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26/03/12

Não, a vida não começa aos 40 - ELIANE BRUM


 

Quando o marketing publicitário vira filosofia da vida cotidiana

Parece uma epidemia. Não paro de ouvir e de ler que “a vida começa aos 40”. A frase não é nova, talvez tenha até uns 40 anos... Hoje, porém, ela parece ter deixado o marketing publicitário para virar filosofia da vida cotidiana. E em bocas que costumam dizer coisas que valem a pena. De uns tempos para cá, atrizes e escritoras interessantes têm repetido esse slogan, depois de passar dos 40. Nesse verão, li várias vezes essa frase em revistas femininas diferentes, ditas por mulheres diferentes, mas incluídas no pacote do “bonita-e-bem-sucedida”... e com mais de 40.
Entendo que a frase é simpática. E bem intencionada. E tenha sido até revolucionária no passado recente. Afinal, mesmo durante boa parte do século XX acreditava-se que a vida acabava aos 40 – a vida das mulheres, pelo menos. Ou, pelo menos, acreditava-se que, depois dos 40, o mais emocionante que uma mulher poderia esperar seriam os netos (que, acredito, sejam mesmo algo bem emocionante). Entendo também que é uma conquista existirem protagonistas de novelas com mais de 40 anos e mulheres em todas as áreas criando depois dos 40. Receio, porém, que estejamos enfiando o nosso pé em uma nova armadilha. E, em vez de uma frase meio marqueteira, meio lugar comum, que se diz aqui e ali quando falta assunto, ao ser levada a sério torne-se uma sentença.
O que significa “a vida começa aos 40”? Fiz uma pequena pesquisa em blogs e revistas e parece que significa o seguinte: a vida começaria aos 40 porque as mulheres ainda estariam bonitas, já seriam donas de uma carreira consolidada e financeiramente estáveis, teriam passado por percalços suficientes para se sentirem mais confiantes e, então, sem as pressões e inseguranças dos 20 e até dos 30, estariam mais livres para inventar novos rumos para suas vidas – e novos rumos que estariam mais próximos de seus desejos.
Significava também que, aos 40, as mulheres já estariam com os filhos crescidos e, portanto, teriam superado certo peso da maternidade. Mas acho que essa parte do pacote já perdeu força, na medida em que hoje muitas mulheres estão justamente tentando engravidar ou com filhos pequenos ao completar 40 anos. Nesse sentido, o mais correto a afirmar nesses dias é que, em muitos casos, a vida dos filhos começa quando suas mães têm 40 anos. E acho que este é um bom tema para outro momento.
Por que eu desconfio da afirmação de que “a vida começa aos 40”? Primeiro, porque nela está implícito que existe uma espécie de “vida de verdade”, enquanto a outra, a que veio antes, seria uma vida menor. Eu acho que é preciso ter medo, muito medo, da tal da “vida de verdade”.    
Seja aos 40 ou em qualquer idade, a tal da “vida de verdade” é fonte de muito sofrimento desnecessário. Ela coloca nossas vidas imperfeitas – e tudo e todos que dela fazem parte – como sendo sempre insuficientes diante de alguma outra vida imaginária. Ou nos instala no modo de espera de algo extraordinário que ainda vai acontecer e nos arrancar do que interpretamos como uma mesmice aquém do que merecemos. A “vida de verdade” é uma grande mentira. E a história de que “a vida começa aos 40” a reforça. Nesse ritmo, talvez a vida não comece nunca. E acho que há gente demais – mulheres e homens – vivendo à espera de que a vida comece, sem reparar que ela já vai pelo meio.
Se formos levar na literalidade da letra que a vida começa aos 40, seria muito triste. Seria mesmo desesperador. Se, ao alcançar os 40 uma mulher chegasse à conclusão de que o que se passou antes foi apenas um preâmbulo para uma vida – e não a vida em si, com toda a sua quantidade de drama e de nadas – haveria um motivo bastante legítimo para se matar aos 40. Afinal, o que foi que você fez antes se não era vida o que estava acontecendo?
Mas, digamos que essa mulher hipotética seja intrépida o suficiente para pensar: “Oquei, tudo o que veio antes foi tempo perdido, ou apenas uma preparação para o que está por vir, mas agora a vida de verdade começa”. Nesse caso, ela também chegaria à conclusão de que seria uma existência muito curta. Com a expectativa de vida de 77 anos, segundo o último censo do IBGE, as brasileiras teriam aí, em média, uns 37 anos pela frente.
Nesses 37 anos, mesmo que essa mulher seja saudável como uma vaca de leilão, teria de lidar com problemas de saúde aqui e ali, depois aqui, ali e em toda parte. Teria de lidar com as letras que vão diminuindo de tamanho bem diante dos seus olhos. Teria de lidar com a perda progressiva da juventude. E teria de lidar com a velhice dos pais, com a sua própria, e também com a morte daqueles a quem ama. É muita coisa para lidar, não? Se além de tudo isso a vida estiver começando... coitadas de nós.
Ao defender que “a vida começa aos 40”, portanto, estamos nos lançando em um paradoxo lógico: “a vida começaria no mesmo momento em que chega à metade”. E não a qualquer metade, mas a uma metade que envolve declínio físico, perdas inescapáveis e termina em morte. Parece deprimente? Seria, se fosse só isso, mas há também muitas possibilidades interessantes em curso, se tivermos aprendido algo em algum momento anterior. Triste? Algumas vezes muito triste, com certeza, mas também engraçada, se já conseguirmos rir de nós mesmas, e com um monte de coisas para inventar e para experimentar – e outras que só nos resta aceitar. É a vida, com sua mistura de tragédia e de comédia e um bocado de espaços vazios e de repetições.
