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19/06/13

PERDI O TEMOR - POR Agnaldo Guimarães

RECEBI DA MINHA AMIGA JOSEÍLA RAMALHO, ADOREI E POSTEI!!!

Perdi o temor à chuva
E assim ganhei o frescor da água.

Perdi o temor ao vento
E assim ganhei o seu cantar nos fios.

Perdi o temor ao silêncio
E assim ganhei momentos de paz. 

Perdi o temor ao julgamento dos outros
E assim ganhei caminhos mais
abertos de liberdade.

Perdi o temor de investir tempo
"em coisas sem importância"
E assim ganhei entardeceres, estrelas, pedaços de luar, águas rebrilhando ao sol, retalhos de canções...

Perdi o temor de dar-me integralmente,
temendo sofrimentos e cicatrizes
E assim ganhei a bendita multiplicação
do meu tempo.

Perdi o temor de expor-me
E assim ganhei mais confiança no que sou e no que podem ser as pessoas.

Perdi o apego às coisas materiais
E assim ganhei a alegria da simplicidade.

Perdi o temor à competição
E assim ganhei o sabor das vitórias e os ensinamentos das derrotas.

Perdi o temor de desbravar caminhos desconhecidos
E assim ganhei novas visões, horizontes, novos amigos.

Perdi o temor de dizer minhas verdades frontalmente
E assim ganhei aqueles que a mim eram sinceros e leais.

Perdi o medo do dia de amanhã
E assim ganhei o hoje!

Perdi o temor mórbido do
"por que não fiz"?
E assim ganhei o mais pensar
para melhor fazer.

Perdi a segurança estúpida das minhas "verdades únicas"
E assim aprendi a ouvir os outros.

Liberei a força dos meus braços para os abraços fraternos e plenos de carinho
E assim senti multiplicado o imenso e doce poder do amor.

Perdi o temor da morte
E assim...
Ganhei a VIDA! 

12/06/13

SER FELIZ E DE BEM COM A VIDA É, ESSENCIALMENTE, AMAR! POR TÂNIA C. O'GRADY FELIPE

AO ESCREVER O QUE VOCÊ LERÁ A SEGUIR, PENSEI MUITO NA MINHA VIDA ATÉ AQUI, NA RELAÇÃO QUE TIVE COM MEU PAI, QUE HOJE, DIA 12/6, FAZ MAIS UM ANO DE SUA IDA PARA O ANDAR DE CIMA... REFLETI TB NA MINHA RELAÇÃO COM MINHA MÃE, MEUS DOIS FILHOS, PARENTES, AMIGOS... E ATÉ DESCONHECIDOS... E É CLARO, COM O MEU QUERIDO MARIDO, DUDU, QUE FEZ ANIVERSÁRIO ONTEM E COM QUEM COMEMORO HOJE, FELIZ, O DIA DOS NAMORADOS.
 
