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27/02/12

Meu nome é medo - Frei Betto

Meu propósito é dominar corações e mentes. Incutir em cada um o medo do outro. Medo de estender a mão, tocar em cumprimento a pele impregnada de bactérias nocivas.
Medo de abrir a porta e receber um intruso ansioso por solidariedade e apoio. Com certeza ele quer arrancar-lhe algum dinheiro ou bem. Pior: quer o seu afeto. Melhor não ceder ao apelo sedutor. Evite o sofrimento, tenha medo de amar.
Quero todos com medo da comunidade, do vizinho, do colega de trabalho. Medo do trânsito caótico, das rodovias assassinas, dos guardas que intimidam e achacam. Medo da rua e do mundo.
Convém trancar-se em casa, fazer-se prisioneiro da fragilidade e da desconfiança. Reforce a segurança das portas com chaves e ferrolhos; cubra as janelas de grades; espalhe alarmes e eletrônicos por todos os cantos.
Faça de seu prédio ou condomínio uma penitenciária de luxo, repleta de controles e vigilantes, e no qual o clima de hostilidade reinante desperte, em cada visitante, uma ojeriza ao prazer da amizade.
Tema o Estado e seus tentáculos burocráticos, os pesados impostos que lhe cobra, as forças policiais e os serviços de informação e espionagem. Quem garante que seu telefone não está grampeado? Suas mensagens eletrônicas não são captadas por terceiros?
O mais prudente é evitar ser transparente, sincero, bem humorado. Sua atitude pode ser interpretada como irreverência ou mesmo ameaça ao sistema.
Fuja de quem não se compara a você em classe, renda, cultura e cor da pele; dos olhos invejosos, da cobiça, do abraço de quem pretende enfiar-lhe a faca pelas costas.
Tenha medo da velhice. Ela é prenúncio da morte. Abomine o crescimento aritmético de sua idade. Jamais empregue o termo "velho”; quando muito, admita "idoso”.
Tema a gordura que lhe estufa as carnes, a ruga a despontar no rosto, a celulite na perna, o fio branco no cabelo. É horrível perder a juventude, a esbeltez, o corpo desejado!
Tenha medo da mais terrível inimiga: a morte. Ela se insinua quando você fica doente. Saiba que ninguém está interessado em sua saúde. Em seu bolso, sim. Basta adoecer para verificar como haverão de humilhá-lo os serviços médicos e os planos de saúde.
Não se mova! Por que viajar, abandonar o conforto doméstico e se arriscar num acidente de ônibus, navio ou avião? Nunca se sabe quando, onde e como os terroristas atacarão. Quem diria que numa bucólica ilha da pacífica Noruega o terror provocaria um genocídio?
Meu nome é medo. Acolha-me em sua vida! Sei que perderá a liberdade, a alegria de viver, o prazer de ser feliz. Mas darei a você o que mais anseia: segurança!
Em meus braços, você estará tão seguro quanto um defunto em seu caixão, a quem ninguém jamais poderá infligir nenhum mal, nem mesmo amedrontá-lo.
Frei Betto é escritor, autor de "Calendário do poder” (Rocco), entre outros livros.

24/02/12

Saudades - Clarice Lispector



Sinto saudades de tudo que marcou a minha vida.
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros,
quando escuto uma voz, quando me lembro do passado,
eu sinto saudades...

Sinto saudades de amigos que nunca mais vi,
de pessoas com quem não mais falei ou cruzei...

Sinto saudades da minha infância,
do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro,
do penúltimo e daqueles que ainda vou ter, se Deus quiser...

Sinto saudades do presente,
que não aproveitei de todo,
lembrando do passado
e apostando no futuro...

Sinto saudades do futuro,
que se idealizado,
provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser...

Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei!
De quem disse que viria
e nem apareceu;
de quem apareceu correndo,
sem me conhecer direito,
de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.

Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi direito!

Daqueles que não tiveram
como me dizer adeus;
de gente que passou na calçada contrária da minha vida
e que só enxerguei de vislumbre!

Sinto saudades de coisas que tive
e de outras que não tive
mas quis muito ter!

Sinto saudades de coisas
que nem sei se existiram.

Sinto saudades de coisas sérias,
de coisas hilariantes,
de casos, de experiências...

Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia
e que me amava fielmente, como só os cães são capazes de fazer!

Sinto saudades dos livros que li e que me fizeram viajar!

Sinto saudades dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar,

Sinto saudades das coisas que vivi
e das que deixei passar,
sem curtir na totalidade.

Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que...
não sei onde...
para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi...

Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades
Em japonês, em russo,
em italiano, em inglês...
mas que minha saudade,
por eu ter nascido no Brasil,
só fala português, embora, lá no fundo, possa ser poliglota.

Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria,
espontaneamente quando
estamos desesperados...
para contar dinheiro... fazer amor...
declarar sentimentos fortes...
seja lá em que lugar do mundo estejamos.

Eu acredito que um simples
"I miss you"
ou seja lá
como possamos traduzir saudade em outra língua,
nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha.

Talvez não exprima corretamente
a imensa falta
que sentimos de coisas
ou pessoas queridas.

E é por isso que eu tenho mais saudades...
Porque encontrei uma palavra
para usar todas as vezes
em que sinto este aperto no peito,
meio nostálgico, meio gostoso,
mas que funciona melhor
do que um sinal vital
quando se quer falar de vida
e de sentimentos.

Ela é a prova inequívoca
de que somos sensíveis!
De que amamos muito
o que tivemos
e lamentamos as coisas boas
que perdemos ao longo da nossa existência...

 

23/02/12

TEMPO DE QUARESMA!!! É TB MOMENTO DE REFLETIR...