Despida de seu conteúdo revolucionário, que fazia sentido em décadas passadas, mas hoje não me parece que faça mais, a máxima de que “a vida começa aos 40” pode se tornar uma autossabotagem. Temos medo, quando chegamos aos 40, porque uma metade da vida já passou – e justamente a metade em que éramos jovens. Para as mulheres é de certo modo mais difícil porque a exigência de que pareçamos jovens é maior. E por causa dela muitas se lançam aos bisturis para adiar o inevitável, nem sempre com resultados satisfatórios. Sem falar nas injeções na testa, que de piada viraram coisa séria e dispendiosa desde a invenção do botox. Mas não acho que transformar nosso medo em autoafirmação seja uma boa ideia. Tipo: “Ah, que maravilha, cheguei aos 40 anos e agora começa a melhor época da minha vida!”. Soa meio bobo, não? Não é possível que 40 anos de vida não tenha nos permitido dizer algo mais instigante.
É preciso que a vida antes dos 40 tenha sido bem ruim para que o que venha depois seja tão melhor assim a ponto de se tornar a vida inteira. Se não foi tão ruim antes dos 40, também não é preciso temer que seja tão pior depois, a ponto de se tornar necessário gritar em público que os 40 estão sendo uma libertação ou uma epifania ou a abertura de “2001, uma odisseia no espaço”.
Como tudo nesse nosso mundo de mercadorias, o conteúdo revolucionário de ontem virou propaganda de hoje para nos vender um montão de produtos. E seria legítimo esperar que pelo menos nisso soasse algum tipo de sirene, já que a maior parte do que tentam nos vender nessa faixa etária onde “a vida começa” seja justamente rejuvenescimento. Contraditório, não? Acreditar que publicidade é filosofia, este é um passo que não precisamos dar.
Fico aqui pensando se não há também certa dose de vingança contra as mais jovens nessas reafirmações constantes da força da mulher dos 40 e dos 50 e além. Algo como: “Vocês têm juventude, corpinho e possibilidades, mas a vida de vocês não tem nenhum significado. A vida de verdade começa aos 40”. Ora, todas nós tivemos 20, e todas as que têm 20 hoje terão 40 e, com sorte, um dia passarão dos 70. Foi importante para mim aos 20 e depois aos 30 saber que existiam mulheres interessantes, criando vidas interessantes, depois dos 40, dos 50 e além. Hoje, perto de completar 46 anos, sonho em chegar aos 80 com uma vida tão significativa como a de Fernanda Montenegro ou como a de uma parteira chamada Jovelina que conheci numa reportagem no Amapá. Mas ao meu próprio modo.
Agora, se essas mulheres que criam coisas interessantes e por isso ganham espaço na mídia e por isso se tornam formadoras de opinião e por isso se tornam perfeitas não para si mesmas, mas para os anunciantes, tivessem feito pouco caso da minha vida de 20 para afirmar a sua de 40, 50 ou além, eu teria ficado muito decepcionada. Não por acreditar nelas, mas por não poder acreditar nelas.
A vida é o que temos e o que fazemos dela, com um pouco de tudo, em qualquer idade. Aos 40, percebemos que começamos a envelhecer. Não acho que devemos negar isso, mesmo porque não adianta. O que vamos dizer aos 50 ou aos 60? Que a vida começa de novo? Ué, mas ela não tinha começado aos 40? E aos 70, 80 ou 90, vamos “descobrir” que a vida começa no fim?
Não existe “vida de verdade” – só existe vida, que é o que está acontecendo agora, seja lá o que for. Acho que vale mais a pena aceitar que envelhecemos e descobrir um jeito de viver com isso. Não começando, mas continuando a criar a melhor vida possível, a melhor vida possível com os limites de cada uma, do jeito de cada uma. E com uma grande dose de generosidade com as nossas atrapalhações – e também com as de quem amamos –seja aos 20, aos 40 ou aos 70.
De minha parte, aos 20 anos eu estava tropeçando nos meus próprios pés e me perguntando o que e quem sou eu. Aos 40 e poucos continuo tropeçando nos meus próprios pés e me perguntando quem e o que sou eu. Não que não tenha descoberto e trilhado algumas pistas, mas é que elas vão se multiplicando e se alargando no percurso. O tempo escasseia, mas o número de perguntas aumenta, o que é um tanto ingrato.
Aos 20 anos, eu não sabia se queria ser jornalista ou bióloga ou garçonete em Amsterdã ou me matar. Aos 40 e poucos eu me confundo com escolhas mais subjetivas, algumas não consigo nem mesmo nomear. E me preocupo muito em não ser uma coisa só, como um daqueles gênios presos em uma garrafa que só realizam o desejo dos outros. Me esforço então para desfazer rótulos sobre mim mesma – e faço caretas para não ficar cristalizada em uma só imagem no espelho, o privado e o público. Nesse momento da vida, como já escrevi aqui, a gente pode descobrir que é tão importante se desinventar como foi um dia se inventar. Mas imagino que, bem perto da morte, ainda vou estar tropeçando em pés com joanetes e pensando: o que e quem sou eu?
Tenho uma amiga dez anos mais velha para quem pergunto todo ano, só para sacanear: Você ficou mais sábia? “Não”, ela sempre responde, “mas estou com uma ruga enorme na testa”. Eu também não fiquei, digo. Mas acho que ficamos ambas, porque rimos disso. Depois dos 40, o que posso afirmar é que a vida, pelo menos para mim, não começou. Continuei perdida, assaltada por perguntas e duvidando das respostas. Mas comecei a entender que esta é uma boa notícia.

