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20/09/11

Ele não quer transar? Calma, ainda não é o fim do mundo - IVAN MARTINS


Ao contrário do que diz a lenda, homens não estão sexualmente disponíveis todo o tempo. As mulheres casadas sabem disso, as namoradas sabem disso, até as amantes, depois de algum tempo, descobrem que é assim.

Não estou falando da ansiedade do primeiro encontro, quando o sujeito, muitas vezes bêbado, acha que tem de improvisar uma performance que supere, ou pelo menos iguale, as incontáveis proezas sexuais que ele, desde os 14 anos, ouviu narradas por amigos e inimigos.

Não.

O objeto do meu interesse é a falta de desejo no interior da relação, quando o livro chegou à página 50 ou 100, quando as coisas estão tranquilas, e, subitamente, aquele sujeito que costumava jogar a mulher na parede e embasbacar-se com seu corpo nu parece mais propenso a jogar-se no sofá e abrir um livro – ou apertar, sem pressa, os botões do controle remoto.

Vocês sabem do que se trata.

Acho que toda relação tem esses períodos de castidade involuntária. Em alguns casos, a escassez de sexo será a marca do esgotamento e do fim. Em outras, apenas uma calmaria temporária que desperta, pelo período da sua duração, enorme inquietação em quem está a bordo.

São esses intervalos de abstinência involuntária que me interessam.

Eles são chatos para todo mundo, mas especialmente para os homens. Nessas ocasiões, as mulheres reagem como se os parceiros estivessem, propositalmente, recusando algo a que elas têm direito. A ausência de sexo seria uma espécie de crueldade masculina, uma punição ostensiva ou inconsciente e, talvez pior, um tipo de negligência e abandono. Esses sentimentos femininos são extremamente dolorosos, mas, provavelmente, infundados. Eles se baseiam na percepção de que os homens funcionam sexualmente como as mulheres – o que, absolutamente, não é verdade.

As mulheres podem transar sem sentir desejo. São fisicamente capazes de tomar parte em uma transa mesmo sem estarem excitadas. É uma possibilidade anatômica que elas exercem quando acham necessário – por carinho, por pena, por ambição, por medo ou, simplesmente, para poder dormir em paz.

Por isso, eu acho, elas se abatem tanto quando os homens negam sexo. É como se eles estivessem recusando um gesto de carinho solidário que toda mulher ou namorada afetuosa é capaz de oferecer. Eu já ouvi mulheres reclamando: “Ele nem tenta! Será que ele acha que toda vez que a gente transou eu estava louca de vontade?”

Esse tipo de generosidade faz todo sentido entre pessoas que se gostam, mas ela é fundamentalmente estranha ao universo masculino - pela simples razão de que ereções não se produzem por pena, carinho ou necessidade econômica, embora cada uma dessas coisas, no contexto adequado, possa contribuir.

Homens são incapazes de doar – ou vender - sexo porque, literalmente, o sexo não pertence a eles da mesma forma como pertence às mulheres. Não existe para os homens a possibilidade de uma relação sexual completa sem que eles sintam desejo pela parceira. Mesmo as drogas contra impotência só funcionam nessa condição. Elas potencializam o desejo, não o substituem.

O que se faz, então, quando se entra num período desses de calmaria e falta de sexo?

A primeira providência, eu acho, é não hostilizar o parceiro. Lembre-se: ele não pode resolver o seu problema da mesma forma como você resolveria o dele se a situação fosse inversa. É uma impossibilidade.

Outra dica que já me serviu: ponha-se bonita, de preferência provocante, e saia com ele por aí. Numa calmaria dessas, marquei com a namorada de encontrar amigos num restaurante. Ela chegou linda, com as pernas de fora, e me deixou todo orgulhoso. Enquanto almoçávamos, percebi que, na mesa ao lado, havia três garotas lésbicas que não tiravam os olhos dela. Estavam fascinadas com a minha namorada e, de alguma forma, o desejo delas acendeu o meu. A calmaria doméstica se encerrou naquela mesma noite, em grande estilo.

A última coisa prática que eu tenho a dizer sobre isso: desligue a TV ou, dependendo do namorado, tire do ar as redes sociais. Eu fico hipnotizado diante de qualquer filme. Sei que há caras por aí que não conseguem mais desgrudar do Facebook. Você não pode exigir que o seu homem esteja em riste, mas pode lembrar a ele que aparatos viciantes não ajudam. Se ele, sistematicamente, se recusar a desligar a TV ou largar do Twitter, mesmo diante de uma crise, estará sinalizando uma escolha – que pode não ser por você.

Mas, francamente, acho que essas crises são mais emocionais do que práticas.

