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23/11/11

“Fios e Tramas” – Crônica de Suzane Lindoso

 

Que ideia poderia ser mais relaxante que a de uma rede embaixo de uma frondosa árvore, embalada pela brisa leve e fresca? Na correria que marca nosso cotidiano, sua lembrança é um oásis.
Quem não dispõe dessas árvores a colocam em sua varanda e, ainda, quem nem possui varanda, aproveita a de alguns restaurantes, que a disponibilizam para seus clientes se recuperarem de qualquer possível exagero.
Ou que tranquilidade caminhar por lugares naturalmente perigosos, mas devidamente protegidos por redes de segurança! Mas também ela nos remete ao trabalho. O que dizer das redes pesadas e cheias dos pescadores?
Ou até mesmo das tão famosas redes de computadores? Modernamente, a moda são as redes sociais – que nos permitem o relacionamento virtual. Para quem mora longe de parentes ou de amigos, que maravilha poder contar com este fruto da tecnologia!
E o que dizer dos esportes? Que bom brasileiro nunca vibrou com a rede balançando graças a um belo ou a um tão esperado gol! Ou se entristeceu com o ponto perdido pelo adversário ao esbarrar nela a bola, no vôlei? Contudo, como nem tudo são flores, há como se ver laçado por fios invisíveis e perigosos, tramados por pessoas virtuais cheias de maldades reais.
Pois é! A rede nos enlaça, nos envolve, faz parte do nosso dia a dia, quer de um jeito ou de outro. Rede é trama, entrelaçamento, harmonia. Fios que se perdem na construção do tecido, ou do corpo, ou do grupo.
A economia globalizada favoreceu o surgimento de grandes redes empresariais. A rede, composta por fios, é mais poderosa, mais forte. Para onde nos viramos nos deparamos com rede de lojas, de farmácias, de escolas, de restaurantes. A lista é quase infinita. Se isto por um lado é bom, pois nos permite uma estada mais confortável em um lugar pela primeira vez, por outro nos conduz à mesmice. Onde estivermos, veremos praticamente tudo igual. Que cuidem bem dos monumentos, pelo menos eles garantirão a individualidade dos lugares.
É um difícil esforço conceber que a rede – aquela que interliga, diverte, emociona, sustenta – pode enredar-se a ponto de ser exatamente ela o motivo do desenredo.
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A autora:
Suzane Alaíde Lindoso da Silva
Nasceu no Recife (PE),  na década de 60, e reside em Piracicaba desde 1992. Estudou na Universidade Estadual do Ceará, onde cursou Letras. Desde que aportou por aqui, é professora de Língua Portuguesa no Ensino Fundamental e Médio. Professora do Colégio Piracicabano, é apaixonada por textos, livros, palavras! 

TÂNIA O'GRADY disse:
SUSSU, AMEI E VOU COMPARTILHAR…
BELA PRODUÇÃO… VC FEZ DE UMA MARAVILHOSA REDE… UM REDEMOINHO DE CRIATIVIDADE!!!PARABÉNS, AMIGA!
QUE POSSAMOS COM AS “REDES”… “PESCAR” NA VIDA O Q HÁ DE MELHOR, “TECER” BOAS AMIZADES, “TRANÇAR” AMORES, UM RELAXANTE “LEITO” PARA NOS EMBALAR FELIZES, “VIAS DE COMUNICAÇÕES” SAUDÁVEIS, “FIOS” CONDUTORES E SOLIDÁRIOS, “CANALIZAÇÕES” ALEGRES, “CILADAS” DE LINDOS ENCONTROS E “ARMADILHAS” DE SURPRESAS AGRADÁVEIS!!!
AMIGA, RECEBA UM GRANDE BJO MEU. 
  • Suzane disse:
    Como você escreve bem. Fico feliz por ver meus textos explorando o que há de melhor de cada um. Que nossas redes se encham do lado bom e dadivoso da vida. Um grande beijo.

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