 
12 DE JUNHO, DIA DOS NAMORADOS... CADA DIA MAIS TENHO ME CONVENCIDO DE QUE O AMOR É TUDO O QUE MAIS INTENCIONAMOS E DESEJAMOS NESSA VIDA. QUEREMOS SER AMADOS, MAS TAMBÉM RECONHECIDOS E APRECIADOS. DE VEZ EM SEMPRE, NOS PEGAMOS IDEALIZANDO APRENDER MAIS A NEGOCIAR DIFERENÇAS, A ADMINISTRAR DIVERGÊNCIAS, A INVESTIR MAIS E MAIS NA RELAÇÃO DIALÓGICA E TAMBÉM A PRIORIZAR O COMPANHEIRISMO. PENSO QUE UM CASAL DEVE ESTAR MOVIDO A ATENDER AS SUAS NECESSIDADES EMOCIONAIS, EVITAR NEGLIGENCIAR OS INSTANTES DE AFETO E BUSCAR DEDICAR-SE AMOROSAMENTE À RELAÇÃO; SEMPRE DESEJANDO COMPARTILHAR O CARINHO E A BOA SENSAÇÃO DA ALEGRIA EM ESTAR JUNTOS, ALÉM, CLARO, DE ACEITAR QUE UM BOM RELACIONAMENTO NOS ACRESCENTA E ENRIQUECE. 
E É BEM ISSO, A CADA NOVO DIA, ME CONSCIENTIZO DE QUE UMA VIDA AMOROSA REQUER, ESSENCIALMENTE, O NOSSO DIRECIONAMENTO REAL, PARA ATIVAR E OFERECER O AMOR, NOS BELOS MOMENTOS, BEM COMO NOS INSTANTES MAIS DIFÍCEIS DA CONVIVÊNCIA. O IDEAL MESMO É PERMANECER NO ESPAÇO AMOROSO E PRESERVÁ-LO, INCLUSIVE QUANDO INSTALA-SE O CAOS. AH, E SEM ESQUECER POR UM MOMENTO QUE O AMOR QUE "EU" QUERO COMEÇA EM MIM! 
TENHO PERCEBIDO, COM MUITA CLAREZA, QUE A PARTIR DO MOMENTO EM QUE ESCOLHO ME CONCENTRAR NO QUE É BELO E PRECIOSO, PASSO A ENXERGAR MUITO MAIS E MELHOR, TANTO A BELEZA QUANTO O AMOR. E DAÍ  ENTÃO, PODEREI TRANSFORMAR UM POUCO O MUNDO COM AS ESCOLHAS MÍNIMAS QUE RESOLVI FAZER NA ESTRADA AMOROSA DA VIDA E QUE, CERTAMENTE, OPORTUNIZAM PASSOS FUNDAMENTAIS NO CAMINHO DO AMOR QUE NOS É PRESENTEADO, REALIZANDO UM PERCURSO MAGNÍFICO NESSA JORNADA ESPETACULAR QUE TRILHAMOS AQUI NA TERRA. 
AO AMAR, DESFRUTAMOS EXPERIÊNCIAS INCRÍVEIS, COMO ACEITAR SEM JULGAR. E SOMENTE QUANDO COMPREENDEMOS O QUE ACONTECE, É QUE ENXERGAMOS COM MAIS LUMINOSIDADE E CLAREZA OS CAMINHOS DA VIDA. 
É INTERESSANTE QUE COM NOSSAS ATITUDES E PALAVRAS, EXPRESSAMOS O NOSSO AMOR, DANDO AO OUTRO O QUE É FUNDAMENTAL PARA ELE, POR QUE SOMENTE ASSIM O AMOR PODE SER PLENAMENTE SENTIDO E PERCEBIDO. 
OUTRO FATOR FUNDAMENTAL NESSA HISTÓRIA LINDA QUE É "AMAR", É O SEGUINTE: QUANDO SABEMOS AMAR COERENTEMENTE, COSTUMAMOS PERMITIR VER A QUEM AMAMOS CRESCER NO SEU PROCESSO, DO SEU JEITO E AINDA CEDEMOS O ESPAÇO RECEPTIVO PARA ESSE CRESCIMENTO. INCRÍVEL ISSO, NÃO É MESMO?
É BOM LEMBRAR QUE DEVEMOS APRENDER A AMAR NO OUTRO O QUE NÃO GOSTAMOS EM NÓS. DIFÍCIL? E COMO! PARA ISSO É PRECISO OTIMISMO... UMA BOA DOSE DE PACIÊNCIA E EM MUITOS, MAS MUITOS  CASOS MESMO, O EXCESSO DE TOLERÂNCIA!!! TUDO ISSO PARA UM BELO DIA DESCOBRIR QUE APENAS QUANDO DESPERTARMOS DE NOSSOS SONHOS E INÚMERAS IDEALIZAÇÕES, SÓ QUANDO ABANDONARMOS NOSSAS PROJEÇÕES E DESEJOS É QUE ESTAREMOS PRONTOS PARA AMAR DE FATO E VERDADEIRAMENTE ALGUÉM. 
A GRANDE DESCOBERTA É COMPREENDER, REALMENTE, QUE AMAR É QUANDO ESCOLHEMOS QUERER SEMPRE O MELHOR PARA NÓS E PARA QUEM AMAMOS, ALÉM DE PERCEBER O AMOR COMO AÇÃO E NÃO COMO REAÇÃO. PARA ISSO ACONTECER, MUITAS VEZES LEVA UM TEMPO IMENSO.
INTERESSANTE É CONSTATAR QUE AÍ FICAMOS ANTENADOS E NOS DAMOS CONTA DO QUANTO É FUNDAMENTAL CURTIR A SATISFAÇÃO PELO QUE POSSUÍMOS E TAMBÉM O PRAZER DO QUE CONQUISTAMOS, E, FINALMENTE, DEIXAMOS DE LADO AQUELA PRIORIDADE RIDÍCULA, QUE INÚMERAS VEZES DAMOS, PARA A FRUSTRAÇÃO DO QUE NOS FALTA. 
É CLARO, EVIDENTE E ÓBVIO QUE ALGUNS DE NÓS, MAIS EVOLUÍDOS, E/OU MADUROS, PREFEREM ACOLHER TODAS AS MÍNIMAS ALEGRIAS QUE O COTIDIANO NOS CONCEDE, EM NOSSA ROTINA, E ASSIM PASSA A VALORIZAR ACONTECIMENTOS SIMPLES E PRECIOSÍSSIMOS, PELO FATO DE POSSIBILITAR APRENDIZAGENS MÚLTIPLAS E SIGNIFICATIVAS. O QUE É MUITO BACANA NESSA TRAJETÓRIA TODA É TAMBÉM, QUANDO PASSARMOS A TER UM DESEJO PROFUNDO DE INVESTIR EM QUEM AMAMOS, AJUDANDO NO QUE FOR PRECISO. ISSO É LINDO! É NESSE MOMENTO DE INTENSA DEDICAÇÃO QUE REVELA-SE UMA SINTONIA DURADOURA NA FORMA DE AMAR, INDISCRIMINADAMENTE, SEM CONDIÇÕES, NEM EXIGÊNCIAS. O QUE É FENOMENAL!  
E NA CAMINHADA VAMOS APRENDENDO... SEI BEM QUE TUDO AQUILO QUE RECEBE MAIS ATENÇÃO E CUIDADO, EM COMPENSAÇÃO SE DESENVOLVE MUITO MELHOR. AMAR É MESMO UMA APRENDIZAGEM DIÁRIA. E DENTRE APRENDIZAGENS FÁCEIS E DIFÍCEIS, RECONHECEMOS NUM DETERMINADO DIA QUE PERDOAR, É NÃO EXPULSAR O OUTRO DO NOSSO CORAÇÃO. É DESAPEGAR-SE DA MÁGOA. MAGNÍFICO APRENDER ISSO, MESMO QUE AOS TRANCOS E BARRANCOS.  
