pena e desapego pelo que não quer valer."
"Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros."
"E eis que depois de uma tarde de “quem sou eu” e de acordar à uma da madrugada ainda em desespero – eis que às três horas da madrugada acordei e me encontrei. Fui ao encontro de mim. Calma, alegre, plenitude sem fulminação. Simplesmente eu sou eu. E você é você. É vasto, vai durar."
"Quando fazemos tudo para que nos amem e não conseguimos, resta-nos um último recurso: não fazer mais nada. Por isso, digo, quando não obtivermos o amor, o afeto ou a ternura que havíamos solicitado, melhor será desistirmos e procurar mais adiante os sentimentos que nos negaram. Não fazer esforços inúteis, pois o amor nasce, ou não, espontaneamente, mas nunca por força de imposição. Às vezes, é inútil esforçar-se demais, nada se consegue;outras vezes, nada damos e o amor se rende aos nossos pés. Os sentimentos são sempre uma surpresa. Nunca foram uma caridade mendigada, uma compaixão ou um favor concedido. Quase sempre amamos a quem nos ama mal, e desprezamos quem melhor nos quer. Assim, repito, quando tivermos feito tudo para conseguir um amor, e falhado, resta-nos um só caminho... o de mais nada fazer."
"Está fazendo um dia lindo de outono. A praia estava cheia de um vento bom, de uma liberdade. E eu estava só. E naqueles momentos não precisava de ninguém. Preciso aprender a não precisar de ninguém. É difícil, porque preciso repartir com alguém o que sinto. O mar estava calmo. Eu também. Mas à espreita, em suspeita. Como se essa calma não pudesse durar. Algo está sempre por acontecer. O imprevisto me fascina."
"Como se eu procurasse não aproveitar a vida imediatamente, mas só a mais profunda, o que me dá dois modos de ser: em vida, observo muito, sou "ativa" nas observações, tenho o senso do ridículo, do bom humor, da ironia, e tomo um partido. Escrevendo, tenho observações "passivas", tão interiores que "se escrevem" ao mesmo tempo em que são sentidas quase sem o que se chama de processo. É por isso que no escrever eu não escolho, não posso me multiplicar em mil, me sinto fatal a despeito de mim."
"Não acusar-me. Buscar a base do egoísmo: tudo o que não sou não pode me interessar, há impossibilidade de ser além do que se é — no entanto eu me ultrapasso mesmo sem o delírio, sou mais do que eu quase normalmente —; tenho um corpo e tudo o que eu fizer é continuação de meu começo; se a civilização dos Maias não me interessa é porque nada tenho dentro de mim que se possa unir aos seus baixos relevos; aceito tudo o que vem de mim porque não tenho conhecimento das causas e é possível que esteja pisando no vital sem saber; é essa a minha maior humildade, adivinhava ela."
"Tenho em mim, objeto que sou, um toque de santidade enigmática. Sinto-a em certos momentos vazios e faço milagres em mim mesma: o milagre do transitorial mudar de repente, a um leve toque em mim, a mudar de repente de sentimento e pensamentos, e o milagre de ver tudo claríssimo e oco: vejo a luminosidade sem tema, sem história, sem fatos. Faço grande esforço para não ter o pior dos sentimentos: o de que nada vale nada. E até o prazer é desimportante."
"Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo."
"Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: Quero é uma verdade inventada."
Temperamento impulsivo 
 “Sou o que se chama de pessoa impulsiva. Como descrever? Acho que assim: vem-me uma idéia ou um sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, às vezes erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade.
Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus impulsos. E até que ponto posso controlá-los. [...] Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados resignadamente? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? E também tenho medo de tornar-me adulta demais: eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso. Não sou madura bastante ainda. Ou nunca serei.”

