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30/03/12

O poder de não saber - Por Sylvio Ribeiro



Eu desejo chegar aos 50 com a mesma sensação que tenho hoje: a de que não sei nada. Tenho a certeza que já vivi aos 26 mais do que muitas pessoas de 30 e de que li mais livros do que vários executivos de 40. Mas eles não são parâmetros para mim, não é onde eu almejo chegar. Não importa o quanto me esforce, eu provavelmente nunca terei a metade do conhecimento de um Albert Eistein, Philip Kotler ou Leo Tolstói. Mesmo assim, os tenho como referências. O importante é a jornada, não a chegada. Essas “divindades do conhecimento” seguiram um princípio que é a base da vida: a de que sempre tem algo novo a aprender.
Pessoas mais velhas transmitem credibilidade. Pessoas mais novas transmitem inocência — e no caso de empresas, incompetência. Quando as pessoas mais velhas não abrem mão dessa inocência, elas se tornam grandes profissionais, grandes pais, mães e seres humanos exemplares. A única coisa mais chata que a prepotência de um homem de 40, é a de um homem de 25. Considerada uma das principais receitas do sucesso,  é preciso cercar-se de pessoas que lhe ensinem algo a cada dia, pessoas melhores e mais experientes que você; o que na maioria dos casos significa que elas serão mais velhas. No entanto, isso não é regra. Você pode aprender tanto com um colega talentoso como com um chefe experiente.
Pessoas que pararam de aprender não têm o direito de ensinar, não que elas não saibam nada, mas porque não são um bom exemplo. Os melhores professores, gurus e pesquisadores do mundo são “velhos” (sem ofensas) não por causa da idade, da experiência natural da vida, mas porque eles nunca pararam de absorver conhecimento, descobrir coisas novas e questionar paradigmas. Quando você achar alguém assim, não saia de perto.
Sede por conhecimento costuma ser um traço da personalidade — como uma criança curiosa que pergunta tudo e abre uma empresa chamada Microsoft –, mas que geralmente é impulsionado por um propósito: passar em uma grande universidade, obter o diploma, conseguir um emprego, tornar-se um executivo…  Muitas pessoas estariam satisfeitas ao chegarem aqui. Quando  isso acontece, a maioria assume que já sabe o suficiente, que é hora de ensinar.  E aí voltamos para a questão de personalidade. Ser um eterno aprendiz tem mais a ver com a sua visão de mundo do que um objetivo de vida.
Pergunte para um pai ou uma mãe o que seus filhos lhe ensinaram. Independente da idade, as crianças estão sempre nos ensinando algo. Não existe hora de aprender ou de ensinar, é tudo uma coisa só. E o barato da vida é esse, você pode tanto ensinar aos 16 como aprender aos 52.
Quanto mais cedo você assumir que não sabe nada sobre quase nada, melhor para você. Mantenha a inocência de uma criança e o empenho de um estagiário, dê importância para o conteúdo em vez da idade ou posição. Isso parece papo de livro de auto-ajuda barato, mas olhe para os maiores profissionais da sua área, as pessoas que inspiram você (exceto sua família) e você verá que embora fossem grandes, consideravam-se pequenos.

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