GENTE, AMAR É UMA ARTE, JÁ DISSERAM ISSO, MAS PENSO SIM, QUE NÓS ARTISTAS VETERANOS OU NOVATOS, PODEMOS MUDAR O MUNDO, PORQUE NÓS SOMOS O MUNDO. PENSANDO ASSIM, FICA MAI FÁCIL? TOMARA, PORQUE A VERDADE É QUE QUALQUER MUDANÇA EM NÓS TRAZ UMA TRANSFORMAÇÃO PARA O MUNDO. E AÍ PERCEBEMOS AO TRILHAR ESSA ESTRADA... PARA BEM AMAR BASTA QUE PERMITA VER O OUTRO COMO “VOCÊ”, E ASSIM CONSTATAR QUE O AMOR SE REVELA E AÍ FLORESCE E SE FORTALECE. AMAR É VIVER BEM A VIDA! 
DEPOIS DE MUITO PERCORRERMOS EM BUSCA DE RESPOSTAS SOBRE O AMOR E SOBRE AMAR, VAMOS DESCOBRINDO QUE O AMOR PRECISA DEIXAR DE SER UMA PALAVRA PARA QUE TORNE-SE VERBO, OU SEJA, A AÇÃO QUE PRATICAMOS. 
GOSTO MUITO DO QUE SÃO PAULO DIZ EM SUA EPÍSTOLA: "AQUELE QUE EXERCE O AMOR NÃO PRECISA SE DEFENDER E ALCANÇA A PLENITUDE DE SEU SER NA DOAÇÃO". NADA MAIS PERFEITO! E LEGAL TAMBÉM É QUANDO VAMOS SENTINDO CADA DIA MAIS QUE TODOS NÓS QUEREMOS MESMO É SER AMADOS E ACEITOS, ATRAVÉS DA COMPREENSÃO E DO ACOLHIMENTO. SIMPLESMENTE DESEJAMOS A ATENÇÃO DO OUTRO, AQUELE COM QUEM, GERALMENTE, UM DIA CONCORDAMOS EM CONVIVER. 
TENHO COMPROVADO QUE QUANDO O NOSSO CORAÇÃO ESTÁ RECHEADO DE GRATIDÃO FICA MUITO MAIS CLARO VER TODOS OS PRIVILÉGIOS (PESSOAS E COISAS) QUE ESTÃO NO MEU ENTORNO E PERCEBO QUE ISSO FACILITA A ARTE DE AMAR, A SI E AO NOSSO PRÓXIMO. NOTO O QUANTO ISSO É COMPENSADOR! 
AH, SINTO TAMBÉM QUE A SOCIEDADE NOS COBRA A FELICIDADE URGENTE, MAS CONCLUO QUE NÃO SOMOS CONSTANTEMENTE FELIZES, MAS PODEMOS SIM, ESCOLHER E MERGULHAR NUMA VIDA EM PERMANENTE ESTADO DE AMOR E DE CUIDADO, TANTO ESTÁVEL QUANTO CONTÍNUO. 
RELEMBRO AGORA QUE UM DIA LI EM UM LIVRO ALGO SOBRE FELICIDADE, E GOSTEI TANTO QUE PARA REALMENTE ASSIMILAR, RESOLVI ESCREVER NUMA AGENDA PRA EVITAR ESQUECER OU PERDER, E DIZ O SEGUINTE: “A FELICIDADE É SEMPRE UM SUBPRODUTO. NÃO ADIANTA PERSEGUIR A FELICIDADE. SÓ SE É FELIZ PRATICANDO A BONDADE. AS PESSOAS MAIS FELIZES QUE CONHEÇO NEM TÊM CONSCIÊNCIA DISSO. SÓ PENSAM EM SER BONS VIZINHOS, SOLIDÁRIOS, PRESTATIVOS. E, ENQUANTO ESTÃO OCUPADOS FAZENDO O BEM, A FELICIDADE ENTRA DE MANSINHO PELA PORTA DOS FUNDOS.” MARAVILHOSA DEFINIÇÃO! 
NESSA JORNADA AMOROSA, LEVAMOS TEMPO, MUITO TEMPO, ÀS VEZES, CAPTURANDO UMA FELICIDADE FANTASIOSA, REPLETA DE EXPECTATIVAS IRREAIS, ENQUANTO PODERÍAMOS ESTAR APROVEITANDO A FELICIDADE QUE ESTÁ ALI, DIANTE DE NÓS, TOTALMENTE AO NOSSO ALCANCE. 
E É SOMENTE QUANDO TEMOS AMOR-PRÓPRIO E AUTO-ESTIMA QUE SOMOS CAPAZES DE AMAR E ENTREGAR NOSSAS EMOÇÕES E SENTIMENTOS,  AÍ ENTÃO, PROVAVELMENTE, DESPERTAREMOS O AMOR GENUÍNO. 
“AMAMOS QUEM NOS ACEITA COMO SOMOS, FAZENDO COM QUE NOS TORNEMOS MELHORES. AMAMOS QUEM REFLETE UMA IMAGEM NOSSA QUE NOS AGRADA. AMAMOS QUEM É CAPAZ DE DESPERTAR NOSSAS ENERGIAS EMOCIONAIS E CRIATIVAS ATÉ ENTÃO ADORMECIDAS. AMAMOS QUEM AJUDA A NOS TRANSFORMARMOS EM PESSOAS AMOROSAS.” HAROLD KUSHNER -  ADORO ESSA CITAÇÃO! 
E ATRAVESSANDO A VIDA NESSE PERCURSO AMOROSO-AFETIVO DO COTIDIANO, DE REPENTE, NOS VEMOS REAGINDO DE FORMA NOVA: QUEBRANDO BARREIRAS E PRECONCEITOS, VAMOS NOS DISTANCIAMOS DA INFLEXIBILIDADE, DA PERSEGUIÇÃO AO OUTRO, DE INSISTIR NA PERSISTÊNCIA POR PESSOAS PERFEITAS E IDEAIS, PARA ENTÃO NOS APROXIMARMOS DOS QUE SÃO DIFERENTES DE NÓS. E PERCEBO QUE É SOMENTE AÍ QUE, SURPREENDENTEMENTE, NOS REVELAMOS MUITO MAIS DISPOSTOS A AMAR. 
SABEMOS QUE É MUITO FÁCIL AMAR OS QUE NOS AGRADAM E SATISFAZEM OS NOSSOS DESEJOS, BEM COMO OS QUE NOS RECONHECEM, ELOGIAM, VALORIZAM E SE DEDICAM A NÓS. 
É PRUDENTE NOS RECORDARMOS DE QUE O AMOR É UM PROCESSO CONTÍNUO DE CONSTRUÇÃO QUE FAZEMOS AGORA, NO MOMENTO VIVIDO, É O NOSSO “PRESENTE”; O QUE FICOU É PASSADO, OU SEJA, LEMBRANÇA E SAUDADE; O QUE PENSAMOS E ALMEJAMOS CONQUISTAR É FUTURO, OU SEJA, PURA IMAGINAÇÃO, FÉ, EXPECTATIVA E ESPERANÇA. 
CONTINUO NO TRAJETO AMOROSO DESSA VIDA, CONVENCIDA DE QUE O AMOR SE NUTRE DA FELICIDADE MOMENTÂNEA E NOS SUPRE DEFINITIVAMENTE, NESSE INSTANTE VITAL. AGORA, JÁ... NÃO É ACONSELHÁVEL DEIXAR PARA AMAR AMANHÃ, DEPOIS DE AMANHÃ... É SIMPLES ASSIM, O AMOR... 
E O MELHOR, O QUE É TUDO DE BOM E LINDO MESMO É TER A CONVICÇÃO QUE SER FELIZ E DE BEM COM A VIDA É, ESSENCIALMENTE, AMAR!