Lúcida em excesso
       “Estou sentindo uma clareza tão grande que me anula como pessoa atual e comum: é uma lucidez vazia, como explicar? assim como um cálculo matemático perfeito do qual, no entanto, não se precise. Estou por assim dizer vendo claramente o vazio. E nem entendo aquilo que entendo: pois estou infinitamente maior do que eu mesma, e não me alcanço. Além do quê: que faço dessa lucidez? Sei também que esta minha lucidez pode-se tornar o inferno humano — já me aconteceu antes. Pois sei que — em termos de nossa diária e permanente acomodação resignada à irrealidade — essa clareza de realidade é um risco. Apagai, pois, minha flama, Deus, porque ela não me serve para viver os dias. Ajudai-me a de novo consistir dos modos possíveis. Eu consisto, eu consisto, amém.”.

Ideal de vida
       “Um nome para o que eu sou, importa muito pouco. Importa o que eu gostaria de ser.
       O que eu gostaria de ser era uma lutadora. Quero dizer, uma pessoa que luta pelo bem dos outros. Isso desde pequena eu quis. Por que foi o destino me levando a escrever o que já escrevi, em vez de também desenvolver em mim a qualidade de lutadora que eu tinha? Em pequena, minha família por brincadeira chamava-me de ‘a protetora dos animais’. Porque bastava acusarem uma pessoa para eu imediatamente defendê-la.
       [...] No entanto, o que terminei sendo, e tão cedo? Terminei sendo uma pessoa que procura o que profundamente se sente e usa a palavra que o exprima.
É pouco, é muito pouco.”
Escritora, sim; intelectual, não

       “Outra coisa que não parece ser entendida pelos outros é quando me chamam de intelectual e eu digo que não sou. De novo, não se trata de modéstia e sim de uma realidade que nem de longe me fere. Ser intelectual é usar sobretudo a inteligência, o que eu não faço: uso é a intuição, o instinto. Ser intelectual é também ter cultura, e eu sou tão má leitora que agora já sem pudor, digo que não tenho mesmo cultura. Nem sequer li as obras importantes da humanidade.
[...] Literata também não sou porque não tornei o fato de escrever livros ‘uma profissão’, nem uma ‘carreira’. Escrevi-os só quando espontaneamente me vieram, e só quando eu realmente quis. Sou uma amadora?
       O que sou então? Sou uma pessoa que tem um coração que por vezes percebe, sou uma pessoa que pretendeu pôr em palavras um mundo ininteligível e um mundo impalpável. Sobretudo uma pessoa cujo coração bate de alegria levíssima quando consegue em uma frase dizer alguma coisa sobre a vida humana ou animal.”

A síntese perfeita
       “Sou tão misteriosa que não me entendo.”

A certeza do divino
       “Através de meus graves erros — que um dia eu talvez os possa mencionar sem me vangloriar deles — é que cheguei a poder amar. Até esta glorificação: eu amo o Nada. A consciência de minha permanente queda me leva ao amor do Nada. E desta queda é que começo a fazer minha vida. Com pedras ruins levanto o horror, e com horror eu amo. Não sei o que fazer de mim, já nascida, senão isto: Tu, Deus, que eu amo como quem cai no nada.”

Viver e escrever
       “Quando comecei a escrever, que desejava eu atingir? Queria escrever alguma coisa que fosse tranqüila e sem modas, alguma coisa como a lembrança de um alto monumento que parece mais alto porque é lembrança. Mas queria, de passagem, ter realmente tocado no monumento. Sinceramente não sei o que simbolizava para mim a palavra monumento. E terminei escrevendo coisas inteiramente diferentes.”
       “Não sei mais escrever, perdi o jeito. Mas já vi muita coisa no mundo. Uma delas, e não das menos dolorosas, é ter visto bocas se abrirem para dizer ou talvez apenas balbuciar, e simplesmente não conseguirem. Então eu quereria às vezes dizer o que elas não puderam falar. Não sei mais escrever, porém o fato literário tornou-se aos poucos tão desimportante para mim que não saber escrever talvez seja exatamente o que me salvará da literatura.
       O que é que se tornou importante para mim? No entanto, o que quer que seja, é através da literatura que poderá talvez se manifestar.”
       “Até hoje eu por assim dizer não sabia que se pode não escrever. Gradualmente, gradualmente até que de repente a descoberta tímida: quem sabe, também eu já poderia não escrever. Como é infinitamente mais ambicioso. É quase inalcançável”.

