Número total de visualizações de página

11/04/12

Amar, comer e se relacionar - Por Débora Rubin e Verônica Mambrini


Pesquisas comprovam que esses são os prazeres essenciais para o ser humano. Saiba como incrementá-los no dia a dia e ampliar a sensação de bem-estar em outras áreas da vida.

Sexo
1.
Orgasmo não é meta e sexo não tem data nem hora marcadas. O simples pensar em sexo – sem medo ou culpa – já faz dele um prazer
2. Explore os cinco sentidos: abuse de cheiros, texturas, luzes, sabores e sons
3. Busque o diferente, varie cenários, roupas e acessórios
4. Sexo bom é sexo sem cartilha: cada um deve descobrir o que é melhor para si

Natureza
1. A natureza não é só o verde: deixe o ar entrar, a luz bater e ouça o barulho da chuva
2. Ainda que você more em uma cidade grande, um jardim pequeno dentro de casa já muda o ambiente
3. Quando construir ou reformar, dê prioridade aos elementos naturais, como madeira, pedra, tinta à base de cal e bambu
4. Ande a pé nem que seja até a padaria e descubra o que existe pelo caminho: praças, árvores, jardins, pessoas caminhando com cachorros, pôr do sol, ninhos de passarinhos

Comida
1. Coma com calma. Não devore um prato como se o mundo fosse acabar em seguida
2. Sinta os cheiros e observe as cores dos alimentos
3. Cerque-se de boas companhias durante as refeições
4. Não conte calorias o tempo todo: isso é um redutor de prazer
5. Opte pela comida caseira, sempre que possível
6. Acredite na frase “coma o que o seu corpo está pedindo”

Exercícios físicos
1. Ponha o cérebro para funcionar com o corpo: repare nos detalhes de cada movimento
2. Busque resultados objetivos (emagrecer tantos quilos, correr tantos quilômetros, etc.)
3. Escolha uma atividade física da qual você goste
4. Resista bravamente à fase de adaptação. Depois dela, tudo fica bem melhor
5. Faça algo em grupo. Unir atividade física com relacionamento é prazer em dobro

Arte
1. Sensibilize sua atenção. Quando assistir a um filme ou ouvir uma música, esteja atento aos detalhes
2. Dedique-se às artes que lhe interessam mais e reserve tempo para elas
3. Experimente: ouça, leia, veja ou assista a algo novo, com alguma regularidade
4. Transforme arte em hobby – pinte, dance, cante, borde, crie

Trabalho
1. Não faça nada no piloto automático Esteja realmente presente em cada atividade
2. Tente mensurar os resultados: pergunte o que você está de fato produzindo e quem está se beneficiando com seu trabalho
3. Cuide do seu espaço profissional e das suas relações com os colegas. Deixe sua mesa mais bonita, seja gentil com os colegas, zele por seus instrumentos de trabalho
4. Não deixe que a atividade profissional se torne uma obsessão. A vida é composta de muitas coisas. O trabalho é só uma delas
5. Todo mundo tem um papel na sociedade – descubra o seu e se dê o devido valor

Amigo
1. Cuide dos seus: família e amigos próximos também devem ser cativados sempre
2. Aprenda a ouvir o outro
3. Expanda seus horizontes, permita-se conhecer gente nova
4. Valorize cada contato do cotidiano – seja com um amigo, seja com o porteiro do seu prédio
5. Acredite: tudo que já é bom pode ser ainda melhor se você está bem acompanhado. Não cultue a solidão

O aprendizado do prazer também serve para atividades que nem sempre despertam paixão à primeira vista, como os exercícios físicos. O que parece tedioso e repetitivo em um primeiro momento pode se tornar uma fonte inesgotável de endorfinas, as substâncias produzidas pelo cérebro que provocam sensação de relaxamento e bem-estar. A grande maioria das pessoas começa a se mexer por razões pontuais e objetivas, como emagrecer ou ficar mais saudável. E, quando se dá conta, estabelece uma relação de cumplicidade e fidelidade com o suor de cada dia. Foi o que aconteceu com a analista de comércio exterior Renata Loureiro, 31 anos. “Eu era sedentária e pesava 15 quilos a mais. Além disso, só vivia em função do trabalho”, conta. Baiana radicada no Rio de Janeiro, ela entrou para a academia para perder peso. Depois, comprou uma bicicleta, para se movimentar também nos fins de semana. Quando se deu conta, a obrigação tinha virado diversão. Hoje ela pratica ciclismo, corrida e começou a nadar recentemente. A reboque, vêm os prazeres de curtir o mundo ao seu redor e conhecer gente diferente, graças às competições de bicicleta pelo Brasil. “Acordei outro dia às 4h da manhã para treinar. Ver o sol nascendo na avenida Niemeyer valeu todo o esforço”, afirma. No caso de Renata, essa recompensa virou um vício do bem. Mas, quando há exagero ao atender a um desejo, a obsessão toma conta e o que era um prazer vira martírio. Caso dos alcoólatras, por exemplo.
O vício é o extremo a que uma pessoa pode chegar na busca desenfreada para atender aos seus desejos. Os estudiosos do tema concordam que a sociedade contemporânea sofre ao apostar nos prazeres externos e inatingíveis. “Depositar a realização pessoal em coisas transitórias e bens materiais é fugaz e só gera frustração”, afirma o monge zen-budista Enjo. “Nossa cultura nos chama o tempo todo a realizar os desejos imediatos, de forma que passamos a ter que ter prazer”, critica Márcia de Almeida Batista, psicóloga e professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Pesquisas mostram que quem busca a felicidade basicamente nos prazeres imediatos torna-se infeliz. Estudo feito por um grupo de universidades americanas demonstrou que as pessoas que se acostumam com muitos eventos felizes e positivos sofrem muito mais quando se defrontam com algo ruim. Como resumiu um dos autores do estudo, Shigehiro Oishi, da Universidade de Virgínia, não tentar ser tão feliz é a chave para a felicidade.

Sem comentários:

Enviar um comentário