CONHECENDO ITA PORTUGAL





Eu sou assim mesmo, tenho o gosto de inocência em minha boca. Quero tudo ao mesmo tempo e não me conformo com respostas pela metade. Esta minha mania de querer explicação pra tudo já me rendeu algumas dores de cabeça. Mas é assim mesmo, eu gosto de puxar o fio da meada, dar os nós, tecer os fios e fazer a colcha.
Gosto de gente por inteira e que como eu, muda sempre que for preciso, mas nunca se dá pela metade. Espere sempre isso de mim.
Alegria pra mim tem que ser completo, o choro tem que ser as bicas. Sou exagerada por natureza, por isso se for me abraçar que seja bem forte e bem intenso. Meus sonhos são imensos e se misturam com realidade de tal forma que me atrapalho.
Não me traga questões complexas, pois costumo tentar definir e decifrar ao mesmo tempo, mas meu limite é pequeno; se não resolvo na hora, costumar deixar em um canto.
Cuidado comigo, sou bruta e não aceito grosserias. Costumo revidar, mas não com a mesma moeda, revido com a minha que pode ser o silêncio ou um largo e atrapalhado discurso. Sou também meio bicho do mato, gosto do meu canto, por isso posso sair por ai, mas voltar depressa para meus cheiros, meus lençóis, meu refúgio. Sou também cheia de projetos, desde fazer uma viagem à África por uma boa causa social, escrever um livro, que, aliás, nunca comecei, até criar uma ONG.
Nada me amedronta, nem a distância, nem a lonjura, aliás, me amedronta o egoísmo, a inveja, a maldade, a dureza do coração. O resto eu vou levando, nem sempre com o jeitinho que eu gostaria, mas levo.
Queria ser melhor, mas faço o que posso. Apesar de tudo, meu coração é de açúcar. Se brigo, no mesmo instante me arrependo e volto atrás. Gosto muito de tocar o coração e da mesma forma um afago me derrete.
Um dia estou triste e no outro novinha em folha e ainda me emociono com flores, carinho, bondade, amor. Experimente me entender, neste emaranhado de coisas.
Para mim o mundo é pequeno e nada me amedronta. E eu ainda acabo acreditando que o pra sempre é de verdade e o nunca mais, ilusão.





O mundo que me cabe
Eu carrego o mundo onde não cabe nos meus sonhos. Carrego as doçuras, mas também as indecisões. Carrego alegrias que se misturam com as dores. E é disso que minha vida é feita, de tudo e mais um pouco e eu me esbaldo nestas coisas e fico tecendo uma colcha que me defina.
Tenho uma alma criança e vou continuar assim. Gosto de abraços apertados, sentir a alegria por completo, inventar o mundo, reinventar amores, misturar os sonhos em realidade.
Gosto de tudo ao meu modo e assim reinvento e costuro todos os meus pensamentos. O simples me fascina, o difícil me aborrece. Para mim o mundo é enorme e não entendo como as coisas envelhecem e o planeta gira e o amor daqui é igual em todo lugar. Bom, entender eu até entendo, mas algumas coisas eu acho complicadas demais, por exemplo: como pode o mar ser tão grande, o mundo ser colorido e o sol aparecer justamente quando a lua vai embora?
Quem inventou a saudade? Como se faz para tocar a alma? Tem coisas que para mim precisam ter explicações, mas também se não tiverem vou continuar tentando entender. Tenho um coração maior do que eu, maior que meus sonhos. Parece que ele mesmo nem cabe em mim. Nunca sei a altura de minha risada quando estou feliz nem o tamanho de meus sonhos. E por falar em sonhos, sonhos pra mim é aquilo que vou realizar quando eu rabiscar meus desejos no papel e eles saírem correndo direto para meu coração. E olha que tenho muitos sonhos que rabisco, leio, releio, prego na parede para eu olhar todos os dias e lembrar que ali estão os meus desejos mais secretos.

Se
Se
Se eu correr, me acompanhe. Se eu esmorecer me apoie. Se eu tentar desistir, não me deixe.
Se a alegria me faltar em alguns momentos, faça riso. Se eu tiver dúvidas me dê razões para eu confiar. Sobretudo se eu disser, preciso de ti, fique, porque é de ti que eu realmente preciso.





Tenho pavor de não ser eu. Precisar esconder as emoções, ficar calada porque é mais bonito. Esperar a conquista acontecer.
Não ando mais a fim de grandes projetos, sonhos, metas absurdamente altas, objetivos loucos.
Quero mais é tomar sorvete e me lambuzar, ler um bom livro, sair de cabelo molhado e cara lavada e nem me importar se alguém estranhar isso.
Ando com vontade de viver o exagero da simplicidade





Imperfeita
Eu já o deixe ir quando na verdade eu queria que ele ficasse, aliás eu pedi que fosse.
Eu já chorei todas as dores, todos os amores e todas as angústias. Pensei que não ia passar, mas passou.
Eu já tentei posar de perfeita, mas deu tudo errado e consegui me recompor.
Eu já andei por caminhos que eu tinha certeza. Até que eu percebi que estava na trilha errada.
Eu já procurei mil motivos para ser feliz e os motivos eram tão repen- tinos que passavam.
Hoje, eu sei com absoluta certeza de que não há nada de errado comigo. Sou imperfeita na tentativa de acertar.