Em geral, por trás da inapetência do sujeito estão acontecimentos no trabalho, frustrações íntimas, tensões que estão se montando dentro dele sem que você (ou ele mesmo) perceba. O tempo e uma atmosfera relaxada costumam ajudar a dissipar essas nuvens.

Às vezes, acho que períodos assim, embora não sejam legais, podem ser úteis. Eles forçam os casais a uma relação mais carinhosa, mais terna, que, frequentemente, fica de lado em benefício da sensualidade. Na falta de sexo, os homens tendem a se desdobrar em outros tipos de demonstração de afeto. Eu já me peguei mais meigo e atencioso nesses períodos. É uma forma de compensar que tem virtudes e seus benefícios.

Se nada disso parecer uma solução ou um consolo (ups!), lembre do mantra: não somos perfeitos, nem em sexo nem em nada. Gostar significa, necessariamente, aturar imperfeições. Às vezes é falta eventual de sexo, às vezes é coisa pior. Em geral, tudo se resolve. Quando não, há sempre o mundo, vasto mundo, a nos oferecer novas rimas e soluções. 

MÃE É MÃE E FAZ CADA COISA... Hilda Lucas


BACANA! RECEBI  POR  E-MAIL  DA  AMIGA ÂNGELA  CAYUELA,  GOSTEI  E  POSTEI!!!

"Mãe é aquele ser estranho, louco, capaz de heroísmos, dramas e breguices com a mesma fúria; paga mico, escreve carta para Papai Noel, se faz passar por fadinha do dente, coelho da páscoa, cuca, pede autógrafo para artistas deploráveis assiste a programas, peças, shows horríveis, revê milhares de vezes os mesmos desenhos animados, conta as mesmas histórias centenas de vezes, vai pra Disney e ADORA!

Mãe faz escândalo, tira satisfação com professor, berra em público, dá vexame, deixa a gente sem graça, compra briga; é espaçosa, barulhenta, tendenciosa, leoa, tiete, dona da gente. Mãe desperta extremos,ganas, irrita, enlouquece, mas... É mãe.  

Mãe faz promessa, prestação, hora extra, pra que a gente tenha o que é preciso e o que sonha. Mãe surta, passa dos limites, às vezes até bate, diz coisas duras; mãe pede desculpas, mortificada... Mãe é um bicho doido, louco pela cria. Mãe é Visceral!

Mãe chora em apresentação de balé, em competição de natação, quando a filha menstrua pela primeira vez, quando dá o primeiro beijo, quando vê a filha apaixonada no casamento, no parto... Xinga todo e cada desgraçado que faz a filha sofrer, enlouquece esperando ela chegar da balada, arranca os cabelos  diante da morte...

Mãe é uma espécie esquisita que se alterna entre fada e  bruxa com um naturalidade espantosa. É competente no item culpa e insuperável no item ternura, mas pode ser virulenta, tem um lado B às vezes  C, D, E...

Mãe é melosa, excessiva, obsessiva, repulsiva, comovente, histérica, mas não se é feliz sem uma. Mãe é contrato: irrevogável, vitalício intransferível!

Mãe lê pensamento, tem premonição, sonhos estranhos. Conhece cara de
choro, de gripe, de medo; entra sem bater, liga de madrugada, pede favor chato, palpita e implica com amigos, namorados, escolhas. Mãe dá a roupa do corpo, tempo, dinheiro, conselho, cuidado, proteção.

Mãe dá um jeito, dá nó,dá bronca, dá força. Mãe cura cólica, porre, tristeza, pânico noturno, medos. Espanta monstros, pesadelos, bactérias mosquitos, perigos. Mãe tem intuição e é messiânica: Mãe salva. Mãe guarda tesouros, conta histórias e tece lembranças. Mãe é arquivo!

Mãe exagera, exaure, extrapola. Mãe transborda, inunda, transcende.
Ama, desmama desarma, denota, manda, desmanda, desanda, demanda. Rumina o passado, remói dores, dá o troco, adora uma cobrança e um perdão lacrimoso.

Mãe abriga, afaga, alisa, lambe, conhece as batidas do nosso coração, o toque dos nossos dedos, as cores do nosso olhar e ouve música quando a gente ri. Mãe tem coração de mãe!
Mãe é pedra no caminho, é rumo; é pedra no sapato, é rocha; é drama mexicano, tragédia grega e comédia italiana; é o maior dos clássicos;é colo, cadeira de balanço e divã de terapeuta... Mãe é madona-mia! É deus-me-acuda; é graças-a-deus; é mãezinha-do-céu, é mãe é minha- e- eu- mato -quando- quiser; é a que padece no paraíso enquanto nos inferniza...   

