Número total de visualizações de página

10/12/10

Quem não se ama não pode amar o outro - Luiz Alberto Py

Quem não se ama não pode amar o outro. Cuide de sua autoestima

O processo de educação muitas vezes condiciona o amor que temos por nós ao sucesso que obtemos e nos impede de nos querermos bem apenas por aquilo que somos. Precisamos lançar mão da tolerância para recuperar a nossa autoestima e, com ela, a capacidade de amar — o que exige ainda mais tolerância, pelo fato de o outro também não ser perfeito.

Para ser saudável, toda relação de amor começa pela autoestima. Se você não se ama, como poderá amar outra pessoa? Sabemos que não se encontra autoestima na farmácia para comprar, mas é muito importante que fiquemos atentos para a importância de desenvolvê-la, pois ela pode ser desenvolvida, assim como a capacidade de amar. De posse desses dois requisitos, fica bem mais fácil atingir nossos objetivos e lutar para obtermos melhores resultados em nossa vida, principalmente no sentido de sermos mais felizes.
O amor é um sentimento natural e amar uma pessoa, uma construção íntima. Quando desenvolvemos amor por alguém, tal situação envolve um desejo de nossa parte e uma aceitação desse desejo. É um processo que envolve todo o nosso ser: nossos sentimentos mais primitivos, nossos instintos e até nossa razão mais sofisticada. E inclui também nosso corpo. Amar uma pessoa é um envolvimento de corpo e alma.
Além disso, trata-se de um processo contínuo e progressivo, que evolui e pode aumentar de intensidade ou desaparecer. Tal evolução depende da autoestima de cada um. A autoestima é o fator fundamental para alicerçar a capacidade de amar e que permite tornar uma união amorosa sólida e duradoura.
Todos os animais possuem sólida autoestima. Então, por que o ser humano é diferente? Simplesmente porque, ao longo do processo de educação, a criança vai sendo cobrada a se disciplinar. Tal cobrança é sentida como se fosse falta de amor dos pais. A criança passa a sentir que só terá amor se tiver sucesso. Como o aprendizado se dá pela imitação do comportamento dos adultos, ela começa a também se cobrar e a sentir que o amor por si mesma está igualmente condicionado a sucessos e aplausos. Aos poucos, sua autoestima vai sendo corroída pelas exigências que aprende a se fazer, seu apreço por si só aparece quando conquista os resultados que lhe são exigidos.
Para mudar a situação de baixa autoestima, o melhor instrumento de que dispomos é a tolerância, que nos é ensinada pelo amor. Ela nos ajuda a lidar com os erros. Recuperar a autoestima exige que se desmistifique os falsos valores aprendidos que nos impõem o sucesso como condição para gostarmos de nós mesmos. É preciso atenção e paciência para, aos poucos, reaver a capacidade de nos querermos bem, independentemente de quem somos.
Quando aceitamos a ideia de desenvolver uma capacidade para tolerar nossos erros percebemos que essa atitude reforça a autoestima, a qual, por sua vez, contribui para aumentar tolerância, gerando um círculo virtuoso que melhora de modo contínuo a relação que temos conosco. Assim agindo, revigoramos o amor próprio.
Dentro de uma relação, a tolerância também funciona como estímulo para a evolução. Se somos tolerantes com os erros do outro, o ajudamos a melhorar sua autoestima e isso se reflete na relação. É preciso, porém, distinguir a generosidade do perdão e da tolerância de uma complacência vazia e covarde, que tudo aceita sem nada questionar. Importa separar o joio do trigo, ou seja, o erro repetido e estagnado, do erro cometido em busca do acerto, a partir do qual se desenvolve um processo de crescimento que permite que o amor floresça.
(*) Luiz Alberto Py (70) é médico psiquiatra e psicanalista. Clinica no Rio de Janeiro e faz palestras por todo o Brasil. Publicou, entre outros livros, Olhar Acima do Horizonte, A Felicidade É Aqui, Saber Amar e acaba de publicar, pela Editora Rocco, Amor e Superação - Como Enfrentar Perdas e Viver Lutos. Blog: http://doutorpy.blogspot.com/

Sem comentários:

Enviar um comentário