Não quero perder meus sonhos. Não posso deixar o vento levar as ilusões.




Dois em um
Ela; quase bonita, quase comum, de cabelo normal,geométrica, tipo mignon, ora alegre, ora triste, espécie maternal, romântica, pés no chão, pés na lua, noturna, complicada, simples,musa de si mesma e tudo o que se pode acrescentar de um ser aparente sensível e sem méritos para nenhum destaque em livro de recordes.
Ele: quase forte, quase decidido, só às vezes romântico alto o suficiente, quase bonito, moreno como estava previsto pra ser, esquecido, lunático, panturrilhas, couro cabeludo, coração, tudo onde deveria estar. Ora sozinho, ora por ai.
Encontro, olhares, conversa café, outro gole, gosto musical, sintonia, risadas, pés, mãos entrelaçadas, olhares de novo, piscadinhas, concordância, fim de noite, cupido, conversas, beijos, carro, apartamento, desejos, roupas no chão, química, cheiro, pele, gosto, respiração, sentimento, teto, céu, afeto, ombro, colo, silêncio.
Isso também era amor.





Por enquanto
Por enquanto eu estou aqui. Não necessariamente no mesmo lugar, pois dei algumas voltas, troquei a posição, troquei as flores, mudei de roupa. Mas estou na mesma área, pelo menos ainda resido no raio dos poucos quilômetros afetivos que nos pertencia.
Ainda estou aqui, sem demarcar fronteiras, cantando todas as canções e por acaso com o mesmo sentimento personalizado, ironicamente agora sentido, à prestação. Ainda tenho algumas edições de saudade, apenas algumas. Estou em fim de temporada, mas ainda resta uma sutil ilusão.
Por enquanto ainda funciona a minha invenção de que a gente se queria e por isso ainda rola algumas canções, algumas fantasias. Pelos últimos acontecimentos, ou seja, pela falta de acontecimentos, eu presumo que pouco vou me demorar neste mesmo lugar e se resolver chegar, que seja bem depressa porque meu coração pode ficar audacioso e tomar outro rumo sem nenhum enunciado. Ainda estou, mas se eu for, é porque precisei me refazer e estacionar em outro lugar.




O AMOR MODERNO
Fragmentos do texto: O amor moderno
o amor moderno tem consultório que geralmente custa muito caro.
O amor moderno quando tem crises, vai ao terapeuta. O terapeuta que não tem nada a ver com isso, prescreve um livro de auto-ajuda, marca a próxima consulta e manda cada um pra sua casa.
O amor moderno mesmo, divide bens em advogado, paga pensão, faz escala de visitas para as crianças, decide as férias que geralmente não é coletiva.
Quando o amor é super moderno,depois de juntar os trapinhos, pede-se um tempo para outras experiências. Amor moderno que se respeite e que tem status, discute a relação por e-mail porque é mais rápido.
Amor atual é aquele cheio de compatibilidade tal como dois banheiros.
Amor que é amor, mata-se em nome dele. E tudo bem, ficamos assim combinados porque moderno eu não quero ser




Solidão é quando você não tem de de quem sentir saudades




POR QUE O MOÇO NÃO RESPONDEU SEU EMAIL ?
Em plena era da tecnologia, onde tudo parece mais fácil e rápido, você se pergunta: Porque o moço não respondeu o e-mail? Não era spam, não era desaforo, nem vírus. Era o seu e-mail, bem sutil e com saudades.
No excessivo suor de sua saudade, existia um e-mail. Até você chegar a este ponto, levantou um ar de abuso nos seus sentimentos, mas a pergunta continua. A esta altura, você já ouviu todas as canções para relembrar do moço e suas articulações passam da tensão ao relaxamento.
Da saudade a indagação, tem um maldito e-mail não respondido.
Seus botões até pensam por você. Pensam no dia do “cinema esquecido”, nos carinhos comedidos e a lista vai crescendo. Do e-mail que mandou, agora você deseja, se fosse uma carta, rasgar. A razão toma conta e a lista continua crescendo. O celular desligado, o sms sem resposta. Nesta seleção o e-mail até parece uma fichinha. Bom, já mandou, agora não pode fazer mais nada.
Mas você promete de pés juntos, jura, faz promessas e tudo que é digno de um cristão não praticante fazer: se ele responder, de propósito não vai dar atenção. Ainda mais, você olha para seu coração e diz: nunca mais!
O amor e o ódio se revezam entre o e-mail não respondido, a resposta desejada e o esquecimento que precisa acontecer no seu coração.
O tempo avança e nada do sujeito. Tudo bem- pensa você, chorando até quase morrer- eu já não me importava com aquele tolo. E você vai vivendo com cada pisada, que o sujeito te deu e nenhum palavrão é capaz de traduzir.
Suprimindo as incontáveis vontades de esmurrar, xingar, receber uma resposta, você vai vivendo, ou melhor, vai morrendo por dentro. Trezentos “nãos”, agora fazem parte do seu imenso vocabulário para o sujeito que também “não” correspondeu aos seus anseios. Até que um belo dia, você abre o seu correio eletrônico e está lá, um email: eu também tenho saudades. Curto, objetivo e definitivo.
Você pensa alto: não é que meu amor, respondeu!
Bastaram dois segundos e tudo mudou. Telefona, manda outro e-mail, preenche as lacunas de saudades, remenda o coração e se convence de que ele é o homem de sua vida. E que porra de vida. Fazer o que?