23/03/12

Saudação da Aurora

(Antiga Oração em Sânscrito)

  Cuida bem deste Dia,
  porque é o Dia da própria vida da Vida.
  Neste Dia residem todas as Verdades
  e as Realidades de tua Existência:
  a glória da Beleza;
  o esplendor da Ação;
  a bênção do Crescimento.
  Cuida bem deste Dia!
  Pois ontem é apenas um Sonho
  E Amanhã, apenas uma Visão.
  Mas cada Hoje bem vivido
  Torna cada Ontem um Sonho de Felicidade
  E cada Amanhã uma Visão de Esperança.
  Cuida bem, pois, deste Dia.
  Esta é a saudação da Aurora.

Caminhar diariamente também ajuda a manter o cérebro "em forma"

Adultos saudáveis têm o hipocampo anterior 40% mais desenvolvido
           AGORA É QUE EU VOU CORRER MESMO!!!
ROMA, Itália. Pesquisadores de quatro universidades norte-americanas concluíram que uma corrida ou uma caminhada diária é uma importante arma para manter não só o corpo, mas, também, o cérebro em forma. É a ciência comprovando a antiga filosofia de que uma mente sã mora em um corpo são. Essa nova pesquisa põe em xeque trabalhos anteriores, defensores da tese de que a saúde mental pode ser mantida resolvendo-se palavras cruzadas.

De acordo com o estudo realizado por cientistas das universidades de Pittsburgh, Illinois, Rice e Ohio, uma caminhada de 40 minutos por dia diminui o ritmo da queda de memória fisiológica - que está relacionada à idade. Esse tipo de exercício também aumenta o volume do hipocampo, área do sistema nervoso responsável pelo armazenamento das lembranças.

