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09/04/12

Humor zero - Por Antônio Roberto



O mau humor esconde uma depressão não percebida e, portanto, não tratada. Tem como base, um aprendizado de responder com irritação e tristeza à realidade, quando esta não se apresenta da maneira que se gostaria. Pessoa mal humorada tem um baixo limiar de frustração. Ela gostaria que o mundo fosse como ela deseja o que evidentemente não acontece.
Todos nós temos precário controle sobre a realidade que por ser vasta muitas vezes, não se a adapta aos nossos desejos, a isso chamamos de problemas. E justamente pela realidade ser maior que nossos desejos, não podemos levar a vida muito a sério. Sílvia Cardoso, uma neurocientista da Unicamp, que estuda o riso e seus efeitos, afirma que “ser bem humorado significa perceber que a maior parte das situações que vivemos não é nem muito importante, nem muito séria e nem muito grave”. Acontece que a sociedade não valoriza a alegria e dá muito valor à seriedade e a responsabilidade. Levamos tudo a ferro e a fogo e transformamos as pequenas contrariedades em questões de vida e morte.
Somos muito rigorosos conosco, com as pessoas e com o mundo. É claro que não é possível estarmos sempre de bom humor, de vez em quando temos raiva, tristeza e ansiedade, o que não podemos transformar isso em um jeito de viver. A reclamação constante, a mania de olhar sempre o lado negativo das coisas, a auto-piedade, relacionar-se com pessoas de baixo astral são alguns hábitos que reforçam nossa tendência ao mau humor.
A palavra humor que vem do latim significa “deixar fluir”: aceitar as próprias falhas e desenvolver a entrega. Deixar fluir significa deixar também que os sentimentos negativos aconteçam. Bom humor não significa alegria permanente. O que não podemos é permanecer muito tempo na irritação e transformar esse estado em uma maneira de viver, como faz a pessoa que sofre do mau humor.
Existem hábitos que favorecem o estado de alegria ou reforçam os estados de mau humor. A reclamação sistemática, verbalizada ou pensada, a mania de olhar sempre o lado negativo das coisas, a auto piedade, freqüentar lugares onde existem pessoas de “baixo astral”, são alguns hábitos que reforçam nossa tendência à depressão. Assim a pessoa mal humorada que sofre essa depressão, se sente infeliz com a vida e com as pessoas que fazem parte dela. A vida é para ser vivida com muita alegria e não para ser mantida. A família, o trabalho e as relações com os amigos precisam ser usufruídos por nós e não serem conservados. O auto-conhecimento é uma ferramenta importante para melhorar nossa qualidade de vida. Muitas pessoas fazem um grande esforço para se conhecerem e depois não se aceitam. É comum às pessoas abandonarem uma terapia, ao tomar consciência de si próprias, e de seus problemas.
Dormir um bom sono, fazer exercícios físicos pela sua capacidade de estimular a liberação de endorfinas, excluindo os exercícios competitivos, praticar orações, brincar, ouvir músicas relaxantes, dedicar-se a alguma arte são hábitos que nos predispõem a uma visão de vida menos estressante. A alegria não é algo que vem de fora, mas faz parte da essência humana, e não é difícil transformar o nosso comportamento de mal humorado para um bem humorado. Basta aumentar nossa tolerância e aprender a rir das situações que fogem ao nosso controle.
Tudo tem o seu lado engraçado. Levar a sério esse lado, treinar a gargalhada diante de nossa impotência é a base para uma vida mais saudável, descontraída e feliz. Se não levarmos a vida tão a serio seremos capazes de rir de nós mesmos que é o máximo de “bom humor”.
Como somos imperfeitos, temos pontos positivos e negativos. Para sermos felizes temos de nos amar, nos aceitar como somos, incluindo evidentemente os defeitos, os sentimentos negativos, as imperfeições corporais, emocionais, intelectuais, financeiras, etc. O bom humor, a alegria, o bem estar consigo mesmo são pontos importantes para se ter uma vida social, familiar e etc, bem mais serena.
Publicado Coluna Bem Viver do Jornal Estado de Minas

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