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06/02/12

SONHAR É PRECISO - POR ANGÉLICA FALCI


Todo final de ano é sempre a mesma coisa. Nós desaceleramos um pouco e realizamos avaliações sobre o andamento da nossa vida. Um momento em que as pessoas definem o que querem fazer e o que querem deixar para trás. Muitos desejam um novo emprego, encontrar um verdadeiro amor, ter filhos, comprar a casa ou o carro dos sonhos, perder peso, parar de fumar, ser uma pessoa mais altruísta etc. Mas, infelizmente, a maioria dessas definições acabam desaparecendo nos primeiros meses do novo ano. Algumas se dissipam como a fumaça dos fogos de artifício ou como a espuma borbulhante dos champagnes. Sabe por que isto acontece? Porque muitas pessoas definem metas pautadas em fantasias e não em sonhos.
Para entender melhor o que escrevo, vou relatar a diferenciação entre sonhos e fantasias: os dois estão separados por uma preciosa e, muitas vezes, ignorada linha chamada realidade. Os sonhos nos movem pela vida a fora e são eles que nos impulsionam a atingir nossas valorosas metas, alimentam o espírito e nos dão estímulos para vivermos com mais positividade. Mas, quando estão alienados da realidade e do que concretamente podemos realizar, tornam-se fantasias e, como tais, minam nossos pensamentos e atitudes comportamentais, enfraquecem nossa visão da vida e se transformam em uma tortuosa e contínua fonte de sofrimento.
De acordo com o escritor George Santayana, “a vida desperta é como um sonho sob controle”. Crescer e amadurecer tem a ver com sonhos, não com fantasias. Se você ainda se encontra preso às metas ou aspirações infantis, ao poder ilimitável do basta querer, se ainda insiste em ter devaneios como um meio de fugir das frustrações, se não aceita que muitos desejos não se realizarão pelo menos do modo como imaginou, você vive mais tempo em um mundo de fantasias. Neste mundo posso ser e ter o que quiser, mas em algum momento preciso voltar à realidade e às responsabilidades. É justamente nesta linha tênue que se instalam os mais severos transtornos mentais, quando as pessoas rompem com a realidade e não conseguem mais retornar ao mundo real.
Mas, para a maioria de nós, sabe- se que é inevitável o contato com a realidade, a vida sempre nos colocará para realizar esse valioso teste, sendo o primeiro deles aprender a lidar com as frustrações, aceitar que só desejar não realiza o que se quer.
O passo essencial é aprender a construir objetivos possíveis, assumir compromissos mais concretos com suas habilidades e respeitar as próprias limitações. Depois, definir suas metas e começar a trabalhar em direção àquilo que você tanto sonha.
Estabeleça prazos, avalie sua atual situação e se faça várias perguntas do tipo: “Onde quero chegar?”, “O que eu quero da vida quando chegar na idade X?”, “Como me sentirei alcançando tal objetivo?”. É muito importante você saber onde está, onde quer chegar e, principalmente, avaliar quais ferramentas possui e quais serão aquelas a aprimorar. É necessário compreender se a sua meta está no tamanho proporcional à sua realidade, ou seja, melhor definir metas que sejam alcançáveis, que dependam do seu esforço.
Quem sonha tem esperança, não se torna um alienado. Quem sonha quer se desenvolver, aprender realmente a ser feliz, e sabe que isso inclui não ficar esperando recompensas por desapontamentos ou perdas do passado. Em resumo: quem sonha cresce a vida inteira, já quem fantasia vai morrendo a cada instante. 

Um novo ano com muitos sonhos concretizados!