"Essa descoberta é importante especialmente para os pacientes de Alzheimer ou de demência", explica o coordenador de neurobiologia da Escola Internacional de Estudos Avançados (Trieste, Itália), Enrico Cherubini, em entrevista para o jornal italiano "La Repubblica". Mas a relação entre a atividade física e a memória também afeta quem goza de perfeita saúde mental e quer se manter saudável, já que corridas ou caminhadas periódicas irão auxiliar na prevenção desse tipo de doença.

As correspondências entre a dimensão do hipocampo e a melhora da memória já foram demonstradas outras vezes. Pesquisadores das universidades de Illinois e Pittsburgh publicaram, recentemente, o resultado de outra pesquisa que aponta essa relação. Segundo esse estudo, os adultos fisicamente saudáveis tendem a ter o hipocampo anterior 40% mais desenvolvido do que os sedentários. Uma outra pesquisa, do Max Planck Institude (Friburgo, Alemanha), demonstrou que a atividade física influencia positivamente na memória, pois melhora a eficiência vascular. Com veias e artérias mais elásticas, o sangue circula melhor e o cérebro é mais irrigado. Essa pesquisa ressalta também que a atividade física libera neurotransmissores que agem na atenção e no humor, melhorando o funcionamento dos circuitos nervosos cerebrais. Somados, esses estudos são a prova de que menos palavras cruzadas e mais exercícios são o que uma pessoa precisa para se manter saudável física e mentalmente.

Exercite-se. A atividade física também estimula fatores de crescimento, indispensáveis para o desenvolvimento dos neurônios.
Vida social ativa preserva a capacidade mental dos idosos
ROMA. Lapsos de memória são comuns em nosso dia a dia. Frequentemente, nos esquecemos da lista de compras no supermercado, por exemplo. Mas experimente conversar com alguém sobre o esquecimento. Logo, os dados voltam à memória rapidamente.

O fato foi estudado por um grupo de pesquisadores da Universidade de Zurique, na Suíça, que concluiu que conversas e relações sociais podem ser tão eficazes para uma melhora na memória – principalmente de idosos – quanto jogos que estimulam a atividade cerebral. Logo, conclui-se que uma vida social ativa é capaz de preservar as capacidades mentais dos mais velhos.

O estudo é um importante alerta, já que muitos idosos são frequentemente deixados sozinhos, sem ter com quem compartilhar suas experiências do dia a dia. O hábito é prejudicial não só para o humor e a auto estima das pessoas mais velhas, como também se mostra uma ameaça à saúde mental.
JORNAL O TEMPO EM 12/3/12       

22/03/12

Nota de Falecimento do BOM SENSO! DESCONHEÇO O AUTOR


 

MEUS CUNHADOS QUERIDOS: RENEZINHA E CARLITO MANDARAM PRA MIM, LI, GOSTEI E POSTEI!

CARO (A) AMIGO(A),
É com muita tristeza que lhe participamos o falecimento de um amigo muito querido que se chamava BOM SENSO… … e que viveu muitos e muitos anos entre nós.
Ninguém conhecia com precisão a sua idade porque o registro do seu nascimento foi desclassificado há muito tempo, tamanha a sua antiguidade.
Mas lembramo-nos muito bem dele, principalmente pelas suas lições de vida como :
«O mundo pertence àqueles que se levantam cedo »
«Não podemos esperar tudo dos outros »
Ou ainda,
«O que me acontece pode ser em parte também por minha culpa »
E também…
O BOM SENSO só vivia com regras simples e práticas como:
«Não gastar mais do que se tem »
e de claros princípios educativos como :
«São os pais quem dão a palavra final »’
Acontece que, o BOM SENSO começou a perder o chão, quando os pais passaram a atacar os professores, que acreditavam ter feito bem o seu trabalho querendo que as crianças aprendessem o respeito e as boas maneiras.
Sabendo que um educador foi afastado ao repreender um aluno por comportamento inconveniente na aula, agravou-se o seu estado de saúde.
Deteriorou-se mais ainda, quando as escolas foram obrigadas a ter autorização dos responsáveis, até para um curativo no machucado de um aluno.
Enfim, o BOM SENSO perdeu a vontade de viver quando percebeu que os ladrões e os criminosos tinham melhor tratamento do que as suas vítimas.
Também recebeu fortes golpes morais e físicos, quando a Justiça decidiu que era crime defendermo-nos de algum ladrão na nossa própria casa, enquanto a este último é dada a garantia de poder queixar-se por agressão e atentado à integridade física...
O BOM SENSO perdeu definitivamente toda a confiança e a vontade de viver quando soube que uma mulher, por não perceber que uma xícara de café quente iria queimar-lhe, ao derramá-lo em uma das pernas...
Recebeu por isso, uma colossal indenização do fabricante da cafeteira elétrica.
Certamente você já reconheceu, que a morte do BOM SENSO foi precedida pelo falecimento:
Dos seus pais: Verdade e Confiança;
Da sua mulher Discrição;
Da sua filha Responsabilidade e do
Filho Juízo.
Então, o BOM SENSO deixa o seu lugar para três falsos irmãos:
« Eu conheço os meus direitos e também os adquiridos »
« A culpa não é minha »
« Sou uma vítima da sociedade »
Claro que não haverá multidão no seu enterro, porque já não temos muitas pessoas que o conheçam bem, e poucos se darão conta de que ele partiu.
Mas, se você ainda se recorda dele, caso queira reavivar a sua lembrança, previna todos os seus amigos do desaparecimento do saudoso BOM SENSO fazendo circular esta comunicação…

