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23/11/11

Qual é seu tesouro indivisível? Por Suzane Lindoso

SUSSU, QUE LINDO APEGO ESSE… E COMO ESSE, TEMOS TANTOS! FICA A PERGUNTA Q NÃO QUER CALAR… A FLUTUAR!!! BOA REFLEXÃO PRA GENTE. BJO E PARABÉNS, MINHA AMIGA.
TÂNIA

Estava indo para uma entrevista de emprego. Sabia apenas que seria uma dinâmica em grupo. IIma, após uma noite mal dormida, acabou acordando meio em cima da hora. Fez tudo o que precisava, mas acabou saindo um pouco depois do horário que havia programado. Claro que o trânsito não estaria a seu favor.
Resolveu seguir pela avenida principal, pois os semáforos são sincronizados. Sem dúvida, mas pegou o primeiro vermelho. Naquele momento o que mais desejava era o verde, a cor verde era seu maior sonho naquele dia, perto das oito horas da manhã.
Duas voltas no quarteirão foram suficientes para localizar uma vaga possível para estacionar. Não era a ideal, um pouco apertada para quem foge de baliza, mas àquela altura…
Apresentou-se às 8h05, na recepção. Desculpas. Comentários sobre o trânsito, os semáforos. A recepcionista a tranquilizou. Faltava um candidato. Assim que todos estivessem lá, seriam chamados. Ufa! Um momento para tomar uma água. Café, nem pensar! Iria ficar ainda mais nervosa.
Perdida em seus pensamentos refez o trajeto e lamentou a falta do verde. Por que justo naquele dia o verde estava difícil? Por que… Foi interrompida. Tudo estava pronto para o início das atividades. Uma prece elevada aos céus. Dali dependeria seu futuro próximo.
- Bom dia! Sou Luciane, responsável pelo setor de recursos humanos da empresa. Passaremos alguns momentos juntos nesta manhã. Gostaria que todos ficassem blá, blá, blá…
A tensão era tanta que a ansiedade personificada tinha dificuldades para acompanhar cada uma das palavras despejadas pela psicóloga.
- Agora vou passar com uma caixinha cheia de pedrinhas. Cada um de vocês deverá escolher uma para si. Sejam criteriosos em sua escolha! – seguia falando a Luciane.
“Mas que coisa, o verde que tanto eu esperei chegou as minhas mãos inesperadamente!”
Pois é, quando Ilma olhou para dentro da caixinha uma linda pedra verde pareceu até piscar para ela. Era lisinha, de formas bem arredondadas e dona de um brilho estelar. Sem mais pensar, aquela foi mesmo a escolhida.
Já com a pedra na mão, bem segura, sabia-se agora possuidora de um tesouro, de uma riqueza. A candidata revezava entre seus pensamentos e a fala de Luciane. Sentia-se com dificuldades para se concentrar. O tesouro agora era o que mais importava.
- Muito bem. Até que nem foi difícil escolher, não é mesmo? Pensei que vocês demorariam mais nesta tarefa. Pois é, o próximo passo é vocês pensarem sobre os reais motivos que os levaram à escolha desta pedra que têm em mãos.
“Verde. É verde. O que mais?” – a mais nova rica do pedaço tentava captar o real motivo da escolha. “Bom, Cadu tem os olhos v e r d e s…”
-Você está me ouvindo, Ilma!
- Ã? O quê? Falou comigo? Ah, me desculpe, me perdi um pouco em meus pensamentos.
-É que já passei para a etapa seguinte e apenas você não nos acompanhou.
- Desculpas, novamente. Por favor, pode repetir o que é para fazer?
- Sim. Agora, cada um vai entregar a pedra que está consigo para a pessoa sentada a sua direita.
“Como assim? Esta criatura deve estar louca! Como posso entregar meu tesouro? Nem morta!”
-Ilma, está passando bem? Há algum problema com você?
Transtornada, ela levantou-se e, sem dizer uma palavra sequer, saiu, provocando uma turbulência. Passada a tempestade, Luciane retomou a palavra, encerrando as atividades daquele dia.
Ela saiu dali e foi respirar, entregue aos sentimentos, pensamentos, reflexões. O que a teria levado a tomar semelhante atitude? Sair correndo de uma entrevista de emprego! Negar-se a entregar uma simples pedra para a pessoa ao lado! Que segredos guardariam aquela pedra verde tão linda?
De volta ao trânsito, deu-se conta de que o verde do sinal era o mesmo de sempre, ora aceso, ora apagado. Lembrou-se de que os olhos de Cadu eram simplesmente verdes. Refletiu sobre a pedra que não passava de uma pedra.
Mas, afinal, por que em certos momentos da vida é tão difícil abrir a mão e entregar o que quer que seja? Egoísmo? Egocentrismo? Excesso de zelo? Amor próprio?
Qual é seu tesouro indivisível? A pergunta flutuará no ar.
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A autora:

Nascida em Pernambuco, mas piracicabana de coração, Suzane Lindoso é professora de Língua Portuguesa e Literatura do mais que centenário Colégio Piracicabano (IEP).

SUZANE, SUSSU, COMO A CHAMO,  É MINHA AMIGA E TRABALHAMOS JUNTAS EM FORTALEZA POR MUITOS BONS ANOS.

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