"Quando deres esmola, não faças tocar trombeta... como os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados... que a tua esmola fique em secreto; e teu Pai, te recompensará. E quando orardes, não sejais como os hipócritas; pois gostam de orar... para serem vistos pelos homens... entra no teu quarto e, fechando a porta, ora a teu Pai... qu...e vê em secreto, te recompensará... porque vosso Pai sabe o que é necessário, antes de vós pedirdes... Quando jejuares... não mostre aos homens que estás jejuando, mas a teu Pai... que vê em secreto, te recompensará... Não ajunteis para vós tesouros na terra... onde os ladrões minam e roubam... Porque onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração." MATEUS 6

22/02/12

O que tem o bumbum da Scarlett? IVAN MARTINS


Uma lição de beleza e humanidade para nós todos
Do ponto de vista estético, começou e terminou com a divulgação, pela internet, das fotos da Scarlett Johansson tomando sol na praia. Depois que atriz mais sensual do mundo pôs a mostra um bumbum salpicado de celulite, não se falou de outra coisa. As fotos dela em biquíni azul invadiram as redes sociais, acompanhadas de dois tipos de comentários. Os homens reafirmavam que ela continuava maravilhosa, enquanto as mulheres pareciam aliviadas com a demonstração de humanidade. É como se dissessem: “Está vendo? Ela é linda, famosa e rica, tem só 27 anos, e TAMBÉM tem celulite”. Acho que tem aí uma lição para nós todos, e não se trata da necessidade de cortar refrigerantes, fazer drenagem linfática ou se exercitar como uma égua para que a bunda não fique parecida com a de Scarlett. Esse episódio revela nossas obsessões, nossos rígidos padrões corporais e, sobretudo, a forma como essas duas coisas conjugadas dominam o imaginário de homens e mulheres numa época de exposição total como a que vivemos. As pessoas sempre foram fascinadas pela fama e pela beleza, mas nunca, até agora, tinham tido a chance de espiar tão de perto o corpo das celebridades. No passado, uma artista como Scarlett teria tido a chance de balançar o bumbum por aí numa praia de ricos sem ser captada pela lente de um fotógrafo. Isso acabou. Qualquer pessoa famosa que saia em público precisa assumir que cada gesto dele ou dela está sendo registrado. Se não houver na redondeza um fotógrafo profissional, haverá um de nós, gente normal, com um celular de alta potência fotográfica e cara de pau suficiente para apontar a lente para a Fulana ou Fulano fazendo o que quer que seja, inclusive tendo celulite. Fico imaginando como era a bunda da Grace Kelly, da Sophia Loren ou da Greta Garbo, para ficar em três mitos do cinema que nunca – que eu saiba – tiveram seus traseiros expostos dessa forma. Teriam derrières de passistas, lisos e duros como pedra, ou seriam apenas humanas, mulheres cuja divindade deveria ser cultuada de roupa, sem chance de desapontamento? Duvido. Fui tirar a dúvida na internet e não consegui: não se acham fotos dessas divas antigas de biquíni, à luz cruel do dia. Mas escreva o nome de Júlia Roberts, acompanhada da palavra inglesa “ass”, e aparecem, instantaneamente, dezenas de fotos da atriz, linda, magra e imperfeita mãe de três filhos, se expondo na praia de uma forma que o assessor de imagem dela gostaria de evitar. Se a preocupação estética fosse apenas com o corpo dos artistas, não seria um grande problema. Eles são poucos e é possível racionalizar que esse tipo de invasão está incluído no gordo salário que a fama proporciona. Mas a obsessão com o corpo perfeito vai muito além deles. Ela está em toda parte. Chegou a nós. Atinge mulheres (e mesmo homens) de todas as idades, gente que fica maluca se achando gorda, indefinida, flácida ou... vítima de celulite e estrias. Não é fácil lidar com pessoas nesse estado de espírito. Qualquer frase que insinue que a sua namorada possa estar um pouco acima do peso – ainda que seja um elogio sobre a gostosura dela – é recebida como crítica e pode abalar a segurança da pessoa. Coisas como estrias e (pssiuuu...) celulite simplesmente não podem ser mencionadas. A única maneira segura de falar desses assuntos é no plural - “Todas as mulheres têm celulite” – ou na terceira pessoa. “Você viu as fotos da Fulana com estrias?” A mulher com quem você está falando não sofre dessas coisas, jamais. Mas este é um daqueles assuntos em que ninguém está sendo inteiramente sincero. É claro que Scarlett continua linda, lindíssima, e cada vez mais atraente, mas a celulite dela está lá, e os homens percebem. Ao contrário da lenda benigna propagada por aí, homem enxerga celulite, reconhece estrias e, depois de certa idade, sabe perfeitamente a diferença entre uma coisa e outra – sabe o suficiente, inclusive, para calar a boca e fingir que não está vendo. Afinal, um olhar mais detido ou uma carícia repetida (como a de quem notasse uma pequena saliência numa superfície lisa) pode destruir irremediavelmente um momento de perfeita intimidade. Tampouco é verdade que todas as mulheres têm celulite, como virou obrigatório dizer. Muitas mulheres não têm celulite (embora eu nunca tenha encontrado alguma que não tenha Estrias), e isso não faz delas deusas encarnadas. É apenas uma característica corporal, entre tantas outras. Scarlett Johansson é linda e tem celulite, assim como outras mulheres não têm celulite e nem são bonitas. E daí? Os homens não saem comentando um para os outros: “Você viu aquela Fulana na praia? Ela não tem nenhuma celulite”. Esse não é o repertório masculino. Homens não funcionam assim. Eles percebem os detalhes, mas são tomados pela força do conjunto, pela exuberância das partes. As mulheres têm um olhar minucioso, particularista e extremamente crítico - e acham que o resto da humanidade é igual. Não é, fiquem tranquilas. Quem soube aproveitar a discussão sobre a bunda da Scarlett para obter um avanço pessoal foi um sensato amigo meu. Ele mostrou as fotos da loirinha para a namorada dele e a convenceu, com base na evidência pericial, de que ela não precisava mais ficar numa dieta de salada quando eles comiam fora. Ambos ficaram mais felizes. Acho que esse deveria ser o espírito geral. Já que a vida dos famosos invade a nossa, vamos usar o exemplo deles de forma inspiradora. Que o bumbum da Scarlett sirva para mostrar às nossas irmãs, amigas, namoradas e mulheres que, sim, bumbuns com celulite são aceitáveis, continuam lindos e podem ser intensa e profundamente amados.

LINKS DE VÍDEOS: The Crazy ones, Pai, estou a observar-te! E OUTROS BONS D+ TB!


Dicas de Mário Sérgio Cortella, brilhante filósofo e comunicador! MENOS DE 2 MINUTOS. ÓTIMO!!!
VALE A PENA D+ CLICAR NO LINK A SEGUIR.

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The Crazy ones - (legendado)

Comercial da Apple que mostra grandes gênios da humanidade. São os "loucos" que acreditam poder mudar o mundo. E mudam.

BACANA! E SÓ UM MINUTINHO... VALE A PENA CLICAR NO LINK E CONFERIR!


http://www.youtube.com/watch?v=eUMFt_OImjA&feature=share

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O EXEMPLO É TUDO!
ADOREI ESSE VÍDEO: Pai, estou a observar-te!


Muito lindo! Clique ACIMA e veja, são só 2 minutinhos maravilhosos na sua vida, sendo pai ou não, vale muito a pena conferir!!!

VAMOS CONTINUAR A FAZER A DIFERENÇA...

