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05/11/10

Se quiser ter a paz, não a perturbe - Cláudio Azevedo

Quanto tempo passamos em nossa vida querendo, conscientemente, ser felizes?

Na verdade, a grande maioria de nós busca essa felicidade de uma forma totalmente inconsciente. Confundimos felicidade com esfuziantes manifestações de alegria, com festas, danças, paixões, etc., que esconde cada vez mais a verdadeira e perene felicidade, que é um estado de inabalável paz interior, que se reflete externamente. Na realidade temos um manancial interno inextinguível de paz, de silêncio, de vazio...
Mas como não percebemos isso, incessantemente seguimos nossa vida perturbando e agitando esse manancial interno de paz, na busca de um movimento de energia intenso que julgamos ser felicidade, pois achamos que a felicidade está em algum lugar e que temos que buscá-la. Passamos uma parte de nossas vidas a buscá-la em coisas externas e depois passamos a buscá-la em coisas internas. Na verdade enquanto houver busca não haverá encontro, pois não existe nada a ser buscado pois nunca perdemos nada... Somos, ao mesmo tempo, o buscador, a busca e a coisa buscada.
Não precisamos buscar a felicidade, precisamos SER a felicidade, não precisamos buscar a paz, precisamos SER a paz... Mas como SER a felicidade? Como SER a paz? Então voltamos, novamente, a ser buscadores de métodos, de ferramentas, de dicas, doutrinas, conhecimentos, etc., que nos ensinem a SER algo, ou alguém... Novamente achamos que temos que fazer algo, conhecer algo, buscar algo... Mas o sábio fala sobre o não-fazer, sobre a nuvem do não-conhecer... Ele nada fala sobre o não-sentir... Em nossa busca de fazer e de conhecer, esquecemos de sentir! Sentir é fazer sem fazer! E o sentir é fundamental na percepção da felicidade, da paz... não precisamos buscar, mas apenas perceber; observar.
Mas, enquanto isso, a vida segue o seu fluxo natural, em movimentos contínuos de fluxo e refluxo, idas e vindas: “nada do foi será, de novo do jeito que já foi um dia... a vida segue em ondas como o mar...”, diz o Santos poeta. Se fluirmos junto com os movimentos de ida e vinda da natureza, encontraremos a paz (leia-se felicidade). Mas para fluir junto com os movimentos da natureza, precisamos perceber esses movimentos; em suma, precisamos senti-los. Conhecer essas duas forças que regem esses movimentos não é a mesma coisa que sentir e perceber essas forças. Há-se não-fazer para poder não-conhecer, pois só assim sentiremos para podermos verdadeiramente saber...
Fluxo e refluxo... O amor é a força básica de refluxo, um fluxo retrógrado que (re-)une toda a criação novamente à Unidade. E nisso também tem um equívoco de interpretação nosso, pois, nesse sentido, até o ódio é uma manifestação do amor, na medida em que em estamos unidos mentalmente pelo nosso objeto de ódio por não conseguimos parar de pensar no outro...
Enquanto o amor é a força da natureza que une (refluxo)... a Criação é a força da natureza que separa (o fluxo)... Muitas vezes também é difícil entendermos isso. Quando criamos algo, separamos de nós mesmos (de nossa mente) algo ao que damos uma individualidade e existência própria, separado de nós mesmos. Criar um filho é dar-lhe uma individualidade... toda a criação é um fluxo, uma forma de manifestar individualidades... pluralidades... que estão unidas pela outra força básica (a do amor) e por isso anseiam por se unirem novamente (refluxo)...
E o que tem isso com a minha vontade, consciente ou inconsciente, de ser feliz?? Em geral usamos forças opostas para aquilo a que nos propomos. Criamos coisas e não queremos lhes dar uma individualidade (nos separar delas)... queremos amar e ser amados mas não nos rendemos à força de fusão do amor (temos muitos medos)... Ninguém, na prática, quer se fundir com o outro (embora, inconscientemente, possamos até ansiar com isso) por medo de uma ‘auto-aniquilação’ que não existe... Por isso não temos paz nem felicidade. Agitamo-nos internamente, buscando obter algo que não é natural, uma relação baseada em algo totalmente contraditório... Buscamos paz querendo nadar no sentido contrário ao do fluxo do rio da vida.
Numa relação, enquanto ansiamos por sermos amados, o principal medo é que isso não aconteça. Na realidade, antes de desejar ser amado, temos muito medo de não ser amados, o que inverte totalmente a relação, que deixa de ser baseada no amor para ser baseada no medo. Quando uma manifestação de amor não tem êxito, o problema nunca está no outro nem em nós mesmos, mas está no tipo de relação que se estabelece. Em vez de se construir uma relação baseada na busca do amor a centramos no medo do não amor.
E esse medo de não ser amado, na prática, é um medo de ser julgado pelo outro, em nossos pensamentos emoções e ações. É a velha questão de querer fazer sempre o que ‘eu acho que o outro acha que é certo’... e quando eu não sei o que o outro acha certo (ou errado) eu fico paralisado, pois tenho medo de não acertar e ser julgado pelo outro ( e conseqüentemente não serei aceito nem amado pelo outro...).
Ficamos inconformados quando alguém diz algo que nós não fizemos. Mas se não o fizemos porque a indignação? E se realmente o fizemos porque a indignação? A auto imagem, ah! a ilusão de uma auto-imagem que construímos de acordo com o que achamos o ideal para sermos aceitos e, conseqüentemente, amados. De novo baseado no medo (de sermos rejeitados) e não no amor. Construímos uma auto-imagem e não queremos que nada a desconstrua!
E seguimos, com a nossa mente construindo padrões sobre padrões, crenças sobre crenças, hábitos sobre hábitos, num turbilhão mental quase inexpugnável de onde não conseguimos sair. Não há nada que possamos fazer, e se tentamos entender, nos perdemos nos labirinto do próprio pensamento. De novo repito, não há nada a fazer, não há nada a saber, mas há tudo a sentir... a verdadeira chave do perceber e do agir... Se não sentirmos, não perceberemos nem agiremos, mas, pobremente , limitar-nos-emos a reagir e conhecer.
Resumindo, pensamos demais nas coisas e nas pessoas... a paz é um processo mental de silêncio, de harmonia entre as forças criativas e amorosas da natureza. É o Caminho do Meio, o Caminho da Integração dos opostos. É onde reside a nossa verdadeira força de Observadores, é onde reside o Ser, Aquele que É... não aquele que faz, nem aquele que ama... 
Amor e Criação, fluxo e refluxo, ondas da vida...
Nesse período de (re)nascimento do Sol, onde comemoramos o (re-)surgimento da energia Crística de amor, ocorrido há mais de 2000 anos atrás:
que possamos realmente saber o que é o Amor...
que possamos realmente SER Um com o Amor... SER o Amor...
que possamos realmente saber o que é a Criação...
que possamos realmente SER Um com o Criador... SER no Criador
que possamos realmente saber o que é Felicidade...
que possamos realmente SER Um com a Paz... Ser a Paz...

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