A força dos nossos pés - AUTOR DESCONHECIDO


Desde o dia em que tu nasceste, eu criei a ilusão dentro de mim, que poderia caminhar por ti.
Imaginei que colocaria teus pés sobre os meus e te levaria pelos caminhos que eu julgasse mais tranquilos e seguros.
Dessa maneira, tu nunca feririas teus pés pisando em espinhos ou em cacos de vidro e jamais te cansarias da caminhada. Nem mesmo precisarias decidir qual estrada tomar. Isso seria eternamente minha responsabilidade.
E foi assim durante um bom tempo. Caminhei por ti e para ti.
Então, o tempo veio me avisar bruscamente que essa deliciosa tarefa não faria mais parte dos meus dias.
Teus pés cresceram e eu já não conseguia mais equilibrá-los em cima dos meus e, quando eu menos esperava, eles escorregaram e alcançaram o solo.
Hoje sou obrigado a vê-los trilhar caminhos nos quais os meus jamais os levariam e ainda tento detê-los insistentemente, mas só consigo raríssimas vezes.
Agora só me é permitido correr com os meus junto aos teus e, em certos momentos, teus passos são tão largos que quase não posso acompanhá-los.
Atualmente assisto aos teus tropeços sempre pronto a levantar-te das tuas quedas.
Por vezes, tu me estendes as mãos em busca de socorro.
Outras, mesmo estando estirado ao chão e ferido, insistes em levantares sozinho para me provar que já és capaz de te erguer, após teus tombos e curares as próprias feridas.
Assim vamos vivendo e sinto uma saudade imensurável daquele tempo que precisavas de mim para te conduzir, pois era bem mais fácil suportar teu peso sobre meus pés do que sobre o meu coração.
No entanto, já consigo compreender como a vida é sábia.
Percebo, finalmente, que em algum momento tu precisarias mesmo desbravar teus caminhos independente de mim.
Como eu, é provável que tenhas que fazê-lo com mais alguns pés sobre os teus, os dos teus filhos.
Claro que não é uma tarefa fácil. Mas se eu consegui, tu também conseguirás porque plantei em teu coração o melhor e mais poderoso aditivo para que suportes tanto peso: o amor.
*  *  *
Os filhos são, sem dúvida, um empréstimo Divino.
Com eles aprendemos a lição maior do amor incondicional. Tornamos-nos habilidosos em corrigir nossos piores defeitos e multiplicar os melhores sentimentos.
Se hoje eles estão ao nosso lado, façamos por eles o melhor que pudermos pois, com certeza, logo chegará o tempo em que eles não mais estarão tão próximos.
Quando pequenos, toda a felicidade deles depende dos pais e é realmente doloroso o momento em que constatamos que haverá o tempo em que não mais precisaremos carregá-los e nem guiar os seus passos.
Então preparemos o seu caminho.
Através do amor, ofereçamos a eles toda a bagagem necessária para que possam seguir em frente com força e segurança.
Que eles carreguem a certeza de que, mesmo estando fisicamente distantes, estaremos sempre ao seu lado.