Não diga que não avisei! Por Alcione Araújo‏

 

A enfermeira australiana Bronnie Ware passou anos da vida profissional cuidando de pacientes em estágio terminal, após deixarem o hospital para morrer em casa – a maioria restando menos de três meses de vida. Só quem tem muito amor ao próximo, tenacidade mental inabalável e desapego à vida pode assumir essa tarefa terrível e ao mesmo tempo humana, nobre e necessária. Bronnie, porém, constatou surpresa que as pessoas crescem diante da morte e aprendeu a não subestimar a coragem delas para enfrentar cada fase do processo: negação da própria situação, pavor, medo, raiva, remorso, nova negação, até chegar, enfim, à resignação. No trajeto revelam grande sabedoria de vida. E todos encontram a paz antes de partir.
A todos Bronnie indagou: “O que lamenta na vida que viveu? Do que se arrepende? O que mudaria se tivesse nova chance?” Com as respostas, escreveu The top five regrets of the dying (ou “Os cinco lamentos do moribundo”, em tradução livre). Ignoro se a enfermeira saberia interpretar as respostas. Mas não vi nenhum disparate. 
A maioria das respostas foi “gostaria de ter tido a coragem de viver a vida que eu quisesse, não a que os outros esperavam que eu vivesse”. Para Bronnie, quando as pessoas sentem que a vida está acabando, olham para trás e se dão conta de quantos sonhos não se realizaram e vão morrer sabendo que não viveram a própria e única vida, e isso aconteceu pelas decisões que tomaram ou deixaram de tomar.
“Gostaria de não ter trabalhado tanto”, disseram os homens ouvidos. Todos, sem exceção, queriam ter vivido mais junto dos filhos e se arrependiam de ter passado tanto tempo pensando no trabalho. As mulheres lamentaram a falta de tempo para os filhos – apesar de a maioria ser de geração ainda não engajada em carreiras. 
Enquanto oferecia aos pacientes seus cuidados paliativos, Bronnie reunia respostas. A terceira mais ouvida foi “queria ter tido a coragem de expressar meus sentimentos”, que ela acha típica dos que reprimiram sentimentos e emoções, por medo, inibição ou para ficar bem com os outros. Ocultaram tanto o que sentiam ou pensavam que se acomodaram numa vida opaca e medíocre, sem nunca se tornar quem eles de fato são – e desenvolveram graves doenças associadas à amargura e ao ressentimento.
Muitos dos pacientes de Bronnie viveram tão voltados para suas próprias vidas que, ao longo dos anos, deixaram escapar suas amizades de ouro. O arrependimento por não terem dedicado tempo e atenção às amizades é profundo e desolador, quando se ouve o lamento “gostaria de ter ficado mais tempo com os meus amigos”.
Mas até chegarem às suas últimas semanas de vida ainda não percebiam o valor dos velhos amigos. “Todo mundo sente falta dos amigos quando está morrendo", garante Bronnie, “E nem sempre era possível rastrear velhos amigos perdidos.” 
“Gostaria de ter me permitido ser mais feliz” foi o quinto lamento mais ouvido. “Só no fim da vida é que as pessoas percebem que a felicidade é uma escolha”, diz Bronnie. O apego a velhos hábitos, a coisas conhecidas, e o medo da mudança fizeram com que fingissem, para os outros e para si mesmos, que estavam contentes, mas no fundo ansiavam rir de verdade e usufruir de novo das boas coisas da vida. 
Ninguém lamenta a perda de poder, fortuna e beleza, que, em vida, fascinam. Nem o medo do que virá. Não se trata de livro de autoajuda, para enriquecer a enfermeira. Bronnie Ware não quis nos afligir com situações mórbidas, arrolar a dor da agonia, ou assustar com o transe que vamos encarar um dia. As últimas palavras revelam o que se sente na partida, mas também sugere “as cinco atitudes que podem aliviar os lamentos do desenlace”. Ou melhor: “Não diga que não avisei!”

17/02/12

BOM CARNAVAL!

"Naquele carnaval, pois, pela primeira vez na vida eu teria o que sempre quisera: ia ser outra que não eu mesma." Clarice Lispector

É O QUE DESEJO A TODOS NÓS!
Carnaval é o período em que muuuiiitas pessoas festejam no seu mundo com a fantasia de que estão em outro. FAZ PARTE, NÉ? POR ISSO Q NESSE CARNAVAL NÃO VOU ME DIVERTIR, NÃO VOU ME FANTASIAR, NÃO VOU DANÇAR, NÃO VOU RIR, NÃO VOU BEBER, NÃO VOU AMAR... SÓ VOU FALAR MENTIRA, TÁ BOM? 

16/02/12

A ciência do otimismo - Rachel Costa - ISTO É COMPORTAMENTO - N° Edição: 2203 - 27.Jan.12


A ciência do otimismo

Pesquisas mostram que 80% das pessoas têm uma tendência natural para o comportamento positivo. E que ele protege de doenças, alimenta a autoestima e até melhora relacionamentos