A importância da maternidade

       “Há três coisas para as quais eu nasci e para as quais eu dou minha vida. Nasci para amar os outros, nasci para escrever, e nasci para criar meus filhos. O ‘amar os outros’ é tão vasto que inclui até perdão para mim mesma, com o que sobra. As três coisas são tão importantes que minha vida é curta para tanto. Tenho que me apressar, o tempo urge. Não posso perder um minuto do tempo que faz minha vida. Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca [...].”

Viver plenamente
       “Eu disse a uma amiga:
       — A vida sempre superexigiu de mim.
       Ela disse:
       — Mas lembre-se de que você também superexige da vida.
       Sim.”

Um vislumbre do fim

       “Uma vez eu irei. Uma vez irei sozinha, sem minha alma dessa vez. O espírito, eu o terei entregue à família e aos amigos com recomendações. Não será difícil cuidar dele, exige pouco, às vezes se alimenta com jornais mesmo. Não será difícil levá-lo ao cinema, quando se vai. Minha alma eu a deixarei, qualquer animal a abrigará: serão férias em outra paisagem, olhando através de qualquer janela dita da alma, qualquer janela de olhos de gato ou de cão. De tigre, eu preferiria. Meu corpo, esse serei obrigada a levar. Mas dir-lhe-ei antes: vem comigo, como única valise, segue-me como um cão. E irei à frente, sozinha, finalmente cega para os erros do mundo, até que talvez encontre no ar algum bólide que me rebente. Não é a violência que eu procuro, mas uma força ainda não classificada mas que nem por isso deixará de existir no mínimo silêncio que se locomove. Nesse instante há muito que o sangue já terá desaparecido. Não sei como explicar que, sem alma, sem espírito, e um corpo morto — serei ainda eu, horrivelmente esperta. Mas dois e dois são quatro e isso é o contrário de uma solução, é beco sem saída, puro problema enrodilhado em si. Para voltar de ‘dois e dois são quatro’ é preciso voltar, fingir saudade, encontrar o espírito entregue aos amigos, e dizer: como você engordou! Satisfeita até o gargalo pelos seres que mais amo. Estou morrendo meu espírito, sinto isso, sinto...”
Textos extraídos do livro Aprendendo a viver, Clarice Lispector. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 2004.
Precisão
O que me tranqüiliza é que tudo o que existe, existe com uma precisão absoluta. O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete não transborda nem uma fração de milímetro além do tamanho de uma cabeça de alfinete. Tudo o que existe é de uma grande exatidão. Pena é que a maior parte do que existe com essa exatidão nos é tecnicamente invisível. O bom é que a verdade chega a nós como um sentido secreto das coisas. Nós terminamos adivinhando, confusos, a perfeição.

Dá-me a Tua Mão
Dá-me a tua mão: Vou agora te contar como entrei no inexpressivo que sempre foi a minha busca cega e secreta. De como entrei naquilo que existe entre o número um e o número dois, de como vi a linha de mistério e fogo, e que é linha sub-reptícia. Entre duas notas de música existe uma nota, entre dois fatos existe um fato, entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam existe um intervalo de espaço, existe um sentir que é entre o sentir – nos interstícios da matéria primordial está a linha de mistério e fogo que é a respiração do mundo, e a respiração contínua do mundo é aquilo que ouvimos e chamamos de silêncio.

"Nasci dura, heróica, solitária e em pé. E encontrei meu contraponto na paisagem sem pitoresco e sem beleza. A feiúra é o meu estandarte de guerra. Eu amo o feio com um amor de igual para igual. E desafio a morte. Eu – eu sou a minha própria morte. E ninguém vai mais longe. O que há de bárbaro em mim procura o bárbaro e cruel fora de mim. Vejo em claros e escuros os rostos das pessoas que vacilam às chamas da fogueira. Sou uma árvore que arde com duro prazer. Só uma doçura me possui: a conivência com o mundo. Eu amo a minha cruz, a que doloridamente carrego. É o mínimo que posso fazer de minha vida: aceitar comiseravelmente o sacrifício da noite."

