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09/04/12

A promoção da alegria - Por Regina Teixeira da Costa



Uma coisa é certa: viver é uma peleja constante. Quando a gente pensa que chegou a hora do sossego… lá vem mais. Sem esquecer que é mais fácil ser infeliz do que feliz. Para viver penando basta não fazer nada. É só deixar a vida rolar de qualquer jeito, passivamente, sem interferência nem intervenção.
Se tudo ocorre à revelia, sem a participação do sujeito, como uma oração sem a primeira pessoa do singular, as coisas não andam bem. No mínimo não vão para onde queremos, vão com o vento para onde ele soprar.
Tenho insistido muito no sujeito, porque ele é indispensável e a existência sem ele é absolutamente inviável. Insisto que a vida é para ser decidida. E tudo o que contrariar nosso rumo no sentido de ceder ao outro ou fazer concessões quando há o sacrifício do desejo é passo em falso e leva a uma vida de insatisfação.
Como desejo entendo uma coisa de fato vital e saudável, que salva, e não vontades e caprichos que quando atendidos e confundidos com o desejo podem causar danos e gerar muita confusão na vida de quem se precipita a tomar um pelo outro. Quantas vezes assistimos a essa cena?
Será sempre importante promover e cultivar a alegria. Não estou dizendo que devamos estar o tempo todo buscando a felicidade plena, não se trata disso, pois a felicidade são momentos que guardamos com saudade. Até queremos a felicidade permanente, mas esta não é possível, até mesmo precisamos de outros momentos para reconhecer quando a felicidade nos visita novamente. Mas ela é hóspede passageira, assim como vem, vai-se.
A alegria a que me refiro é estado de satisfação que vem como resultado de esforço do sujeito em dirigir a vida, fazer escolhas, pagar o preço e colher os frutos. Recebi de alguns leitores excelentes citações do grande Guimarães Rosa, a partir da última escrita na qual o citei. Entre elas, esta: ‘‘Deus nos dá pessoas e coisas para aprendermos a alegria; depois Ele nos tira pessoas e coisas para ver se somos capazes da alegria sozinhos’’.
Então é isso. A gente pode, sozinha, ter alegria. Claro, não dá para dispensar amigos e pessoas com as quais compartilhamos nosso tempo de vida neste planeta. Mas é preciso reconhecer quem nos faz bem quando está por perto. Escolher quem pode ter sabedoria sobre a dificuldade que é, para cada um, encontrar lugar. Quem anda na busca de ser melhor, e consegue abrir mão das repetições padronizadas das quais viemos e que não nos aprazem nem nos servem mais.
E para isso é preciso estar atento, saber que não se pode ceder quanto a alguns desejos, mesmo que sejam simples, pois o tempo passa e oportunidades são perdidas.
Por isso, tenho insistido tanto na questão do sujeito, único recurso que temos para dirigir a vida. Sujeito que nem sempre reconhecemos, discreto, silencioso como uma estrela cadente que risca o céu na noite. Ele se faz perceber para aquele que decide ficar ligado em si mesmo. Mais do que esperar do outro o que lhe fará ficar bem ou mal.
A alegria está nas atitudes de respeito e acolhimento que temos em relação a nós próprios e isso nos permite ser capazes de dizer não a cada vez que vacilamos diante do outro a quem não queremos desagradar correndo o risco, num instante preciso, de ceder naquilo que nos faria melhores.

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