Rachel Costa
2012 mal começou e já carrega uma série de prognósticos preocupantes. A crise econômica mundial não deve arrefecer e, na Europa, a situação dos países da zona do euro está cada vez pior. O crescimento projetado para o Brasil é bem menor que o registrado nos últimos tempos e há até quem acredite, lançando mão de um calendário maia, que este será o derradeiro ano da nossa existência sobre o planeta. Nada animador. Apesar dos tons acinzentados dessas previsões, boa parte dos brasileiros entrou o ano imerso em boas expectativas. Basta checar os números recém-divulgados do Barômetro Global do Otimismo, uma pesquisa mundial que mede a presença desse sentimento pelo mundo, para constatar que a onda “pra frente Brasil” toma conta do País: 74% da população acredita que, sim, apesar de todas as sinalizações pessimistas, 2012 será melhor que 2011. E nem adianta evocar a crise mundial ou desfiar dados negativos da economia, pois 60% dos entrevistados estão confiantes de que os próximos 12 meses serão um período de prosperidade econômica.
De um lado a expectativa, de outro, a realidade. A aparente disparidade entre esses dois ângulos, acredite, não é um erro de cálculo. Pelo contrário, é uma elaborada estratégia do nosso cérebro para nos fazer seguir adiante. A artimanha atende pelo nome de “viés otimista” – a tendência dos nossos neurônios de pender para o otimismo ao projetar o futuro. A boa notícia é que esse modus operandi não é exclusividade de alguns poucos. Estima-se que essa seja a dinâmica cerebral de 80% das pessoas. E os impactos do otimismo, comprova a ciência, vão bem além de sonhar com um futuro melhor. Ele aumenta a autoestima, facilita os relacionamentos, movimenta a economia e faz bem à saúde.
“Estou mais madura na relação e escolhi alguém dentro do perfil que eu queria.”
OTIMISTA NO AMOR
Gisela Rao, que após dois casamentos frustrados não teve medo de encarar um novo matrimônio e se prepara para subir ao altar com Beto.
Intrigada com a tendência do cérebro humano de enxergar o amanhã como uma grande promessa, a neurocientista Tali Sharot, da University College London, no Reino Unido, dedicou-se a compreender o fenômeno e descobriu que há uma certa dose de conveniência no nosso comportamento. “Não é que não pensemos em coisas ruins para o futuro, mas sim que nossos neurônios são eficientes ao armazenar as expectativas boas, mas falham ao incorporar informações ligadas às expectativas ruins”, disse à ISTOÉ. Como resultado dessa equação desequilibrada, pendemos para o otimismo. Parece difícil acreditar? “Experimente projetar quantos anos você viverá”, provoca a cientista. “A maior parte das pessoas superestima a expectativa de vida em 20 anos ou mais” (entre os brasileiros, por exemplo, a expectativa de vida é de 73 anos). Da mesma forma, é difícil alguém se casar achando que vai se separar, embora 40% das uniões no Brasil terminem na primeira década.
Tali foi além e mapeou o que ocorria no cérebro durante a elaboração dos pensamentos positivos. Quando eles ocorrem, há uma queda na atividade do córtex pré-frontal, região responsável por monitorar a diferença entre a realidade e o que imaginamos para o futuro. Quanto maior o grau de otimismo, menor a atividade nessa área, gerando o fenômeno descrito pela pesquisadora. Tudo isso é um mecanismo de autoproteção. “Entre os animais, somos os únicos que temos a noção de finitude”, diz o neurocientista Antônio Pereira, do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. “Ter ciência dessa condição poderia nos impedir de realizar projetos futuros, em especial aqueles de longo prazo.” Assim, durante a evolução, nosso cérebro aprendeu a esperar sempre mais do amanhã. A falha desse mecanismo, para Tali, vem acompanhada dos quadros de depressão – que estariam representados justamente por aqueles 20% de pessoas em que não se observa o “viés otimista”.
Se não acreditasse que o mundo seria diferente, certamente o designer carioca Flávio Deslandes, 39 anos, teria abandonado, em 1995, o ousado projeto que lhe ocupava a cabeça: construir bicicletas de bambu. “Ouvi de professores que era loucura, que não iria dar certo”, diz. Afinal, ele havia escolhido um material tido como de segunda linha (o bambu) e um produto com pouco glamour (à época, usar bike como meio de transporte era associado à falta de dinheiro). Mesmo assim, Deslandes seguiu na empreitada e, em 2000, sua bicicleta de bambu estava à venda na Dinamarca, país onde foi morar. Desde então, a ideia vem recebendo vários prêmios de design e ganhando fama mundial como uma alternativa ecológica para o transporte. “O otimismo nos faz assumir riscos e, com isso, avançar”, avalia o psiquiatra Irismar Reis de Oliveira, da Universidade Federal da Bahia.

“Ouvi de professores que era loucura, que não iria dar certo, mas eu acreditava na ideia e resolvi tentar.”
OTIMISTA EMPREENDEDOR
Flávio Deslandes, empresário que fabrica bicicletas de bambus premiadas no mundo inteiro.

Parte dessa força motriz capaz de alterar até o funcionamento de nossos cérebros está guardada em nossos genes. Alguns deles controlam o transporte de serotonina, neurotransmissor que tem, entre outras, a função de regular o humor e o comportamento das pessoas. Já era de conhecimento dos cientistas que falhas nesse gene aumentavam as chances de depressão após eventos negativos. Um passo além, porém, foi dado por pesquisadores da Universidade de Essex, no Reino Unido, que descobriram outra alteração no mesmo gene 5-HTTLPR, que faz as pessoas enxergar melhor as coisas boas – literalmente. No experimento, 97 voluntários buscavam por um ponto em meio a imagens que podiam ter conteúdo positivo, negativo ou neutro. Quem tinha a alteração, demorava mais para encontrar o ponto nas imagens com remissão a coisas ruins e era mais rápido nas cenas positivas. “Como se tivessem uma espécie de aversão às imagens negativas”, compara Elaine Fox, coordenadora da pesquisa. Agora, os cientistas buscam outros mecanismos genéticos que expliquem por que algumas pessoas são naturalmente otimistas. “Não existe um único gene do otimismo”, afirmou Elaine à ISTOÉ. “O 5-HTTLPR é apenas um que conseguimos descrever o funcionamento.”
Enquanto esse quebra-cabeça biológico não é decifrado, outra aposta é na criação de métodos para ensinar o otimismo. O expoente dessa busca é o americano Martin Seligman, pai da psicologia positiva, disciplina criada por ele na década de 1980. Incomodado pela profusão dos estudos sobre doenças mentais na psicologia, Seligman se propôs a abandonar a patologia e pesquisar o lado bom da vida. Otimista nato, ele dedicou seus últimos 30 anos a enumerar os benefícios do comportamento positivo. Em suas pesquisas, os políticos otimistas ganham mais eleições, os estudantes otimistas têm melhores notas e os atletas otimistas vencem mais competições. E, para desespero dos pessimistas, a falta do gene do otimismo não é desculpa. É possível alterar o comportamento de uma pessoa para torná-la mais otimista, garante a psicologia positiva. “Otimismo é crer que as situações ruins são temporárias”, define Daniela Barbieri, presidente da Associação de Psicologia Positiva da América Latina. “É possível aprender a ter essa reação por meio da identificação e do monitoramento do pensamento negativo”, esclarece. A fórmula é simples. Antes de decretar que não vai dar certo, pense se não há alternativas menos aterrorizantes.
Quem é otimista faz naturalmente esse movimento. Para a maioria dos brasileiros, por exemplo, o Congresso é formado por uma corja de ladrões e a única solução seria a prisão coletiva. Essa, porém, nunca foi a solução antevista pelo publicitário mineiro Fernando Barreto, 39 anos, um otimista político de carteirinha. “Não acreditar na validade do sistema democrático é o mesmo que desistir dele”, afirma. “O que precisamos é fazê-lo evoluir e, para isso, a gente precisa acreditar nele.” Em vez de gastar o tempo falando mal dos deputados e senadores em mesas de bar, Barreto reuniu dois amigos e foi pensar ferramentas que permitissem aos cidadãos monitorar seus representantes. Na frente do computador, inventaram o Vote na Web, plataforma por meio da qual é possível acompanhar o trabalho dos legisladores – como votam e o que propõem. “Ouvimos muito a frase ‘brasileiro não gosta de política, isso não vai dar certo’”, diz. De ideia de maluco a iniciativa louvada pela Organização das Nações Unidas foram menos de três anos.