Redação do Momento Espírita, com base em mensagem, de autoria desconhecida.
Em 26.12.2011.

Sociedade de mulheres viris - Martha Medeiros



Existem pessoas frágeis, mas sexo frágil, esqueça. As mulheres nunca estiveram tão fortes, decididas, abusadas até. O que é saudável: quem não busca vigorosamente sua independência acaba sobrando e vivendo de queixas. Uma sociedade de homens e mulheres que prezam sua liberdade e atingem seus objetivos é um lugar mais saudável para se viver. Realização provoca alegria.
O que não impede que prestemos atenção no que essa metamorfose pode ter de prejudicial. As mulheres se masculinizaram, é fato. Não por fora, mas por dentro. As qualidades que lhes são atribuídas hoje, e as decorrentes conquistas dessa nova maneira de estar no mundo eram atributos considerados apenas dos homens. Agora ninguém mais tem monopólio de atributo algum: nem eles de seu perfil batalhador, nem nós da nossa afetividade. Geração bivolt. Homens e mulheres funcionando em dupla voltagem, com todos os atributos em comum. Mas seguimos, sim, precisando uns dos outros – como nunca.
Não são poucas as mulheres potentes que parecem conseguir tocar o barco sozinhas, sem alguém que as ajude com os remos. Mas é só impressão. Talvez não precisemos de quem reme conosco, mas há em todas nós uma necessidade ancestral de confirmar a fêmea que invariavelmente somos. E isso se dá através da maternidade, do amor e do sexo. Se não for possível ter tudo (ou se não quiser), ao menos algumas dessas práticas é preciso exercer na vida íntima, caso contrário, viraremos uns tratores. Muito competentes, mas com a identidade incompleta.
Nossa virilização é interessante em muitos pontos, mas se tornará brutal se chegarmos ao exagero de declarar guerra aos nossos instintos. Ok, ser mãe não é obrigatório, ter um grande amor é sorte, e muitas fazem sexo apenas para disfarçar o desespero da solidão, mas seja qual for o contexto em que nos encontremos, é importante seguir buscando algo que nos conecte com o que nos restou de terno, aquela doçura que cada mulher sabe que ainda traz em si e que deve preservar, porque não se trata de uma fragilidade paralisante, e sim de uma característica intrínseca ao gênero, a parte de nós que se reconhece vulnerável e que não precisa se envergonhar disso. Se é igualdade que a gente quer, extra, extra: os homens também são vulneráveis.
“Cuida bem de mim”, dizia o refrão de uma antiga música do Dalto, e que Nando Reis gravou recentemente. Cafona? Ora, se a gente não se desfizer da nossa prepotência e não se permitir um tantinho de insegurança e delicadeza, a construção desta “nova mulher” terá se desviado para uma caricatura. A intenção não era a gente se transformar no estereótipo de um homem, era?
Cuide-se bem, e permita que os outros lhe cuidem também. Viva o dia internacional dessa porção mulher que anda resguardada demais, mas que não deveria ficar assim tão escondida: não nos desmerece em nada.

Jornal Hoje em Dia – 4/3/12

26 DE ABRIL - DIA MUNDIAL DA BOA ACÃO

Movimento colaborativo A Corrente do Bem desenvolve novo modelo de articulação social on-line



Para a segunda edição no Brasil, a equipe de voluntários do movimento “A Corrente do Bem” desenvolveu uma plataforma on-line, baseada em um mapa colaborativo que divulga as boas ações inspiradas pelo movimento no país – com destaque para as iniciativas encampadas em 26 de abril, Dia Mundial da Boa Ação. A cada iniciativa registrada, uma luz se acenderá no mapa. A meta é superar os resultados obtidos em 2011, ocasião em que mais de 1 milhão de pessoas contaram com impacto direto ou indireto de ações do bem. Entre as empresas e organizações que já confirmaram a participação no Brasil estão Primavera Editorial, ONG Banco de Alimentos, Shopper Experience, projeto Caçadores de Bons Exemplos, Imaginarium,  ONG Presente de Alegria, entre outras.
Inspirada no Pay it Forward Day – surgido na Austrália, em 2007, alusivo ao livro Pay it Forward, de Catherine Ryan Hyde, e ao filme protagonizado por Kevin Spacey, Helen Hunt, James Caviezel e Haley J. Osment – A Corrente do Bem é um movimento da sociedade civil que tem a proposta de mobilizar as pessoas a incluir práticas e ações de gentileza no cotidiano. Presente em 38 países, o marco do movimento, em 2012, será em 26 de abril, Dia Mundial da Boa Ação: data em que ocorrerá uma mobilização global, em larga escala, de atos de generosidade. 