01/02/12

Ser ou não ser de ninguém? Eis a questão da geração tribalista - Por Mônica Montone


Na hora de cantar todo mundo enche o peito nas boates, levanta os braços, sorri e dispara: "eu sou de ninguém, eu sou de todo mundo e todo mundo é meu também". No entanto, passado o efeito do uísque com energético e dos beijos descompromissados, os adeptos da geração "tribalista" se dirigem aos consultórios terapêuticos, ou alugam os ouvidos do amigo mais próximo para reclamar de solidão, ausência de interesse das pessoas, descaso e rejeição. A maioria não quer ser de ninguém, mas quer que alguém seja seu.
Beijar na boca é bom? Claro que é! Manter-se sem compromisso, viver rodeado de amigos em baladas animadíssimas é legal? Evidente que sim. Mas por que reclamam depois? Será que os grupos tribalistas se esqueceram da velha lição ensinada no colégio, de que "toda ação tem uma reação"? Agir como tribalista tem conseqüências, boas e ruins, como tudo na vida. Não dá, infelizmente, para ficar somente com a cereja do bolo - beijar de língua, namorar e não ser de ninguém. Para comer a cereja é preciso comer o bolo todo e nele, os ingredientes vão além do descompromisso, como: não receber o famoso telefonema no dia seguinte, não saber se está namorando mesmo depois de sair um mês com a mesma pessoa, não se importar se o outro estiver beijando outra, etc, etc, etc.
Embora já saibam namorar, "os tribalistas" não namoram. Ficar também é coisa do passado. A palavra de ordem hoje é "namorix". A pessoa pode ter um, dois e até três namorix ao mesmo tempo. Dificilmente está apaixonada por seus namorix, mas gosta da companhia do outro e de cultivar a ilusão de que não está sozinho. Nessa nova modalidade de relacionamento, ninguém pode se queixar de nada. Caso uma das partes se ausente durante uma semana, a outra deve fingir que nada aconteceu - afinal, não estão namorando. Aliás, quando foi que se estabeleceu que namoro é sinônimo de cobrança?
A nova geração prega liberdade, mas acaba tendo visões unilaterais. Assim como só deseja "a cereja do bolo tribal", enxerga apenas o lado negativo das relações mais sólidas. Desconhece a delícia de assistir um filme debaixo das cobertas num dia chuvoso comendo pipoca com chocolate quente, o prazer de dormir junto abraçado roçando os pés sob as cobertas e a troca de cumplicidade, carinho e amor. Namorar é algo que vai muito além das cobranças. É cuidar do outro e ser cuidado por ele, é telefonar só para dizer boa noite, ter uma boa companhia para ir ao cinema de mãos dadas, transar por amor, ter alguém para fazer e receber cafuné, um colo para chorar, uma mão para enxugar lágrimas, enfim, é ter alguém para amar.
Já dizia o poeta Carlos Drummond de Andrade que "amar se aprende amando" e se seguirmos seu raciocínio, esbarraremos na lição que nos foi transmitida nas décadas passadas: relação é sinônimo de desilusão. O número avassalador de divórcios nos últimos tempos, só veio confirmar essa tese e aqueles que se divorciaram (pais e mães dos adeptos do tribalismo) vendem (na maioria das vezes) a idéia de que casar é um péssimo negócio e que uma relação sólida é sinônimo de frustrações futuras. Talvez seja por isso que pronunciar a palavra "namoro" traga tanto medo e rejeição. No entanto, vivemos em uma época muito diferente daquela em que nossos pais viveram. Hoje podemos optar com maior liberdade e não somos mais obrigados a "comer sal junto até morrer". Não se trata de responsabilizar pais e mães, ou atribuir um significado latente aos acontecimentos vividos e assimilados na infância, pois somos responsáveis por nossas escolhas, assim como o que fazemos com as lições que nos chegam. A questão não é causal, mas quem sabe correlacional.
Podemos aprender amar se relacionando. Trocando experiências, afetos, conflitos e sensações. Não precisamos amar sob os conceitos que nos foram passados. Somos livres para optar. E ser livre não é beijar na boca e não ser de ninguém. É ter coragem, ser autêntico e se permitir viver um sentimento... É arriscar, pagar para ver e correr atrás da felicidade. É doar e receber, é estar disponível de alma, para que as surpresas da vida possam aparecer. É compartilhar momentos de alegria e buscar tirar proveito até mesmo das coisas ruins.
Ser de todo mundo, não ser de ninguém é o mesmo que não ter ninguém também... É não ser livre para trocar e crescer... É estar fadado ao fracasso emocional e à tão temida solidão.
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Esse texto tem sido atribuído a Arnaldo Jabor (como muitos outros), mas é de Mônica Montone.