“Sem otimismo você não sobrevive ao tratamento. Ele é doloroso e exige muito.”

OTIMISTA NA DOENÇA
Carla Mannino, que passou por dois anos de quimioterapia e radioterapia para tratar um câncer de mama diagnosticado em 2006.


Se o otimismo de uma pessoa ou de um pequeno grupo já é capaz de gerar iniciativas interessantes, como é o caso do Vote na Web, o que não dizer do comportamento positivo generalizado? Quando centenas, milhares de pessoas acreditam que algo vai dar certo, dá certo? A resposta, de acordo com um grupo de pesquisadores da Universidade de Miami, nos Estados Unidos, é sim. Para chegar a essa conclusão, eles realizaram um estudo pioneiro em que cruzaram índices de recuperação econômica e otimismo da população nos Estados Unidos. Quando havia mais otimismo, a recuperação acontecia de forma mais rápida. “O resultado nos surpreendeu. Estamos planejando agora um estudo para avaliar se o mesmo mecanismo pode ser aplicado às empresas”, disse à ISTOÉ Alok Kumar, coordenador do trabalho. Laure Castelnau, diretora-executiva de marketing e novos negócios do Ibope Inteligência – responsável por levantar os dados brasileiros para o Barômetro Global do Otimismo –, explica que esse é o motivo do interesse em se medir o otimismo da população. “É uma medição da expectativa. Ele mostra o que as pessoas esperam em relação aos preços, à educação e ao crescimento econômico”, diz.
Um bom exemplo de aposta no otimismo coletivo é o Fórum Social Mundial. Nascido em solo brasileiro, na cidade de Porto Alegre, em 2000, desde então, o evento reúne, anualmente, milhares de manifestantes embalados pelo lema de que “um outro mundo é possível” para debater propostas relacionadas ao bem coletivo. Um dos criadores do modelo é o político e ativista Chico Whitaker, 80 anos, “um otimista social”, como ele mesmo gosta de se definir. O conceito, explica, usa em contrapartida ao otimista individual. Enquanto este se move pela confiança em si e pela ambição, aquele tira forças da confiança no outro e da esperança. “Não é uma visão Poliana”, faz questão de justificar, numa analogia à personagem da literatura juvenil imortalizada pelo “jogo do contente” (estratégia por ela inventada para sempre ver o lado bom das situações ruins). “Mudar o mundo é ‘dificilérrimo’, mas, apesar disso, é preciso continuar.” Pode parecer utópico, mas, se a ciência mostrou a influência do otimismo de um povo na recuperação econômica de um país, por que esse mesmo fator não poderia impactar na desigualdade social?
E não é só fora de casa que o clima otimista ajuda. Entre quatro paredes, pensar positivo também traz ganhos. Para o psicólogo Tal Ben-Shahar, que se tornou famoso por lotar salas de aula na Universidade Harvard (EUA) para ensinar psicologia positiva, o otimista faz bem ao seu entorno. “Para o otimista, estar em uma relação é uma forma de se sentir mais forte diante dos problemas”, disse Ben-Shahar à ISTOÉ. Enxergando o companheiro como aliado, e não como inimigo, a situação doméstica fica harmoniosa. “O otimista dá mais apoio ao companheiro e isso ajuda a resolver os conflitos de um modo mais construtivo e menos violento”, disse à ISTOÉ Sanjay Srivastava, pesquisador do laboratório de personalidade e dinâmica social da Universidade de Oregon, nos Estados Unidos. Isso não necessariamente os faz se divorciar menos, mas encarar com desenvoltura novas relações.

“O que precisamos é fazer o sistema democrático evoluir e, para isso, a gente deve acreditar nele, não desistir nunca.”
OTIMISTA POLÍTICO
Fernando Barreto, publicitário que, com amigos, resolveu criar uma ferramenta para acompanhar o trabalho dos congressistas.

Que o diga a blogueira e escritora paulista Gisela Rao, 47 anos. Feliz como se fosse subir ao altar pela primeira vez, ela se prepara para consumar o terceiro casamento, em março, com o representante comercial Beto Lima, 33 anos. “É diferente, estou mais madura na relação”, diz. Desta vez, garante, o futuro marido é “do seu número”. “Escolhi alguém dentro do perfil que eu queria. Nos outros casamentos não tinha essa mesma clareza.” Após ouvir uma entrevista de Gisela sobre seu livro “Não Comi, não Rezei, mas me Amei” (Editora Matrix), Lima resolveu procurá-la. Foi amor à primeira vista. Em três meses estavam noivos e de casamento marcado. Os fantasmas dos relacionamentos passados, garante a escritora, não assombram a felicidade que transborda do casal atualmente.
Não só metaforicamente o otimismo faz bem ao coração. Está comprovado: acreditar no amanhã protege de doenças cardiovasculares. Em um estudo feito pela Universidade de Michigan (EUA), um ponto a mais de otimismo, em uma escala que variava de zero a 16, representava 9% a menos de chance de ter um infarto. Quem é mais otimista abraça de forma mais contundente suas obrigações de paciente. Toma a medicação de forma controlada e adere às dietas alimentares sem reclamar. Além do sistema cardiovascular, a imunidade também melhora. “Avaliando um grupo de 124 estudantes, observamos que, quando estavam mais otimistas que o usual, o sistema imunológico respondia de forma mais consistente”, explicou à ISTOÉ a cientista Suzanne Segerstrom, da Universidade de Kentucky, nos Estados Unidos.

“Mudar o mundo é ‘dificilérrimo’, mas, apesar disso, é preciso continuar.”
OTIMISTA SOCIAL.
Chico Whitaker, um dos fundadores do Fórum  Social Mundial, acredita que é possível melhorar a sociedade.