"Se tudo existe é porque sou. Mas por que esse mal estar? É porque não estou vivendo do único modo que existe para cada um de se viver e nem sei qual é. Desconfortável. Não me sinto bem. Não sei o que é que há. Mas alguma coisa está errada e dá mal estar. No entanto estou sendo franca e meu jogo é limpo. Abro o jogo. Só não conto os fatos de minha vida: sou secreta por natureza. O que há então? Só sei que não quero a impostura. Recuso-me. Eu me aprofundei mas não acredito em mim porque meu pensamento é inventado."

Alta tensão – Bruna Lombardi
eu gosto dos venenos mais lentos
dos cafés mais amargos
das bebidas mais fortes
e tenho
apetites vorazes
uns rapazes
que vejo
passar
eu sonho
os delírios mais soltos
e os gestos mais loucos
que há
e sinto
uns desejos vulgares
navegar por uns mares
de lá
você pode me empurrar pro precipício
não me importo com isso
eu adoro voar.


(poema do livro O perigo do Dragão. Rio de Janeiro: Record, 1984. p. 36)

OBS.: Esse texto segue circulando na internet atribuído a Clarice Lispector. O poema é da Bruna Lombardi.

"E se me achar esquisita, respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar."

E a paz me encontrou - Por Karla Tabalipa


Dona moça, me faz um favor? Não supervalorize os maldosos que te atravessarem o caminho. Não dê importância demais a quem perde horas do seu dia tentando borrar seu sorriso. Pise forte na maldade. Sem tropeçar, sem fraquejar. Junte todas as pessoas que te querem bem, te mandam boas vibrações e te enchem de paz, e esmague as más vibrações com o peso delas. Não aceite críticas de quem não conhece suas lutas diárias.
Não tolere julgamentos de quem não consegue ficar em paz diante do seu brilho. E brilhe cada vez mais forte, até cegar a energia ruim dessa gente que tenta ser feliz por vingança, enquanto você planta paz e esperança e colhe alegrias por merecimento.
Envie luz pra quem te calunia e deseja mal. Deseje fé em si mesmo, pra quem não consegue acreditar na felicidade que tanto diz estar vivendo.
Espalhe suas levezas e doçuras, desate os nós que o passado deixou e flutue.
Se algumas pessoas te desejarem o mal, deseje a elas amor. E felicidade o suficiente pra que vivam as suas vidas e esqueçam de uma vez por todas da sua.
Esquece essa gente pequena, dona moça. Não é todo mundo que guarda no peito, um baú feito o seu, cheio de inspiração, flores, cores e delicadezas.


Tem gente que transforma o que passou, em mágoa. Feliz é você, dona moça, que pega o que restou do passado e transforma em poesia.

33 jeitos de se manter criativo - Desconheço autoria

1. Fazendo listas
2. Levando um bloco de notas pra todo lugar
3. Tentando escrever sobre qualquer coisa
4. Afastando-se do computador
5. Sendo do outro mundo
6. Parando de se torturar
7. Fazendo intervalos
8. Cantando no chuveiro
9. Bebendo café/chá
10. Conhecendo suas raízes
11. Escutando músicas novas
12. Sendo uma pessoa aberta
13. Cercando-se de pessoas criativas
14. Recebendo feedback
15. Colaborando
16. Não desistindo
17. Praticando, praticando, praticando
18. Permitindo a si cometer erros
19. Indo a algum lugar novo
20. Assistindo filmes estrangeiros
21. Contando suas bênçãos
22. Descansando bastante
23. Arriscando-se
24. Quebrando as regras
25. Fazendo mais o que lhe deixa feliz
26. Não forçando
27. Lendo uma página do dicionário
28. Criando um sistema (framework)
29. Parando de tentar ser perfeito para alguém
30. Escrevendo toda ideia que vier à cabeça
31. Organizando seu espaço de trabalho
32. Curtindo a vida
33. Terminando algo.