FILHO É PARA QUEM PODE - Mônica Montone


Filho é para quem pode!
Eu, não posso! Apesar de ser biologicamente saudável.
Não posso porque desconheço o poço sem fundo das minhas vontades, porque às vezes sou meio dona da verdade e porque não acredito que um filho há de me resgatar daquilo que não entendo ou aceito em mim.
Acredito que a convivência é um exercício que nos eleva e nos torna melhores, mas, esperar que um filho reflita a imagem que sonhamos ter é no mínimo crueldade.
Não há garantias de amor eterno e o olhar de um filho não é um vestido de seda azul ou um terno com corte ideal. Gerar um fruto com o único intuito de ser perfumada por ele no futuro é praticamente assinar uma sentença de sal.
Filhos não são pílulas contra a monotonia, pílulas da salvação de uma vida vazia e sem sentido, pílula “trago seu marido de volta em 9 meses”.
Penso que antes de cogitar a hipótese de engravidar, toda mulher deveria se perguntar: eu sou capaz de aceitar que apesar de dar a luz a um ser ele não será um pedaço de mim e portanto não deverá ser igual a mim? Eu sou capaz de me fazer feliz sem que alguém esteja ao meu lado? Eu sou capaz de abrir mão de determinadas coisas em minha vida sem depois cobrar? Eu sou capaz de dizer “não”? Eu quero, mesmo, ter um filho, ou simplesmente aprendi que é para isso que nascemos: para constituir uma família?
Muitas das pessoas que conheço estão neurotizadas por conta de suas relações com as mães. Em geral, são mães carentes que exigem afeto e demonstração de amor integral para se sentirem bem e, quando não recebem, martirizam os filhos com chantagens, críticas e cobranças.
As mães podem ser um céu de brigadeiro ou um inferno de sal. Elas podem adoçar a vida dos filhos ou transformar essas vidas numa batalha diária cheia de lágrimas, culpas e opressões.
Eu, por exemplo, não consigo ser um céu de brigadeiro nem para mim mesma, quiçá para uma pessoinha que vai me tirar o juízo madrugadas adentro e, honestamente, acho injusto colocar uma criança no mundo já com essa missão no lombo: fazer a mamãe crescer.
Dar a luz a um bebê é fácil, difícil é ser mãe da própria vida e iluminar as próprias escuridões.
Autora do livro: "Mulher de Minutos"
Primeiro ela criticou o hábito de sua geração de beijar qualquer pessoa em baladas e teve seu texto Ser ou não ser de ninguém, eis a questão da geração tribalista, divulgado na Internet como sendo do Jabor. Depois vociferou em recitais de poesia do Rio de Janeiro que “tem pena das mulheres que não gozam” em seu poema Tenho pena. Em seguida chocou algumas pessoas ao declarar que não quer ter filho na crônica Filho é para quem pode, publicada pela Revista O Globo do jornal O Globo - polêmica que a levou a falar sobre o assunto nos programas Sem Censura, Fantástico e Happy Hour.