Por isso muitas equipes de saúde focam seus trabalhos em fazer com que os pacientes de enfermidades graves enfrentem com otimismo os tratamentos aos quais devem se submeter. “Os estudos apontam para uma relação entre estresse, depressão e progressão da doença”, diz Carla Mannino, especialista em psico-oncologia da CliniOnco, em Porto Alegre. Foi com lenços na cabeça, orações e esperança que a aposentada gaúcha Mara Fátima Parassolo, 56 anos, superou os quase dois anos de radioterapia e quimioterapia para extirpar um câncer de mama. Ela recebeu o diagnóstico no dia 4 de julho de 2006. “Na hora desabei, mas no dia seguinte percebi que eu precisava me erguer e partir para a segunda etapa, que era me tratar.” Quando soube que teria de fazer uma quimioterapia “daquelas que o cabelo cai”, não titubeou. Foi ao salão e passou máquina zero na mesma hora. “Sem otimismo você não sobrevive ao tratamento. Ele é doloroso e exige muito do paciente.”
Como tudo na vida, todavia, excesso de otimismo também faz mal. É inegável que na sociedade contemporânea há uma pressão social muitas vezes exacerbada exigindo que as pessoas enxerguem sempre o lado bom da vida, sejam felizes e não sofram. “No esforço de evitar o sofrimento o ser humano já fez muita tolice”, alerta o filósofo Paulo Vaz, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O risco de se tornar um otimista patológico é superestimar as expectativas positivas. A economista Manju Puri, da Universidade de Duke, nos Estados Unidos, afirma que a falta de avaliação de riscos deixa essas pessoas muito expostas. “Quem tem esse perfil pensa que não é preciso poupar dinheiro e que a economia vai sempre estar melhor”, afirma. O resultado disso é que, por excesso de confiança, a pessoa não se previne. “O pessimismo também tem seus benefícios, ele nos protege de desapontamentos”, avalia a psicóloga Kate Sweeny, da Universidade da Califórnia (EUA), autora de um artigo em que defende o comedimento nas doses diárias de otimismo. Por isso, acredite no otimismo. Mas, como tudo na vida, use com moderação.



14/02/12

MUDAR DE CASA - DESCONHEÇO AUTORIA

RECEBI DA MINHA CUNHADA RIZA E TB DA COMADRE GISLANE. BACANA E POR ISSO, DEVIDAMENTE POSTADO... 
 
Chega um tempo na vida da gente que sentimos a necessidade de mudar, seja de casa ou de nós mesmos.
Largar coisas muito enraizadas e profundas, mas que já não servem mais. Então surge a idéia de olhar casas novas, em todos os sentidos! Quem sabe algumas em ruas estreitas que precisamos percorrer, ou outras que fiquem em ladeiras bem íngremes, para desenvolver a nossa força. Ou quem sabe simplificar, resgatar o velho e criar um novo lugar!
Ou talvez procurar uma nova casa, que tenha muita água por perto, para amolecer a nossa argila, que são as nossas crenças…
Muitas vezes não é necessário trocar de casa, mas olhar com outros olhos para dentro dela. Quem sabe, olhando melhor, possamos visualizar um rio com águas transparentes, que tem a capacidade de levar embora as preocupações que não precisamos mais! Ou ainda que reflitam o nosso interior!
E se ainda pudermos ir para perto do mar, que maravilha! Quantos ensinamentos ele tem para nos dar, basta se aquietar e observar! Lugares que tenham água por perto, ajudam a amolecer a terra seca, que são iguais a nossa dureza, rigidez e incompreensão. Olhar através de arcos, resulta em enxergar aquilo que realmente precisamos ver!
Começamos a entender que a casa é a nossa morada, somos responsáveis por ela. Podemos dar  cor ou não, mas o colorido exige mais cuidado.
Observar se não estamos construindo muros muito fechados em volta da nossa casa. Muros separam, pontes ligam, aproximam. Através das pontes podemos ver o outro lado. Conhecer o outro lado muda a nossa percepção, nos transforma. Começamos a ter uma nova visão! E com a nova visão, fica mais fácil pensar na nova construção ou reforma!Precisamos nos aproximar mais das pessoas? Por acaso nos isolamos demais? Ou precisamos nos aquietar mais? Quem sabe um lugar mais alegre? Ou precisamos caminhar silenciosamente por ruas desconhecidas?
Olhar para nossa casa requer coragem e força… É enxergar o que precisa ser mudado ou desapegar do velho! É olhar fundo. E quando o desapego acontece, ele nos leva em situações caóticas, mais valiosas! Neste momento surge uma confusão de cores e caminhos! É a reforma. Muitas vezes surgem o frio e o escuro, mas como tudo passa, sempre vem o novo dia para clarear!
Toda reforma ou mudança traz “caos”! Mas precisamos lembrar que vale a pena, o resultado chega! Se a angústia bate à porta é hora de abrir e atender! Ela vem avisar que alguma coisa precisa mudar!
Quem sabe uma pausa para refletir sobre tudo isso!
Olhar para o rio e perceber que ele corre sozinho e  tem seu tempo. Faz seu curso e segue livre, a cada lugar que o rio passa, ele vê novas paisagens, e nós queremos nos fixar! Permanecer!
É hora de recomeçar, mudar de casa ou reformar! Assumir responsabilidades, ser dono delas! 
Com certeza não é fácil, mas vale a pena…

13/02/12

ORAÇÃO DO PERDÃO HUNA

LINDÍSSIMA ESSA ORAÇÃO!
Recebi de uma amiga muito querida, ANA PITCHON, que tb recebeu de uma amiga, achou belíssima e me enviou dizendo que "o perdão é um dos maiores benefícios que podemos fazer por nós mesmas. Sem esquecer que perdoar a si mesma é tão importante quanto perdoar ao próximo". CONCORDEI, GOSTEI E POSTEI!

ORAÇÃO DO PERDÃO HUNA - Huno - Sistema Psicofilosófico de Antigos Povos da Polinésia.

Buscando eliminar todos os bloqueios que atrapalham minha evolução, dedicarei alguns minutos para perdoar. A partir deste momento, eu perdôo todas as pessoas que de alguma forma me ofenderam, injuriaram, me prejudicaram ou me causaram dificuldades desnecessárias. Perdôo, sinceramente, quem me rejeitou, me odiou, me abandonou, me traiu, me ridicularizou, me humilhou, me amedrontou, me iludiu.
Perdôo, especialmente, quem me provocou até que eu perdesse a paciência e reagisse violentamente, para depois me fazer sentir vergonha, remorso e culpa inadequada. Reconheço que também fui responsável pelas agressões que recebi, pois várias vezes confiei em indivíduos negativos, permiti que me fizessem de bobo e descarregassem sobre mim seu mau caráter. Por longos anos suportei maus tratos, humilhações, perdendo tempo e energia, na tentativa inútil de conseguir um bom relacionamento com essas criaturas. Já estou livre da necessidade compulsiva de sofrer e livre da obrigação de conviver com indivíduos e ambientes tóxicos. Iniciei agora, uma nova etapa de minha vida, em companhia de gente amiga, sadia e competente: queremos compartilhar sentimentos nobres, enquanto trabalhamos pelo progresso de todos nós.
Jamais voltarei a me queixar, falando sobre mágoas e pessoas negativas. Se por acaso pensar nelas, lembrarei que já estão perdoadas e descartadas de minha vida íntima definitivamente. Agradeço pelas dificuldades que essas pessoas me causaram, pois isso me ajudou a evoluir, do nível humano comum ao nível espiritualizado em que estou agora.
Quando me lembrar das pessoas que me fizeram sofrer, procurarei valorizar suas boas qualidades e pedirei ao Criador que as perdoe também, evitando que elas sejam castigadas pela lei da causa e efeito, nesta vida ou em futuras. Dou razão a todas as pessoas que rejeitaram o meu amor e minhas boas intenções, pois reconheço que é um direito que assiste a cada um me repelir, não me corresponder e me afastar de suas vidas. 

