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22/11/10

O PESO QUE A GENTE LEVA - Pe. Fábio de Melo

CONTRIBUIÇÃO MARAVILHOSA ESSA QUE MINHA AMIGA ANA PITCHON ME ENVIOU. AMEI!!! E ANINHA DISSE ASSIM NO E-MAIL:
 
A metáfora da viagem, da vida e das malas que carregamos já foi lindamente descrita por Mário Quintana. Nesse artigo a metáfora é novamente utilizada, e de uma forma bem delicada. Espero que a gente consiga levar na nossa bagagem, o essencial para descermos nas estações, vivermos as experiências e embarcar novamente, sem excessos que nos pesem, para podermos novamente embarcar e desembarcar nas estações da vida, com a leveza que só o dever e a missão cumpridos podem nos dar.
Bjos e felizes embarques e desembarques a todos!
Aninha   

FAÇO MINHAS AS SUAS LINDAS PALAVRAS, ANINHA! Valeu! Bjo meu.

DESEJO AOS QUE POR AQUI PASSAREM... FELIZES EMBARQUES E DESEMBARQUES HOJE E SEMPRE!

 
O peso que a gente leva..
Olho ao meu redor e descubro que as coisas que quero levar não podem ser levadas. Excedem aos tamanhos permitidos. Já imaginou chegar ao aeroporto carregando o colchão para ser despachado?
As perguntas são muitas... E se eu tiver vontade de ouvir aquela música? E o filme que costumo ver de vez em quando, como se fosse a primeira vez?
Desisto. Jogo o que posso no espaço delimitado para minha partida e vou. Vez em quando me recordo de alguma coisa esquecida, ou então, inevitavelmente concluo que mais da metade do que levei não me serviu pra nada.
É nessa hora que descubro que partir é experiência inevitável de sofrer ausências. E nisso mora o encanto da viagem. Viajar é descobrir o mundo que não temos. É o tempo de sofrer a ausência que nos ajuda a mensurar o valor do mundo que nos pertence.
E então descobrimos o motivo que levou o poeta cantar: “Bom é partir. Bom mesmo é poder voltar!” Ele tinha razão. A partida nos abre os olhos para o que deixamos. A distância nos permite mensurar os espaços deixados. Por isso, partidas e chegadas são instrumentos que nos indicam quem somos, o que amamos e o que é essencial para que a gente continue sendo. Ao ver o mundo que não é meu, eu me reencontro com desejo de amar ainda mais o meu território. É conseqüência natural que faz o coração querer voltar ao ponto inicial, ao lugar onde tudo começou.
É como se a voz identificasse a raiz do grito, o elemento primeiro.
Vida e viagens seguem as mesmas regras. Os excessos nos pesam e nos retiram a vontade de viver. Por isso é tão necessário partir. Sair na direção das realidades que nos ausentam. Lugares e pessoas que não pertencem ao contexto de nossas lamúrias... Hospitais, asilos, internatos...
Ver o sofrimento de perto, tocar na ferida que não dói na nossa carne, mas que de alguma maneira pode nos humanizar.
Andar na direção do outro é também fazer uma viagem. Mas não leve muita coisa. Não tenha medo das ausências que sentirá. Ao adentrar o território alheio, quem sabe assim os seus olhos se abram para enxergar de um jeito novo o território que é seu. Não leve os seus pesos. Eles não lhe permitirão encontrar o outro. Viaje leve, leve, bem leve. Mas se leve.

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