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05/11/10

QUEM SABE NÃO PERDOA (Santiago Arguello)

MARAVILHOSA CONTRIBUIÇÃO DA MINHA QUERIDA AMIGA CLÁUDIA SABINO, OU SIMPLESMENTE, CACÁ.  E SE AMEI, LOGO POSTEI. SAUDADES!  BJO MEU.

O homem aproximou-se do espinheiro.   Ergueu a mão para tocá-lo e um "ai!" de dor brotou de seus lábios.Um rubi de sangue brilhou no seu dedo. O homem limpou o sangue e disse fitando o espinheiro:           
- Eu te perdôo!            
Admirei e louvei dentro de mim aquele  homem que possuía o doce dom de perdoar. E aconteceu que veio outro homem. Parou junto ao espinheiro, ergueu a mão para tocá-lo, e o espinho o picou. Mas o homem limpou em silêncio a ferida, contemplou com amor o espinheiro, e não disse "Eu te perdôo!". Tive, então, este pensamento: "O primeiro homem era um santo: sabia perdoar! Este outro não sabe!" Mas o meu Senhor interrompendo a minha  cisma, disse:              
- Quem não sabe é você!       
- Como, Senhor? Então aquele homem...
- Sim, é um santo, porque perdoou quando foi preciso!          
- E o segundo?        
- É mais santo ainda, porque não tem necessidade de perdoar.     
E como eu ficasse perplexo, com o olhar perdido na incompreensão e  na dúvida, o Senhor me disse: 
- O espinheiro fere, porque é espinheiro. Ainda que ele quisesse jamais poderia perfumar. O primeiro homem sentiu a dor da picada, e como não sabia nada, atribuiu a culpa ao espinheiro. Mas, como era puro de coração, perdoou. O outro homem sentiu a mesma dor, mas como sabia que todo espinheiro fere, pois o  espinheiro é assim, não se sentiu ofendido. E como nada tinha a perdoar, não perdoou. Desde então sofro menos quando os espinhos me ferem. Dói-me na alma a ferida, mas minha alma sabe que não há ofensa.  E como não há ofensa, não há perdão.  É assim que do meu peito brota um piedoso amor pelo espinho que não chegou a ser flor. Meu sofrimento se transforma em ternura porque já aprendi a não perdoar!

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