(Fazer uma pausa, respirar profundamente algumas vezes, para acúmulo de energia). 

Agora, sinceramente, peço perdão a todas as pessoas, a quem, de alguma forma, consciente e inconscientemente, eu ofendi, injuriei, prejudiquei, ou desagradei. Analisando e fazendo julgamento de tudo que realizei ao longo de toda a minha vida, vejo que o valor das minhas boas ações é suficiente para pagar todas as minhas dívidas e resgatar todas as minhas culpas, deixando um saldo positivo a meu favor.
Sinto-me em paz com minha consciência e, de cabeça erguida, respiro profundamente, prendo o ar e me concentro para enviar uma corrente de energia destinada ao Eu Superior. Ao relaxar, minhas sensações revelam que este contato foi estabelecido.
Agora dirijo uma mensagem de fé ao meu Eu Superior, pedindo orientação, proteção e ajuda, para a realização, em ritmo acelerado, de um projeto muito importante que estou mentalizando e para o qual já estou trabalhando com dedicação e amor.
Agradeço de todo o coração, a todas as pessoas que me ajudaram e comprometo-me a retribuir trabalhando para o bem do próximo, atuando como agente catalisador do entusiasmo, prosperidade e auto-realização. Tudo farei em harmonia com as leis da natureza e com a permissão do nosso Criador, eterno, infinito, indescritível que eu, intuitivamente sinto como o único poder real, atuante dentro e fora de mim.
 Assim seja, assim é e assim será. 

06/02/12

SONHAR É PRECISO - POR ANGÉLICA FALCI


Todo final de ano é sempre a mesma coisa. Nós desaceleramos um pouco e realizamos avaliações sobre o andamento da nossa vida. Um momento em que as pessoas definem o que querem fazer e o que querem deixar para trás. Muitos desejam um novo emprego, encontrar um verdadeiro amor, ter filhos, comprar a casa ou o carro dos sonhos, perder peso, parar de fumar, ser uma pessoa mais altruísta etc. Mas, infelizmente, a maioria dessas definições acabam desaparecendo nos primeiros meses do novo ano. Algumas se dissipam como a fumaça dos fogos de artifício ou como a espuma borbulhante dos champagnes. Sabe por que isto acontece? Porque muitas pessoas definem metas pautadas em fantasias e não em sonhos.
Para entender melhor o que escrevo, vou relatar a diferenciação entre sonhos e fantasias: os dois estão separados por uma preciosa e, muitas vezes, ignorada linha chamada realidade. Os sonhos nos movem pela vida a fora e são eles que nos impulsionam a atingir nossas valorosas metas, alimentam o espírito e nos dão estímulos para vivermos com mais positividade. Mas, quando estão alienados da realidade e do que concretamente podemos realizar, tornam-se fantasias e, como tais, minam nossos pensamentos e atitudes comportamentais, enfraquecem nossa visão da vida e se transformam em uma tortuosa e contínua fonte de sofrimento.
De acordo com o escritor George Santayana, “a vida desperta é como um sonho sob controle”. Crescer e amadurecer tem a ver com sonhos, não com fantasias. Se você ainda se encontra preso às metas ou aspirações infantis, ao poder ilimitável do basta querer, se ainda insiste em ter devaneios como um meio de fugir das frustrações, se não aceita que muitos desejos não se realizarão pelo menos do modo como imaginou, você vive mais tempo em um mundo de fantasias. Neste mundo posso ser e ter o que quiser, mas em algum momento preciso voltar à realidade e às responsabilidades. É justamente nesta linha tênue que se instalam os mais severos transtornos mentais, quando as pessoas rompem com a realidade e não conseguem mais retornar ao mundo real.
Mas, para a maioria de nós, sabe- se que é inevitável o contato com a realidade, a vida sempre nos colocará para realizar esse valioso teste, sendo o primeiro deles aprender a lidar com as frustrações, aceitar que só desejar não realiza o que se quer.
O passo essencial é aprender a construir objetivos possíveis, assumir compromissos mais concretos com suas habilidades e respeitar as próprias limitações. Depois, definir suas metas e começar a trabalhar em direção àquilo que você tanto sonha.
Estabeleça prazos, avalie sua atual situação e se faça várias perguntas do tipo: “Onde quero chegar?”, “O que eu quero da vida quando chegar na idade X?”, “Como me sentirei alcançando tal objetivo?”. É muito importante você saber onde está, onde quer chegar e, principalmente, avaliar quais ferramentas possui e quais serão aquelas a aprimorar. É necessário compreender se a sua meta está no tamanho proporcional à sua realidade, ou seja, melhor definir metas que sejam alcançáveis, que dependam do seu esforço.
Quem sonha tem esperança, não se torna um alienado. Quem sonha quer se desenvolver, aprender realmente a ser feliz, e sabe que isso inclui não ficar esperando recompensas por desapontamentos ou perdas do passado. Em resumo: quem sonha cresce a vida inteira, já quem fantasia vai morrendo a cada instante. 

Um novo ano com muitos sonhos concretizados!

01/02/12

Ser ou não ser de ninguém? Eis a questão da geração tribalista - Por Mônica Montone