São Paulo, 21 de março de 2012 – Com a proposta de disseminar uma nova cultura baseada em práticas cotidianas de generosidade, o movimento colaborativo A Corrente do Bem mobilizará, em 2012, milhares de voluntários em 38 países – pessoas que devem atuar, em especial, em 26 de abril, no Dia Mundial da Boa Ação. O Brasil, que participa pelo segundo ano consecutivo do movimento, trará uma série de novidades, incluindo a construção de um novo modelo de articulação social on-line; um site com um mapa colaborativo voltado a registrar todas as ações desenvolvidas ao longo do ano. A meta é atingir mais de 1 milhão de brasileiros – marca conquistada já na edição do ano passado. A ideia central é mostrar que boas ações são simples, rápidas, divertidas e têm um enorme potencial de transformar a sociedade; ou seja, o impacto social de uma boa ação, de um gesto de carinho ou de uma gentileza gera um fator multiplicador de bem-estar social. Conectar as pessoas é uma das premissas do movimento.
De acordo com Marcus Quiroga, diretor da MIND Marketing Digital, a ideia do mapa colaborativo surgiu alinhada à própria premissa que norteia o movimento colaborativo: espalhar uma nova cultura de gentileza e práticas de boas ações para o maior número de pessoas. A partir daí – e com o objetivo de mensurar as ações empreendidas –, construiu-se uma ferramenta dotada de métrica que permite visualizar as ações em todo o Brasil. “Com apoio tecnológico do Google e Facebook, a cada clique em ícones no mapa será possível conhecer as boas ações e compartilhá-las nas redes sociais. Além disso, a gestão do movimento A Corrente do Bem pode, com a ferramenta, mensurar o alcance das ações e o impacto nas pessoas direta ou indiretamente envolvidas nas iniciativas. Na prática – e à medida que inserimos conteúdo –, teremos uma espécie de Google do Bem”, detalha Quiroga.
Segundo Leonardo Elói, idealizador do movimento no Brasil, o poder de mobilização de A Corrente do Bem, em 2011, deixou claro que há um enorme gap a ser explorado no campo social. “O atual modelo de articulação das ONGs e instituições sociais no Brasil é muito analógico e pouco eficaz para atender a enorme demanda. “Esse formato não consegue oferecer oportunidades inovadoras de colaboração para um contingente que deseja participar de uma transformação social em novos formatos. Movimentos sociais emergentes, baseados na colaboração em rede, com o crescente ganho de consciência do papel social que cada um desempenha e a busca por práticas de solidariedade e altruísmo, têm tornado evidente a oportunidade de um novo modelo para unir pessoas, ONGs e empresas em torno de diferentes causas, dentro das mais diversas áreas de interesse. Por essa razão, vamos intensificar a participação no movimento em 2012”, afirma Elói.
Construir um novo modelo de articulação social coerente com as tendências de organização e mobilização em rede, gerando bem-estar social, psicológico e emocional, é uma das propostas da mobilização A Corrente do Bem – que visa conectar pessoas, empresas, projetos e ações, dando não só respaldo e base para a realização de boas ações, mas sendo protagonista efetivo na formatação de um novo modelo de colaboração social. “O importante é mostrar para as pessoas que por meio de um gesto simples de generosidade é possível reconhecer a existência do outro; gerar um fator multiplicador desse sentimento. É a sabedoria de entender que se buscamos a felicidade e o bem-estar social, temos que caminhar juntos. Meu índice de felicidade se reduz quando o mundo à minha volta não está bem”, analisa Mariana Fonseca, uma das coordenadoras do movimento.
Da teoria à prática