"Os sonhos acabam onde a fé permanece.
Sem fé não há esperança, sem sonhos não há ilusão.
Abençoados são aqueles que possuem fé nos seus sonhos.
Abençoados são os que mesmo sem sonhos, possuem a fé."



"Não é necessário melhorar a aparência, adquirir muita cultura, aumentar o salto do sapato, levantar mais o nariz. Precisamos diminuir o barulho, caminhar mais devagar, prestar atenção em quem chega, abaixar a cabeça e colocar a humildade pra funcionar. Somos grandes, quando somos pequenos."






20/05/13

CONHECENDO UM POUCO DE FERNANDO ANITELLI


Fernando Anitelli é um músico, compositor, ator e o responsável pela crianção do Teatro Mágico, projeto inspirado no livro do escritor alemão Hermann Hesse.

A estrela que eu escolhi não cumpriu com o que eu pedi e hoje não a encontrei, pois caiu no mar, e se apagou. Se souber nadar, faça-me o favor, o milagre que esperei nunca me aconteceu. Quem sabe é só você pra trazer o que já é meu.

Todo sopro que apaga uma chama reacende o que for pra ficar...

Descobrir o verdadeiro sentido das coisas é querer saber demais!

Metade de mim agora é assim, de um lado a poesia o verbo a saudade, do outro a luta, a força e a coragem pra chegar no fim. E o fim é belo, incerto... depende de como você vê!

O dia mente a cor da noite e o diamante a cor dos olhos. Os olhos mentem dia e noite a dor da gente.

Sonho parece verdade quando a gente esquece de acordar. E o dia parece metade quando a gente acorda e esquece de levantar. Ah! e o mundo é perfeito, mas o mundo é perfeito, e o mundo é perfeito...

Chego voando pra te visitar, talvez por engano eu venha te beijar, mudo meu plano pra nao te machucar, to aqui soprano, o que alumia meu cantar...

Acredito que errado é aquele que fala correto e não vive o que diz.

A razão é como uma equação
De matemática... tira a prática
De sermos... um pouco mais de nós!



Os opostos se distraem, os dispostos se atrem


"(...)Daquilo que é óbvio, daquilo que nos faz um tanto bem maior, daquilo que nos faz amadurecer diariamente:
A capacidade que a gente tem de olhar no olho, de agradecer, de poder dialogar, críticar com sensibilidade, com coragem.
Que a gente saiba valorizar cada momento nosso, porque todo mundo aqui já está automaticamente em extinção;
Só existe um de cada um de nós.
Que a gente saiba cuidar muito disso, por isso, nesse momento, a trupe aqui em baixo se junta com todos vocês e apresenta com muito carinho,vocês:
-Só enquanto eu repirar, vou me lembrar de você, só enquanto eu respirar..."



O dia mente a cor da noite
E o diamante a cor dos olhos
Os olhos mentem dia e noite a dor da gente"

Enquanto houver você do outro lado
Aqui do outro eu consigo me orientar
A cena repete a cena se inverte
enchendo a minha alma d'aquilo que outrora eu deixei de acreditar

tua palavra, tua história
tua verdade fazendo escola
e tua ausência fazendo silêncio em todo lugar

metade de mim
agora é assim
de um lado a poesia o verbo a saudade
do outro a luta, a força e a coragem pra chegar no fim
e o fim é belo incerto... depende de como você vê
o novo, o credo, a fé que você deposita em você e só

Só enquanto eu respirar
Vou me lembrar de você



Eu não sei na verdade quem eu sou
já tentei calcular o meu valor
Mas sempre encontro um sorriso e o meu paraíso é onde estou
Por que a gente é desse jeito?
criando conceito pra tudo que restou

Meninas... são bruxas e fadas
Palhaço é um homem todo pintado de piadas
Céu azul é o telhado do mundo inteiro
Sonho é uma coisa que fica dentro do meu travesseiro

Eu não sei na verdade quem eu sou
Já tentei calcular o meu valor
Mas sempre encontro um sorriso... e o meu paraíso é onde estou
Eu não sei... na verdade quem eu sou

Perguntar... da onde veio a vida
por onde entrei... deve haver uma saída
e tudo fica sustentado... pela fé
Na verdade ninguém... sabe o que é

Velhinhos são crianças nascidas faz tempo
com água e farinha colo figurinha e foto em documento
Escola! É onde a gente aprende palavrão...
Tambor no meu peito faz o batuque do meu coração

Eu não sei na verdade quem eu sou
Já tentei calcular o meu valor
Mas sempre encontro sorriso... e o meu paraíso é onde estou
Eu não sei... na verdade quem eu sou

Percebi que a cada minuto
Tem um olho chorando de alegria e outro chorando de luto
Tem louco pulando o muro, tem corpo pegando doença
Tem gente trepando no escuro, tem gente sentido ausência

Meninas... são bruxas e fadas
Palhaço é um homem todo pintado de piadas
Céu azul é o telhado do mundo inteiro
Sonho é uma coisa que fica dentro do meu travesseiro.

02/05/13

É urgente recuperar o sentido de urgência - ELIANE BRUM

Nós, que podemos ser acessados por celular ou internet 24 horas, sete dias por semana, estamos vivendo no tempo de quem?