30/01/12

ANO NOVO, VIDA NOVA - POR ANTÔNIO ROBERTO


Durante a vida, cada um de nós vai armazenando um conjunto de fatos e situações e os sentimentos decorrentes deles. Humanos que somos tornamo-nos depositários de sentimentos bons e ruins. Todas estas emoções, se não são devidamente expressas quando ocorrem, ficam à espera de algum momento propício para se manifestarem.
O Natal e o Final de Ano, envoltos em uma mística espiritual, sensíveis às reflexões vitais e, às vezes, até com algumas conotações supersticiosas, são ocasiões que afrouxam nossos corações, liberando os deuses e os demônios que nos habitam. O encerramento do ano, ao invés de nos remeter a uma consciência culposa tipo “meã culpa” é o momento de renovação: renovar a crença na nossa fragilidade humana e, por conseqüência, na infinita possibilidade de sermos melhores.
Renovar a esperança ativa de que podemos mudar e construir daqui para frente. Renovar no desejo de caminhar sempre, apesar das quedas e dos tropeços e construir a aceitação da realidade tal qual ela é. Hoje é o primeiro dia do resto das nossas vidas. Hoje é o dia. O que passou, passou. E o que vem ainda não chegou.
Ao colocarmos os pés em 2012, nada melhor do que nos aproximarmos de Deus e solicitarmos sua orientação para a paz e a alegria de viver. Transcrevo para os leitores uma das mais lindas orações que já tive acesso: A ORAÇÃO JUDAÍCA, o que serve também de homenagem e solidariedade a todos os meus amigos judeus:
“Deus, não consintas que eu seja o carrasco que sangra as ovelhas, nem uma ovelha nas mãos dos algofes.
Ajuda-me a dizer sempre a verdade na presença dos fortes e jamais dizer mentiras para ganhar os aplausos dos fracos. Meu Deus! Se me deres a fortuna, não me tires a felicidade, se me deres a força, não me tires a sensatez, se me for dado prosperar, não permita que eu perca a modéstia, conservando apenas a dignidade.
Ajuda-me a apreciar o outro lado das coisas, para não enxergar a traição dos adversários, nem acusá-los com mais severidade do que a mim mesmo. Não me deixes ser atingido pela ilusão da glória, quando bem sucedido e nem ficar desesperado quando tiver insucesso. Lembra-me que a experiência de um fracasso poderá proporcionar um progresso maior. O Deus faz-me sentir que o perdão é o maior indício de força e que a vingança é prova de fraqueza.
Se me tirares a fortuna, deixe-me a esperança. Se me faltar a saúde, conforta-me com a graça da fé. E quando me ferir a ingratidão e a incompreensão dos meus semelhantes cria em minha alma a força da desculpa e do perdão. “E finalmente, Senhor, se eu te esquecer, te rogo, mesmo assim, nunca te esqueças de mim.”
Ser feliz não é estar permanentemente em estado de alegria. É estar disponível para a vida, sabendo saborear os momentos bons e atravessar, com humildade e o mais rápido que for possível, os momentos ruins.
A lamentação pelos infortúnios que nos visitaram no ano que passou é uma forma de empacar no caminho. As oportunidades que perdemos, já se foram. Os erros que cometemos estão mortos. Os objetivos não alcançados desapareceram. Agora é hora de nascer. Deixar o Natal virar jeito de vida. Começar o ano novo e transformar o Ano Velho em Mestre, aprendendo com ele. Deixar a perspectiva do futuro inundar nossa vida.

Coluna Bem Viver do Jornal Estado de Minas

09/12/11

PRA VOCÊ DESEJO MUITO BOAS FESTAS!


DE TUDO FICAM TRÊS COISAS:
A certeza de que estamos sempre COMEÇANDO,
a certeza de que é preciso CONTINUAR
e a certeza de que podemos ser INTERROMPIDOS ANTES DE TERMINARMOS.

Fazer da interrupção um caminho novo,
da queda, um passo de dança;
fazer do medo uma escada,
do sonho , uma ponte
e da procura . . . um encontro .
Fernando Sabino