Mãe é absurda e inexoravelmente para sempre e é uma só: não há Mistério maior! Só cabe uma mãe na vida de uma filha... e olhe lá! Às vezes, nem cabe inteira.
Mãe é imensurável!
Mãe é saudade instalada desde o instante em que descobrimos a morte.
Mãe é eterna, não morre jamais. Bicho estranho, entranha, milagre, façanha, matriz, alma, carne viva, laço de sangue, flor da pele.  

Mãe é mãe, e faz cada coisa..."

12/09/11

Viver é uma sabedoria - Por Teuler Reis

Viver é uma sabedoria.
Viver é uma sabedoria regada a reflexões. Às vezes me assusta a dureza das pessoas para se entregarem à reflexão. Passam suas vidas manipuladas por maneiras prontas e acabadas de resolver problemas, de perceber a vida e, muitas dessas maneiras, completamente obsoletas.
“A vida sem reflexão não merece ser vivida”, já nos dizia Sócrates. Não há apenas uma maneira de ver o mundo. Agarrar-se a uma única leitura é se condenar à pequenez da alma. Há um caleidoscópio à disposição dos nossos olhos para ver o mundo.
Quantos sofrem diante da limitada capacidade de encontrar outro caminho, de investigar possíveis passagens e explorar novos horizontes? Viver é comungar de uma escolha, penetrar num olhar e apaixonar-se pela jornada escolhida. Enquanto tantos preferem escolhas prontas, caminhos marcados, sentidos finalizados por antepassados, há quem ouse fazer da reflexão uma investigação capaz de romper barreiras, de reconstruir estradas, redefinir valores e rever posturas sacramentadas pelo tempo.
É preciso acordar o sujeito adormecido em nós, dar voz a sua capacidade de crítica, devolver ao indivíduo seu direito de julgamento.
Muitas vezes o sofrimento, a dor, provêem da cegueira instituída, emana do cômodo, ou decorre da ignorância traduzida pelo desconhecimento de levantar nossas possibilidades. Imprescindível reverter a desordem; lançar luz sofre o sofrimento, o enquadramento, que engessa e imobiliza milhares de pessoas na dor.
Um bom exemplo é o ódio. Não odiamos o outro, odiamos a representação que fazemos do outro. Odiamos nossa presunção, a arrogância em definir de antemão o outro. Não é o outro que me fere, é a ideia que construí do outro em mim. E assim, ignorantes do jogo, imbuídos da limitada condição humana posta ao nosso alcance, alimentamos o ódio, o desprezo, e tantos outros sentimentos que, na verdade, atingem unicamente o próprio sujeito.
Somente a reflexão, a volta que o pensamento faz sobre si mesmo, é capaz de romper com essa perversa relação criada no seio do relacionamento humano.

06/09/11

Recados para uma infância mais feliz! Por Camila Felipe Vega

HOMENAGEM DE CAMILA, A MADRINHA DO GABRIEL, MEU FILHO, NA FESTA DO CINEMA, NO SEU ANIVERSÁRIO DE 9 ANOS. 










Recados para uma infância mais feliz!