É dentro do cotidiano das pessoas – no quintal das nossas casas –, que residem as melhores oportunidades de realizar um ato gentil. Com essa premissa, A Corrente do Bem defende que a prática de atos gentis e generosos envolve simplicidade,  despojamento. No ano passado, por exemplo, muitos participantes do Dia Mundial da Boa Ação pagaram um café para a pessoa que estava atrás na fila da cafeteria ou pagaram um tíquete de metrô; doaram livros ou palavras de conforto; entre outras iniciativas. Segundo os coordenadores, o importante é pedir que a pessoa que recebe o ato passe o gesto adiante; que seja um agente da gentileza. “É claro que existem atos mais complexos como mobilizar os amigos a doar tempo em prol de uma instituição; ou arrecadar brinquedos e livros para entidades assistenciais. No entanto, o que importa mesmo é a disponibilidade de tornar a generosidade algo palpável, coletivo e cotidiano”, afirma Livia Hollerbach, uma das idealizadoras do movimento no Brasil.
A jornalista Mariana Fonseca salienta que muitas das ações não envolvem dinheiro; que o movimento não é exclusivo ao auxílio de pessoas em situação de risco social. “Há inúmeros exemplos de doação de gentileza em forma de atos; ajudar o vizinho a transportar as compras ou simplesmente segurar o elevador; dar um abraço encorajador em um amigo ou colega de trabalho. Enfim, é importante estar disposto a passar adiante a gentileza, estar conectado com pequenos atos que tornam o mundo melhor, mais humano”, afirma Mariana.
As empresas, instituições de ensino e organizações que participaram no ano passado estão definindo as novas ações e intensificando a parceria com ideias simples e de pouco – ou nenhum – investimento. Um dos exemplos é a Primavera Editorial, que criou o projeto Escritores do Bem, que visa incentivar autores nacionais a produzir textos literários inéditos sobre organizações não governamentais. A proposta é que os escritores contem a história de ONGs por meio de personagens reais. Nessa iniciativa voluntária, os Escritores do Bem vão produzir textos que serão doados para A Corrente do Bem; textos que se tornarão um importante conteúdo para o site do movimento – um portal de divulgação ampla sobre iniciativas do terceiro setor.
“No futuro, o portal A Corrente do Bem será um elo entre entidades não governamentais e voluntários de todo o Brasil: pessoas comuns interessadas em doar tempo, expertise e talento em prol de fazer o bem. Trata-se de uma forma simples de atingir o propósito de transformar a cultura das pessoas em relação ao altruísmo, solidariedade e irmandade; uma iniciativa geradora de resultados”, afirma Leonardo Elói.
A CORRENTE DO BEM
Criado pelo australiano Blake Beattie, em 2007, o movimento Pay it Forward Day (A Corrente do Bem) tem como proposta motivar as pessoas a incluir práticas de gentileza e generosidade no cotidiano. Inspirado na obra Pay it Forward, de Catherine Ryan Hyde, a ação – que contou com a adesão de 250 mil pessoas em 2010 – chegou ao Brasil em 2011 com o desafio de mostrar que boas ações são simples, rápidas, divertidas e têm um enorme potencial de transformar a sociedade. Na prática, o impacto social de uma boa ação, de um gesto de carinho ou de uma gentileza gera um fator multiplicador de bem-estar social. Hoje, a iniciativa está presente em 38 países: Austrália, Brasil, Estados Unidos, Canadá, Nova Zelândia, África do Sul, Inglaterra, Cingapura, México, Escócia, Irlanda, Itália, França, Fiji, Rússia, Índia, Holanda, Bélgica, Noruega, Argentina, Espanha, Turquia, Síria, Croácia, Bósnia, Herzegovina, Coreia do Sul, Porto Rico, Suécia, Costa Rica, Indonésia, El Salvador, Moçambique, Guatemala, Colômbia, Dinamarca, Georgia (Europa) e Áustria.
Para concretizar A Corrente do Bem no Brasil houve uma mobilização para a criação de uma rede colaborativa de profissionais e empresas de várias áreas, que atuam como voluntários. Entre os parceiros estão empresas como a Voltage, MIND Marketing Inteligência Digital, Printec Comunicação, Gaia Creative, Monkey Business e Fábio Sevá Design. Entre os profissionais liberais – voluntários que integram a rede Voltage Ville, rede social da Voltage, que reúne jovens influenciadores – estão: André Nicolosi, Dorly Neto, Duda Borelli, Eduardo Loureiro, Fábio Abreu, Juliana Jabra, Mariana Nobre, Max Duarte, Mayra Fonseca, Renato Davini, Rogério Leão, Sílvia Guerra, Túlio Custódio e Yentl Delanhesi.

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