Na hora de cantar todo mundo enche o peito nas boates, levanta os braços, sorri e dispara: "eu sou de ninguém, eu sou de todo mundo e todo mundo é meu também". No entanto, passado o efeito do uísque com energético e dos beijos descompromissados, os adeptos da geração "tribalista" se dirigem aos consultórios terapêuticos, ou alugam os ouvidos do amigo mais próximo para reclamar de solidão, ausência de interesse das pessoas, descaso e rejeição. A maioria não quer ser de ninguém, mas quer que alguém seja seu.
Beijar na boca é bom? Claro que é! Manter-se sem compromisso, viver rodeado de amigos em baladas animadíssimas é legal? Evidente que sim. Mas por que reclamam depois? Será que os grupos tribalistas se esqueceram da velha lição ensinada no colégio, de que "toda ação tem uma reação"? Agir como tribalista tem conseqüências, boas e ruins, como tudo na vida. Não dá, infelizmente, para ficar somente com a cereja do bolo - beijar de língua, namorar e não ser de ninguém. Para comer a cereja é preciso comer o bolo todo e nele, os ingredientes vão além do descompromisso, como: não receber o famoso telefonema no dia seguinte, não saber se está namorando mesmo depois de sair um mês com a mesma pessoa, não se importar se o outro estiver beijando outra, etc, etc, etc.
Embora já saibam namorar, "os tribalistas" não namoram. Ficar também é coisa do passado. A palavra de ordem hoje é "namorix". A pessoa pode ter um, dois e até três namorix ao mesmo tempo. Dificilmente está apaixonada por seus namorix, mas gosta da companhia do outro e de cultivar a ilusão de que não está sozinho. Nessa nova modalidade de relacionamento, ninguém pode se queixar de nada. Caso uma das partes se ausente durante uma semana, a outra deve fingir que nada aconteceu - afinal, não estão namorando. Aliás, quando foi que se estabeleceu que namoro é sinônimo de cobrança?
A nova geração prega liberdade, mas acaba tendo visões unilaterais. Assim como só deseja "a cereja do bolo tribal", enxerga apenas o lado negativo das relações mais sólidas. Desconhece a delícia de assistir um filme debaixo das cobertas num dia chuvoso comendo pipoca com chocolate quente, o prazer de dormir junto abraçado roçando os pés sob as cobertas e a troca de cumplicidade, carinho e amor. Namorar é algo que vai muito além das cobranças. É cuidar do outro e ser cuidado por ele, é telefonar só para dizer boa noite, ter uma boa companhia para ir ao cinema de mãos dadas, transar por amor, ter alguém para fazer e receber cafuné, um colo para chorar, uma mão para enxugar lágrimas, enfim, é ter alguém para amar.
Já dizia o poeta Carlos Drummond de Andrade que "amar se aprende amando" e se seguirmos seu raciocínio, esbarraremos na lição que nos foi transmitida nas décadas passadas: relação é sinônimo de desilusão. O número avassalador de divórcios nos últimos tempos, só veio confirmar essa tese e aqueles que se divorciaram (pais e mães dos adeptos do tribalismo) vendem (na maioria das vezes) a idéia de que casar é um péssimo negócio e que uma relação sólida é sinônimo de frustrações futuras. Talvez seja por isso que pronunciar a palavra "namoro" traga tanto medo e rejeição. No entanto, vivemos em uma época muito diferente daquela em que nossos pais viveram. Hoje podemos optar com maior liberdade e não somos mais obrigados a "comer sal junto até morrer". Não se trata de responsabilizar pais e mães, ou atribuir um significado latente aos acontecimentos vividos e assimilados na infância, pois somos responsáveis por nossas escolhas, assim como o que fazemos com as lições que nos chegam. A questão não é causal, mas quem sabe correlacional.
Podemos aprender amar se relacionando. Trocando experiências, afetos, conflitos e sensações. Não precisamos amar sob os conceitos que nos foram passados. Somos livres para optar. E ser livre não é beijar na boca e não ser de ninguém. É ter coragem, ser autêntico e se permitir viver um sentimento... É arriscar, pagar para ver e correr atrás da felicidade. É doar e receber, é estar disponível de alma, para que as surpresas da vida possam aparecer. É compartilhar momentos de alegria e buscar tirar proveito até mesmo das coisas ruins.
Ser de todo mundo, não ser de ninguém é o mesmo que não ter ninguém também... É não ser livre para trocar e crescer... É estar fadado ao fracasso emocional e à tão temida solidão.
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Esse texto tem sido atribuído a Arnaldo Jabor (como muitos outros), mas é de Mônica Montone.

FILHO É PARA QUEM PODE - Mônica Montone


Filho é para quem pode!
Eu, não posso! Apesar de ser biologicamente saudável.
Não posso porque desconheço o poço sem fundo das minhas vontades, porque às vezes sou meio dona da verdade e porque não acredito que um filho há de me resgatar daquilo que não entendo ou aceito em mim.
Acredito que a convivência é um exercício que nos eleva e nos torna melhores, mas, esperar que um filho reflita a imagem que sonhamos ter é no mínimo crueldade.
Não há garantias de amor eterno e o olhar de um filho não é um vestido de seda azul ou um terno com corte ideal. Gerar um fruto com o único intuito de ser perfumada por ele no futuro é praticamente assinar uma sentença de sal.
Filhos não são pílulas contra a monotonia, pílulas da salvação de uma vida vazia e sem sentido, pílula “trago seu marido de volta em 9 meses”.
Penso que antes de cogitar a hipótese de engravidar, toda mulher deveria se perguntar: eu sou capaz de aceitar que apesar de dar a luz a um ser ele não será um pedaço de mim e portanto não deverá ser igual a mim? Eu sou capaz de me fazer feliz sem que alguém esteja ao meu lado? Eu sou capaz de abrir mão de determinadas coisas em minha vida sem depois cobrar? Eu sou capaz de dizer “não”? Eu quero, mesmo, ter um filho, ou simplesmente aprendi que é para isso que nascemos: para constituir uma família?
Muitas das pessoas que conheço estão neurotizadas por conta de suas relações com as mães. Em geral, são mães carentes que exigem afeto e demonstração de amor integral para se sentirem bem e, quando não recebem, martirizam os filhos com chantagens, críticas e cobranças.
As mães podem ser um céu de brigadeiro ou um inferno de sal. Elas podem adoçar a vida dos filhos ou transformar essas vidas numa batalha diária cheia de lágrimas, culpas e opressões.
Eu, por exemplo, não consigo ser um céu de brigadeiro nem para mim mesma, quiçá para uma pessoinha que vai me tirar o juízo madrugadas adentro e, honestamente, acho injusto colocar uma criança no mundo já com essa missão no lombo: fazer a mamãe crescer.
Dar a luz a um bebê é fácil, difícil é ser mãe da própria vida e iluminar as próprias escuridões.
Autora do livro: "Mulher de Minutos"
Primeiro ela criticou o hábito de sua geração de beijar qualquer pessoa em baladas e teve seu texto Ser ou não ser de ninguém, eis a questão da geração tribalista, divulgado na Internet como sendo do Jabor. Depois vociferou em recitais de poesia do Rio de Janeiro que “tem pena das mulheres que não gozam” em seu poema Tenho pena. Em seguida chocou algumas pessoas ao declarar que não quer ter filho na crônica Filho é para quem pode, publicada pela Revista O Globo do jornal O Globo - polêmica que a levou a falar sobre o assunto nos programas Sem Censura, Fantástico e Happy Hour.