Acredito que ser criança é uma das 7 maravilhas da vida. Mas assim como em várias situações da vida, só conseguimos perceber isso quando ela se foi, ficando na memória um saudosismo inexplicável dessa época que não volta mais, por mais que tentamos.
É por isso que me vejo no importante papel, enquanto madrinha do meu querido Gabrielzinho, de dizer a você, meu afilhado, alguns conselhos que só posso dar porque hoje, aos 22 anos, olho pra trás e vejo quão maravilhosa foi minha infância.
Desde já, peço desculpas aos meus tios, caso algum conselho aqui não seja tão politicamente correto, mas conto também com suas compreensões, já que não há nessa Terra, alguém que não tenha vivido as venturas de ser criança.
Vamos à lista:
1) Coma bastante gordices: danette, coca-cola, chips, pipoca aritana, paçoquinha recheada... Quando a gente cresce, esses prazeres da vida vêm acompanhados de uma dor de cabeça tão grande, que pensamos duas vezes antes de atacar uma torta.
2) Coma também coisas saudáveis, saladas e verduras, porque infelizmente é muito difícil criar esse hábito depois de velho.
3) Não desperdice todo seu tempo livre atrás de computador e videogames. Por mais divertido que sejam os jogos, eles não te sujam de barro, não te fazem cair no chão e levar uns leves arranhões, não te deixam sujar as paredes pra entender o que é uma bronca de mãe, e principalmente, não te fazem perder noites de sono planejando a brincadeira que você irá inventar no dia seguinte.
4) Celular é apenas em último caso, aos 9, 10 anos de idade é muito mais divertido conversar pessoalmente com nossos amigos, porque desse encontro saem experiências e lembranças que te marcam toda uma vida.
5) Tire bastante fotos. A gente acha que sempre nos lembraremos de como somos hoje, mas acredite... nosso espaço de memória vai se ocupando com tantas bobagens ao longo da vida, que tem hora que o que mais queremos é uma simples recordação real do que éramos há 15 anos atrás.
6) Agora um conselho mais profundo... Fale e faça com os outros apenas aquilo que você gostaria que lhe fizessem e falassem. Nessa época não costumamos ter muita noção do quão poderosas são nossas palavras, e certamente, lembrar dessa Lei Divina nos instrui a ser, desde pequenos, uma pessoa mais iluminada.
7)Brinque bastante, veja televisão, se puder veja também os desenhos de antigamente... deixe pra se preocupar com namoradinhas quando for um pouco mais velho, porque não tenha dúvida que você passará um bom tempo de sua vida cuidando das coisas do coração.
8)Resumindo, meu querido, busque sua felicidade sempre, faça muitos amigos, beije muito seus pais e sua irmã: o amor da família é a única certeza de incondicionalidade que temos na vida. Reze a noite e peça proteção aos seus anjos e a cada dia que amanhece, olhe para o céu e procure imaginar o que os formatos das nuvens estão te lembrando.
9)Aproveite ao máximo cada segundo da sua infância, porque assim como todas as outras fases da vida, ela passa, e o que colheremos dela são as experiências maravilhosas que proporcionamos a nós mesmos.
No mais, receba um grande beijo da sua madrinha que te adora muitoooooo!!!
Fica com Deus...
Cacá -  27/08/2011

17/08/11

DIVERSAS CITAÇÕES QUE GOSTO...

"Os outros eu conheci por acaso. Você eu encontrei porque era preciso." Guimarães Rosa

"Existem pessoas como a cana, que mesmo postas na moenda, reduzidas a bagaço, só sabem dar doçura." Caio Fernando Abreu

“O tempo não comprou passagem de volta. Tenho lembranças e não saudades.”
Mário Lago

"Sejamos agradecidos com aqueles que nos fazem felizes,... eles são os jardineiros encantados que fazem nossas almas florescerem." Marcel Proust

"É tão difícil falar e dizer coisas que não podem ser ditas. É tão silencioso. Como traduzir o silêncio do encontro real entre nós dois? Dificílimo contar. Olhei pra você fixamente por instantes. Tais momentos são meu segredo. Houve o que se chama de comunhão perfeita. Eu chamo isto de estado agudo de felicidade." Clarice Lispector

"Mas o melhor do abraço não é a ideia dos braços facilitarem o encontro dos corpos. O melhor do abraço é a sutileza dele. A mística dele. A poesia. O segredo de literalmente aproximar um coração do outro para conversarem no silêncio que dá descanso à palavra. O silêncio onde tudo é dito sem que nenhuma letra precise se juntar à outra. O melhor do abraço é o charme de fazer com que a eternidade caiba em segundos. A mágica de possibilitar que duas pessoas visitem o céu no mesmo instante." Ana Jácomo

"E se não quisermos, não pudermos, não soubermos, com palavras, nos dizer um pouco um para o outro, senta ao meu lado assim mesmo. Deixa os nossos olhos se encontrarem vez ou outra até nascer aquele sorriso bom que acontece quando a vida da gente se sente olhada com amor. Senta apenas ao meu lado e deixa o meu silêncio conversar com o seu. Às vezes, a gente nem precisa mesmo de palavras." Ana Jácomo

"Antes de iniciares a tarefa de mudar o mundo, dá três voltas na tua própria casa.”  Provérbio chinês

"Abraço é cuidado mudo. É a forma que encontra...mos de dizer: tudo vai ficar bem, sem palavras. É proteção para pesadelos infantis, porta aberta para corações fechados. É revelar sentimentos sem fazer estardalhaço. É encontrar o caminho sem pedir informação. Aconchego, morada, calor que vem do tum tum tum do coração e acalenta a alma. Eu sou grude, todo mundo sabe e aqueles que meus braços não alcançam, eu abraço com palavras." Desconheço autoria

"Há gente que, em vez de destruir, constrói; em lugar de invejar, presenteia; em vez de envenenar, embeleza; em lugar de dilacerar, reúne e agrega." Lya Luft

"Tenho consciência de ser autêntica e procuro superar todos os dias minha própr...ia personalidade, despedaçando dentro de mim tudo que é velho e morto, pois lutar é a palavra vibrante que levanta os fracos e determina os fortes." CORA CORALINA

"O Amor... É difícil para os indecisos. É assustador para os medrosos. Avassala...dor para os apaixonados! Mas, os vencedores no amor são os fortes. Os que sabem o que querem e querem o que têm! Sonhar um sonho a dois, e nunca desistir da busca de ser feliz, é para poucos!!" Cecília Meireles

Não reclame do que pode ser resolvido. Descubra como resolver. O dizer não é fazer. O fazer é a prontidão a não espera. EU, TÂNIA O'GRADY, TENHO DITO!