A provocação é muito precisa. Se há algo que se perdeu nessa época em que a tecnologia tornou possível a todos alcançarem todos, a qualquer tempo, é o conceito de urgência. Vivemos ao mesmo tempo o privilégio e a maldição de experimentarmos uma transformação radical e muito, muito rápida em nosso ser/estar no mundo, com grande impacto na nossa relação com todos os outros. Como tudo o que é novo, é previsível que nos atrapalhemos. E nos lambuzemos um pouco, ou até bastante. Nessa nova configuração, parece necessário resgatarmos alguns conceitos, para que o nosso tempo não seja devorado por banalidades como se fosse matéria ordinária. E talvez o mais urgente desses conceitos seja mesmo o da urgência.
Estamos vivendo como se tudo fosse urgente. Urgente o suficiente para acessar alguém. E para exigir desse alguém uma resposta imediata. Como se o tempo do “outro” fosse, por direito, também o “meu” tempo. E até como se o corpo do outro fosse o meu corpo, já que posso invadi-lo.
ado esse protesto/desabafo no Twitter. “Urgente não é mais urgente. Não tem mais significado nenhum.” Ele se referia tanto ao urgente usado para anunciar notícias nada urgentes nos sites e nas redes sociais, quanto ao urgente que invade nosso cotidiano, na forma de demanda tanto da vida pessoal quanto da profissional. Depois disso, Gabriel passou a postar uns “tuítes” provocativos, do tipo: “Urgente! Acordei” ou “Urgente: hoje é sexta-feira”, simbolicamente, a qualquer momento. Como se os limites entre os corpos tivessem ficado tão fluidos e indefinidos quanto a comunicação ampliada e potencializada pela tecnologia. Esse se apossar do tempo/corpo do outro pode ser compreendido como uma violência. Mas até certo ponto consensual, na medida em que este que é alcançado se abre/oferece para ser invadido. Torna-se, ao se colocar no modo “online”, um corpo/tempo à disposição. Mas exige o mesmo do outro – e retribui a possessão. Olho por olho, dente por dente. Tempo por tempo.
Como muitos, tenho tentado descobrir qual é a minha medida e quais são os meus limites nessa nova configuração. E passo a contar aqui um pouco desse percurso no cotidiano, assim como do trilhado por outras pessoas, para que o questionamento fique mais claro. Descobri logo que, para mim, o celular é insuportável. Não é possível ser alcançada por qualquer um, a qualquer hora, em qualquer lugar. Estou lendo um livro e, de repente, o mundo me invade, em geral com irrelevâncias, quando não com telemarketing. Estou escrevendo e alguém liga para me perguntar algo que poderia ter descoberto sozinho no Google, mas achou mais fácil me ligar, já que bastava apertar uma tecla do próprio celular. Trabalhei como uma camela e, no meu momento de folga, alguém resolve me acessar para falar de trabalho, obedecendo às suas próprias necessidades, sem dar a mínima para as minhas. Não, mas não mesmo. Não há chance de eu estar acessível – e disponível – 24 horas por sete dias, semana após semana.
Me bani do mundo dos celulares, fechei essa janela no meu corpo. Mantenho meu aparelho, mas ele fica desligado, com uma gravação de “não uso celular, por favor, mande um e-mail”. Carrego-o comigo quando saio e quase sempre que viajo. Se precisar chamar um táxi em algum momento ou tiver uma urgência real, ligo o celular e faço uma chamada. Foi o jeito que encontrei de usar a tecnologia sem ser usada por ela.
Minha decisão não foi bem recebida pelas pessoas do mundo do trabalho, em geral, nem mesmo pela maior parte dos amigos e da família. Descobri que, ao não me colocar 24 horas disponível, as pessoas se sentiam pessoalmente rejeitadas. Mas não apenas isso: elas sentiam-se lesadas no seu suposto direito a tomar o meu tempo na hora que bem entendessem, com ou sem necessidade, como se não devesse existir nenhum limite ao seu desejo. Algumas declararam-se ofendidas. Como assim eu não posso falar com você na hora que eu quiser? Como assim o seu tempo não é um pouco meu? E se eu precisar falar com você com urgência? Se for urgência real – e quase nunca é – há outras formas de me alcançar.
Percebi também que, em geral, as pessoas sentem não só uma obrigação de estar disponíveis, mas também um gozo. Talvez mais gozo do que obrigação. É o que explica a cena corriqueira de ver as pessoas atendendo o celular nos lugares mais absurdos (inclusive no banheiro...). Nem vou falar de cinema, que aí deveria ser caso de polícia. Mas em aulas de todos os tipos, em restaurantes e bares, em encontros íntimos ou mesmo profissionais. É o gozo de se considerar imprescindível. Como se o mundo e todos os outros não conseguissem viver sem sua onipresença. Se não atenderem o celular, se não forem encontradas de imediato, se não derem uma resposta imediata, catástrofes poderão acontecer.
O celular ligado funciona como uma autoafirmação de importância. Tipo: o mundo (a empresa/a família/ o namorado/ o filho/ a esposa/ a empregada/ o patrão/os funcionários etc) não sobrevive sem mim. A pessoa se estressa, reclama do assédio, mas não desliga o celular por nada. Desligar o celular e descobrir que o planeta continua girando pode ser um risco maior. Nesse sentido, e sem nenhuma ironia, é comovente.
Por outro lado, é um tanto egoísta, já que a pessoa não se coloca por inteiro onde está, numa aula ou no trabalho ou mesmo em casa – nem se dedica por inteiro àquele com quem escolheu estar, num encontro íntimo ou profissional. Está lá – mas apenas parcialmente. Não há como não ter efeito sobre o momento – e sobre o resultado. A pessoa está parcialmente com alguém ou naquela atividade específica, mas também está parcialmente consigo mesma. Ao manter o celular ligado, você pertence ao mundo, a todo mundo e a qualquer um – mas talvez não a si mesmo.
Me parece descortês alguém estar comigo num restaurante, por exemplo, e interromper a conversa e a comida para atender o celular. Assim como me parece abusivo ser obrigada a aturar os celulares das pessoas ao redor tocando em todas as modalidades e volumes, invadindo o espaço de todos os outros sem nenhuma consideração. Ou ainda estar em um lugar público e ter de ouvir a narração de uma vida privada, uma que não conheço nem quero conhecer. Será que isso é realmente necessário? Será que uma pessoa não pode se ausentar, ficar incomunicável, por algumas horas? Será que temos o direito de invadir o corpo/tempo dos outros direta ou indiretamente? Será que há tantas urgências assim? Como é que trabalhávamos e amávamos antes, então?
Bem, eu não sou imprescindível a todo mundo e tenho certeza de que os dias nascem e morrem sem mim. As emergências reais são poucas, ainda bem, e para estas há forma de me encontrar. Logo, posso ficar sem celular. Mas tive de me esforçar para que as pessoas entendessem que não é uma rejeição ou uma modalidade de misantropia, apenas uma escolha. Para mim, é uma maneira de definir as fronteiras simbólicas do meu corpo, de territorializar o que sou eu e o que é o outro, e de estabelecer limites – o que me parece fundamental em qualquer vida.
Tentei manter um telefone fixo, com o número restrito às pessoas fundamentais no campo dos afetos e também no profissional. Mas o telemarketing não permitiu. É impressionante como as empresas de todo o tipo – e agora até os candidatos numa eleição – acham que têm o direito de nos invadir a qualquer hora. Considero uma violência receber uma ligação ou gravação dessas dentro de casa, à minha revelia. E parece que sempre encontram um jeito de burlar nossas tentativas de barrar esse tipo de assédio. Assim, também botei uma gravação no telefone fixo – e ele virou um telefone só para recados, porque foi o único jeito que encontrei de impedir o abuso do mercado.
Minha principal forma de comunicação é hoje o e-mail, porque sou eu que escolho a hora de acessá-lo. E, ao procurar alguém, seja por motivo profissional ou pessoal, tenho certeza de não estar invadindo seu cotidiano em hora imprópria. É assim que combino encontros e entrevistas ao vivo, que são os que eu prefiro. Ou marco horário para conversas por Skype com quem está em outra cidade ou país. E quando viajo ou preciso desaparecer do mundo, para ficar só comigo mesma, ou me dedicar a um outro por completo, ou à escrita de um livro, basta deixar uma mensagem automática. Tento me disciplinar para acessar o Twitter, que para mim é hoje uma ferramenta fundamental para dar, receber e principalmente compartilhar informações, em horários específicos. E desligo o computador antes de dormir, como gesto simbólico que diz: fechei a porta.
Uma amiga foi assaltada por uma insônia persistente. Ao despertar, na madrugada, tinha a sensação de que o mundo se movia em ritmo veloz enquanto ela dormia. Parecia que estava perdendo algo importante, que ficaria para trás. E parecia até que estava morta para o mundo, “offline”. Às vezes não resistia e saía da cama para caminhar até o escritório, onde ficava o computador, e entrar no Facebook e no Twitter, dar uma circulada nos sites de notícias, manter-se desperta, presente e alinhada ao mundo que não parava, correndo atrás dele. Depois, passou a deixar o notebook ao lado da cama e já acessava a internet dali mesmo, apesar dos protestos do marido.
Quando a insônia já estava comprometendo seriamente os seus dias, ela procurou um psiquiatra em busca de remédio. O médico perguntou bastante sobre seus hábitos, e ela descobriu que o pesadelo que a deixava insone era aquele computador ligado, com o mundo acontecendo dentro dele num ritmo que ela não podia acompanhar nem mesmo se mantendo acordada por 24 horas. Bastou desligar o computador a cada noite para que passasse a despertar menos vezes e menos sobressaltada nas madrugadas. Aos poucos, voltou a dormir bem. O mundo estava onde devia estar – e ela também, na cama. Estava offline, mas viva.
Conheço pessoas que botam fita adesiva sobre a câmera do computador. Foi o meio encontrado para se protegerem da sensação de que estavam sendo espiadas/monitoradas 24 horas por dia por algum tipo de Big Brother – no sentido do 1984, do George Orwell (não no do reality show da TV Globo). A câmera tinha se tornado uma espécie de olho do mundo, que podia abrir as pálpebras mesmo à revelia, como nas histórias fantásticas e nos filmes de terror.
Conto minhas (des)venturas, assim como as de outros, apenas porque acho que não somos os únicos a ter esse tipo de inquietação. É um momento histórico bem estratégico de redefinição de limites, de territórios e também de conceitos. Que tipo de efeito terá sobre as novas gerações a ideia de que não há limites para alcançar, ocupar e consumir o tempo/corpo dos pais e amigos e mesmo de desconhecidos? Assim como não há limites para ter o próprio tempo/corpo alcançado, ocupado e consumido?