LEMBRE-SE: "VIVER É DESENHAR SEM BORRACHA". 
Millôr Fernandes

E,  TOTALMENTE  AUSENTES  DE  BORRACHA,  ESPERO  QUE   POSSAMOS  DEIXAR  REGISTROS  DE   UMA HISTÓRIA CONSTRUÍDA EM NOSSA PASSAGEM...  MAS QUE FIQUEM AS LEMBRANÇAS MEMORÁVEIS, A RECORDAÇÃO  ALEGRE DE TUDO O QUE FOI VIVENCIADO, A SAUDADE QUERIDA DE TODOS QUE NOS FIZERAM BEM E A MEMÓRIA FELIZ DE CADA DIA VIVIDO, NOS PROPORCIONANDO MUITOS BONS  DESEJOS... DE NOS MANTERMOS ESPERANÇOSOS E ACOLHENDO O PRÓXIMO, FAVORECENDO A AMIZADE, POSSIBILITANDO A LEALDADE, ESPALHANDO O ESPÍRITO SOLIDÁRIO E, ESPECIALMENTE, ACREDITANDO EM DIAS MELHORES, MAIS PLENOS DE AMOR,  LUZ, DIGNIDADE, COMPREENSÃO, FELICIDADE, JUSTIÇA E FRATERNIDADE. CASO A FALTA DA BORRACHA NOS IMPEÇA, QUE DEUS NOS FAÇA PARAR E REFLETIR, PARA REVERMOS NOSSAS FALTAS E A PARTIR DISSO, PROSSEGUIRMOS EM BUSCA DOS NOSSOS "BONS DESEJOS"...   S E M P R E!!!

SER      FELIZ     E    DE     BEM     COM    A     VIDA
TODOS  OS  DIAS  DE  2012  É  UM  DOS  MEUS "BONS DESEJOS" 
PRA VC!!! TÂNIA

TEMOS MUITO A APRENDER! Por Regina Coeli Furtado Câmara

   Nos preocupamos muito com os alunos que saem de uma escola considerada "pequena" e ingressam nas chamadas “grandes escolas”. Essas crianças são frutos, muitas vezes, de  8 até 10 anos  da  dedicação de "grandes"  profissionais. E, para nossa satisfação, são academicamente  bem preparadas, alunos críticos e  participativos.  São crianças “normais” e aceitas em qualquer escola, independente do tamanho que tenha.
    Mas o que dizer dos alunos  com Necessidades  Educativas Especiais (NEE)? Temos grande preocupação com o futuro dessas crianças. Já visitei algumas escolas que deveriam receber esses alunos, e sempre fico decepcionada com o que escuto: "Não estamos preparados para receber esses alunos”, ou “não temos vagas”, (o que, às vezes, pode até ser verdade), ou “não temos profissionais para acompanhá-los” ou ainda, o que é pior, “o aluno não atingiu o perfil no teste de seleção”.
    Até quando esses e outros absurdos continuarão a acontecer? Quando essas escolas vão acatar a lei? Quando irão deixar de promover apenas “alunos medalhas” e passar a promover a dignidade e a justiça?
    O acesso a educação para todos é uma realidade e um direito. Quando irão entender que o movimento de uma escola plural é mundial e inadiável?
    Existem, sim, leis e documentos específicos que  reafirmam e garantem o acesso a todos e destaca a inclusão das pessoas com NEE, entre elas, as que apresentam deficiência. É uma desculpa dizer que as escolas não estão preparadas, e não irão estar nunca, se não começarem a enfrentar a realidade, e isso só poderá acontecer quando abrirem suas portas e não apenas as rampas de acesso, isso apenas, não é suficiente. É preciso romper com as barreiras, com os preconceitos e com o medo do diferente. Alguns autores apontam que a educação inclusiva sustenta-se numa filosofia baseada na igualdade, na solidariedade e nos princípios democráticos. A  convivência com o diferente só favorece a aprendizagem. Portanto  educação inclusiva não é favor, não é concessão, não é só amor, é DIREITO, e é isso que precisamos entender de uma vez por todas. O ideário da inclusão deve ser concebido como  intervenção no real. Isto é, não se deve admitir que o alunado permaneça do lado de fora esperando a escola ficar pronta para recebê-los. Trata-se de mantê-la completamente aberta com a diversidade e partir dela. Para isto, será necessário quebrar resistências, remover barreiras físicas e atitudinais, enfrentando conflitos e contradições, revendo estratégias de aprendizagens, com ênfase na construção coletiva.
    Os pais são grandes aliados dos que estão empenhados na construção da nova escola brasileira. NÃO ESTAMOS SOZINHOS E TEMOS MUITO A APRENDER E ENSINAR. Ainda tenho muito a dizer... embora não seja agora... minha  indignação é imensurável.
A autora é Psicopedagoga e Coordenadora Pedagógica em Fortaleza.
ALÉM DE UMA QUERIDA AMIGA MINHA!!! DE LONGAS DATAS...

