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23/12/10

A LITERATURA DA VIDA - Tânia Caminha O'Grady Felipe

Artigo publicado na última Revista AMAE EDUCANDO desse ano: nov. 2010 - Revista 376.
 
 

A LITERATURA DA VIDA


        A literatura é uma arte – a arte da palavra escrita – fruto da sensibilidade e inteligência humanas, com várias funções específicas, entre elas a de comprometer, engajar o autor e o leitor com a realidade, o mundo e o momento em que vivem.
        A vida também é uma arte, a arte do aprendizado constante na luta pela subsistência, na troca de experiências do convívio humano e no desejo incessante para que ela seja cada vez mais digna e melhor para todos.
        Vivemos numa busca contínua de uma cultura de paz,  justiça, beleza e perfeição. Fomos criados para isso e mesmo que estejamos atolados nas incompreensões e injustiças, um ímã poderoso nos atrai para o alto. Algumas vezes somos amarrados a coisas passageiras em nossa batalha diária,  podados em nossos ideais, e nossas asas, feitas para o vôo sem limites, permitimos que sejam cortadas.
        É necessário construir novas pontes, inventar trampolins, providenciar viadutos, o importante é sempre fazer uso da criatividade para vencer os desafios. Afinal, o aprendizado não pode estacionar.
        Está dentro de cada um o segredo da conquista, aliás, todas as respostas estão em nós mesmos. Descobri-las? Por que não? Só precisamos de ousadia e coragem para empreender essa viagem.
        Penso que devemos viver a realidade com os pés no chão, mas também por que de vez em quando não caminhar entre as estrelas?
        Sonhar é a catarse do espírito. Viver não é só lutar. Alimentar sonhos, acariciar crianças, conversar com as flores também é permitido. Se vivermos apenas para trabalhar, ter, calcular, gastar, possuir...onde estará a verdadeira alegria?
        Fazer de nossas vidas um poema, de versos livres ou metrificados, bordados de ternura ou de lágrimas, criar rimas ricas ou simplesmente viver sob o signo da imaginação, porém a última estrofe deve ser sublime, deve ser a “chave de ouro” dos sonetos clássicos.
        Se pensarmos nisso, concluiremos que, realmente, nossa vida se assemelha a um livro cuja história cada um escreve como quer, dentro do gênero a que melhor se adapta: o lírico, o épico ou o dramático, porque o estilo é individual e o enredo, único. Poderemos escrever em momentos de inspiração ou monotonia, com o desfecho mais ou menos previsível, porém o  parágrafo final estará fora de nosso alcance. Deus o escreverá com o nosso auxílio, é verdade, pois Ele respeita nosso livre arbítrio, mas o momento do ponto final será por Ele determinado.
        Haverá alguém para comentar a nossa história após a sua leitura?
        Se a nossa literatura for de boa qualidade, valerá a pena ter vivido...
        Fica aqui registrado o meu desejo de que cada um de nós, educadores em potencial, possamos dar asas a nossa imaginação, deixando que a criatividade extrapole nossas páginas, aproveitando bem nosso espaço, nos permitindo ser ante o ter e revelando habilidades, dons e talentos aonde quer que possamos estar!
       
Tânia Caminha O’Grady Felipe
(Psicopedagoga, especialista em Relações Humanas e Dinâmicas Grupais).

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