Ainda acho que o gozo de ser imprescindível a quase todos os outros – no sentido de não poder se ausentar ou se calar – e também de ser onipotente – no sentido de alcançar, a qualquer hora, o corpo de todos os outros – é maior do que o incômodo. Mas talvez só aparentemente, na medida em que é possível que não estejamos conseguindo avaliar o estrago que esses corpos/tempos violáveis e violados possam estar causando na nossa subjetividade – e mesmo na nossa capacidade criativa e criadora.
A grande perda é que, ao se considerar tudo urgente, nada mais é urgente. Perde-se o sentido do que é prioritário em todas as dimensões do cotidiano. E viver é, de certo modo, um constante interrogar-se sobre o que é importante para cada um. Ou, dito de outro modo, uma constante interrogação sobre para quem e para o quê damos nosso tempo, já que tempo não é dinheiro, mas algo tremendamente mais valioso. Como disse o professor Antonio Candido, “tempo é o tecido das nossas vidas”.

Essa oferta 24 X 7 do nosso corpo simbólico para todos os outros – e às vezes para qualquer um – pode ter um efeito bem devastador sobre a nossa existência. Um que sequer é escutado, dado o tanto de barulho que há. Falamos e ouvimos muito, mas de fato não sabemos se dizemos algo e se escutamos algo. Ou se é apenas ruído para preencher um vazio que não pode ser preenchido dessa maneira.

Será que não é este o nosso mal-estar?
Viver no tempo do outro – de todos e de qualquer um – é uma tragédia contemporânea.