13/08/11

Meu filho, você não merece nada - Eliane Brum

A crença de que a felicidade é um direito tem tornado despreparada a geração mais preparada.
 
Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.

Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.

Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.

Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes.

Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.

É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?

Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.

Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.

Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.

A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”? É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão.

Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.

Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar. E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa.

Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.

Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando.

O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.

Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande.

Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.

Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência.

Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba.

02/08/11

PESSOAS AS-IS - ADRIANA H. FERNANDES

Acho que já revelei minha paixão por lojas de usados com tudo o que estas oferecem, incluindo os ávidos e invisíveis ácaros, passeando lépidos nos vãos de tecidos embolorados, e também a energia de sobra que emana no ambiente, fruto das histórias que cada elemento ali disposto tem pra contar. Gasto então horas a fio, olhos atentos, buscando algo que me faça sorrir. Quase sempre saio de lá às gargalhadas. Fico me perguntando por que alguém teria se desfeito de certos objetos tão cheios de charme, adquirido outros de gosto pra lá de duvidoso e me divirto buscando respostas, quase sempre improváveis. Mas quem se importa?
Alguns destes objetos, em geral os eletrônicos, trazem uma etiqueta de cor chamativa que informa “AS IS”. Em inglês, isso significa expressamente que o produto ali oferecido está sendo vendido tal e qual ali se encontra e o comprador deve assumir todo e qualquer risco no caso de um possível mau funcionamento do mesmo. Uma vez decidido a levar este para casa, não pode mais reclamar, tem que assumir por sua própria conta algum reparo, caso não venha a funcionar a contento. Baseada em minhas próprias experiências, quase sempre é possível achar bons negócios no terreno dos “AS IS”, mas é bem verdade que tomar riscos, a meu ver, não é propriamente um problema.
Assim na loja de usados como na vida. Tenho constatado que as pessoas que habitam meu mundo, aquelas em que mais confio e têm marcado presença de maneira significativa em minha rotina, são as que trazem na alma, como eu, uma etiqueta “AS IS”. Nem me lembro mais exatamente quando e onde as encontrei, afinal de contas, mesmo em se tratando de alguém que conhecemos de longas datas, tem um dia em que pessoas deste tipo simplesmente se reconhecem. Há as que trabalham juntas, saem de vez em quando, quem sabe toda semana, se reúnem no Natal, no jogo do Brasil, freqüentam as mesmas festas de aniversário, trocam emails e torpedos, fazem parte do mesmo grupo social, mesma família...mas ainda assim não é garantia de amor incondicional . Quase sempre isso só acontece quando uma das partes está precisando de um apoio extra, afinal ser feliz quando está tudo em paz é bom demais, mas não dá direito a levar a tal etiqueta de “AS IS”.
As pessoas “AS IS” , quando se encontram, se aceitam do jeitinho que são. Se comprometem a assumir todo e qualquer risco para manter o bom funcionamento da relação, apesar das diferenças, dos humores, da TPM, da concepção de mundo e de Deus, da falta de tempo, da distância, da opinião do outro, da conta bancária... e mais, são livres pra falar o que pensam , sem esperar que a outra parte venha necessariamente promover uma mudança na maneira de agir ou pensar por receio de ser removido do caderninho de endereços ou da caixa de mensagens que seja, quando não da própria vida.
Faz algum tempo que decidi tatuar em minha alma uma etiqueta “AS IS”. Só pra ter a certeza de que posso continuar a ser singular e ao mesmo tempo aberta para repensar possíveis e bem-vindas mudanças em minha vida inspiradas nas lentes com que o outro vê o mundo, desde que sejam na medida de minhas possibilidades e desejos.
Afinal, caso não esteja satisfeito com uma pessoa “AS IS” que encontrou nas prateleiras do dia-a-dia, devoluções são aceitas naquele mesmo lugar, embora sem direito a recompensa de qualquer ordem. Sem dúvida, há de surgir em breve alguém a se perguntar por que haveriam de ter deixado tal interessante alma dando sopa por ali.