02/12/11

Natal na Ilha do Nanja - Por Cecília Meireles

Na Ilha do Nanja, o Natal continua a ser maravilhoso. Lá ninguém celebra o Natal como o aniversário do Menino Jesus, mas sim como o verdadeiro dia do seu nascimento. Todos os anos o Menino Jesus nasce, naquela data, como nascem no horizonte, todos os dias e todas as noites, o sol e a lua e as estrelas e os planetas. Na Ilha do Nanja, as pessoas levam o ano inteiro esperando pela chegada do Natal. Sofrem doenças, necessidades, desgostos como se andassem sob uma chuva de flores, porque o Natal chega: e, com ele, a esperança, o consolo, a certeza do Bem, da Justiça, do Amor. Na Ilha do Nanja, as pessoas acreditam nessas palavras que antigamente se denominavam "substantivos próprios" e se escreviam com letras maiúsculas. Lá, elas continuam a ser denominadas e escritas assim.

Na Ilha do Nanja, pelo Natal, todos vestem uma roupinha nova — mas uma roupinha barata, pois é gente pobre — apenas pelo decoro de participar de uma festa que eles acham ser a maior da humanidade. Além da roupinha nova, melhoram um pouco a janta, porque nós, humanos, quase sempre associamos à alegria da alma um certo bem-estar físico, geralmente representado por um pouco de doce e um pouco de vinho. Tudo, porém, moderadamente, pois essa gente da Ilha do Nanja é muito sóbria.

Durante o Natal, na Ilha do Nanja, ninguém ofende o seu vizinho — antes, todos se saúdam com grande cortesia, e uns dizem e outros respondem no mesmo tom celestial: "Boas Festas! Boas Festas!"

E ninguém, pede contribuições especiais, nem abonos nem presentes — mesmo porque se isso acontecesse, Jesus não nasceria. Como podia Jesus nascer num clima de tal sofreguidão? Ninguém pede nada. Mas todos dão qualquer coisa, uns mais, outros menos, porque todos se sentem felizes, e a felicidade não é pedir nem receber: a felicidade é dar. Pode-se dar uma flor, um pintinho, um caramujo, um peixe — trata-se de uma ilha, com praias e pescadores ! — uma cestinha de ovos, um queijo, um pote de mel... É como se a Ilha toda fosse um presépio. Há mesmo quem dê um carneirinho, um pombo, um verso! Foi lá que me ofereceram, certa vez, um raio de sol!

Na Ilha de Nanja, passa-se o ano inteiro com o coração repleto das alegrias do Natal. Essas alegrias só esmorecem um pouco pela Semana Santa, quando de repente se fica em dúvida sobre a vitória das Trevas e o fim de Deus. Mas logo rompe a Aleluia, vê-se a luz gloriosa do Céu brilhar de novo, e todos voltam para o seu trabalho a cantar, ainda com lágrimas nos olhos.

Na Ilha do Nanja é assim. Árvores de Natal não existem por lá. As crianças brincam com pedrinhas, areia, formigas: não sabem que há pistolas, armas nucleares, bombas de 200 megatons. Se soubessem disso, choravam. Lá também ninguém lê histórias em quadrinhos. E tudo é muito mais maravilhoso, em sua ingenuidade. Os mortos vêm cantar com os vivos, nas grandes festas, porque Deus imortaliza, reúne, e faz deste mundo e de todos os outros uma coisa só. É assim que se pensa na Ilha do Nanja, onde agora se festeja o Natal.